Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

domingo, 13 de outubro de 2013

A família de José Teodório Rodrigues de Oliveira

 

Meu avô nenezinho recebeu um livreto feito por um parente de Jacobina chamado Otoniel Leal Oliveira em 2007 como uma homenagem ao pai dele João Rodrigues de Oliveira. Resolvi reproduzir o livreto aqui.

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(Foto de João Rodrigues de Oliveira)

 

José Teodoro Rodrigues de Oliveira e a Fazenda Morro Branco

A sua esposa chamava-se Ana e tiveram sete filhos:

Etelvina, Cândida, Manoel Bela, Lindolfo, Adolfo, João e Antonio (apelidado de Totonho.

Ana faleceu do parto de Antonio em agosto de 1894. A irmã Etelvina, que já era casada, pegou Antonio para criar. Seu pai ficou com os outros, inclusive João que tinha apenas treze meses, pois tinha nascido em 11/07/1893.

Tinha Ali um bom vizinho que se chamava Joaquim Amâncio de Araújo que lhe deu muita assistência. Ele tinha também sete filhos que se chamavam: Hermógenes, Vicente, José (Cazuza), Francisco (Xixi), e tinha mulheres também, eram elas Xanxa, Cândida e Ana, conhecida por Naninha, que deu muito amor aos filhos de José Teodoro.

O pequeno João já a chamava de tia. José Teodoro casou-se em segundas núpcias com Naninha e não tiveram filhos, porém ela foi uma verdadeira mãe para os filhos dele. Todos se casaram.

Os Filhos de José Teodoro

Etelvina se casou com João Oliveira, e tiveram dois filhos: José João e Maria Etelvina. Já faleceram João Oliveira, Etelvina, José João e Maria Etelvina.

Cândida se casou com Leopoldo Vilas Boas e tiveram dez filhos: Avertina, Artur, Enério, Tionílio, Rodolfo, Durval, José (Cazuza), Mariazinha, Eulina e Cândido (Mensinho). Este nasceu em 03 de fevereiro de 1927 e sua mãe, Cândida, faleceu trinta dias depois. Sua tia Etelvina o criou. Leopoldo casou-se em segundas núpcias com Adasília, filha de Antonio Rios, o Totonho do Tamburi. Tiveram 4 filhos: Sóstenes, Antonio (Tonhá), Milton e Vilse. Já faleceram: Leopoldo e Adásilia, Avertina, Artur, Enério, Tionilo, Rodolfo, José (Cazuza), Sóstenes e Eulina.

Manoel Bela casou com Maria (Sinhazinha), filha de Hermógenes Araújo e tiveram oito filhos: Emília, Edelvira (Dezinha), Etelvina (Téve), Maria, Arlinda, João, Amado e Hermenegildo. A esposa de Manoel Bela faleceu e ele casou-se com Etelvina, viúva, que tinha três filhos: Altino, José (apelidado de Dezinho) e Anália. Já faleceram Manoel Bela, Emilia, Edelvira, Téve, João, Amado, Hermenegildo, Etelvina (e também seus filhos), Altino, José (Dezinho) e Anália.

Lindolfo casou-se com Ananias, filha de Belarmino Pacheco e tiveram sete filhos: Edesio, Agenor, Almir, Edson, Manoel (Necí), Luísa e Edna. Ananias, esposa de Lindolfo, ficou cega e faleceu. Ele casou-se então com Dionísia, filha de Vicente Araújo, e tiveram cinco filhos: Deraldo, Pedro, Valdemar, Maria e Dedé. Dionísia também ficou cega antes de falecer. Já faleceram: Lindolfo, Edésio, Agenor, Almir, Edson, Valdemar e Maria. Edna não tenho notícias.

Adolfo casou-se com Avertina, filha de Antonio Maroto e tiveram cinco filhos: Misú, Edelmy, Arlindo, Olindina e Josefa. Já faleceram: Adolfo, Avertina, Misú, Arlindo, Edelmy e Josefa.

João, o conhecido Joãozinho da Várzea Comprida: Ele nasceu em 11/07/1893, casou-se com Maria do Carmo Leal no dia 30 de janeiro de 1917, eram primos em segundo grau. Ela havia nascido em 05/12/1895, filha de José Argemiro Leal e Josefa Rosa, que por sua vez era prima em primeiro grau de Joãozinho da Várzea Comprida, esposo de Maria do Carmo Leal. Tiveram nove filhos: Manoel (o Sinú, nascido 23/01/1918), Aritílio (Titilo, nascido 03/04/1919), José (Neném, nascido 27/07/1920), Amador (nascido 15/06/1922), Otoniel (nascido, 15/06/1924), Natanael (o Dinha, nascido 21/11/1925), Elizabete (conhecida por Carminha, nascida 04/01/1928), Israel (nascido 02/10/1929), e Carmelita (nascida 05/03/1931). Estão todos vivos e sem maiores problemas. Maria do Carmo faleceu em 27/07/1989 com 94 anos. No hospital ela ainda lembrava a data do nascimento de sua neta há 38 anos. João faleceu em 09/01/1998, com 104 anos e seis meses de idade e completamente lúcido. Viveram juntos 72 anos e meio, quando ele fez 100 anos. Quando Joãozinho completou 100 anos a família ia fazer uma festa, mas como a esposa, Maria do Carmo, havia falecido há pouco tempo, como também uma nora, ele não aceitou. Disse que queria que fosse celebrada uma missa pelo Padre David, com a presença de toda a família. Assim foi feito, estiveram presentes 9 filhos, 39 netos, 63 bisnetos, 6 noras, 1 genro e 1 Trineto. Um total de 119 membros. O padre David começou a missa assim: Quando cheguei dos Estados Unidos há dois anos, tive muito medo pois não conhecia os costumes da terra e fiquei em casa. Um dia uma pessoa chamou à porta e a empregada foi atender, voltou e disse: “Aì tem um senhor que quer falar” Eu cheguei lá e tivemos a seguinte conversa: “Padre, meu nome é João e vim lhe dar as boas vindas” - “Seu João, quantos anos o senhor tem?” – “98 anos” – “98 anos?” – Aquilo pra mim foi uma tranquilidade.

- OBS: A data de morte de Joãozinho deve estar errada neste livreto pois as datas não batem -

Antonio, o Totonho, nasceu em agosto de 1894, casou-se com Maurília, filha de Belarmino Pacheco e tiveram quatro filhos: Esmério, Elmerita (Ditinha), Hilda (Dida), Maurília (Leca). Maurília, esposa de Antonio faleceu, ele casou-se então com a irmã dela, Generosa, e tiveram quatro filhos: Dilson, Nelson, José (o Zeca) e Neolita. Faleceu Generosa ele casou-se, pela terceira vez, agora com Maria Rosa, filha de Manoel Oliveira. Não tiveram filhos. Já morreram: Antonio (14/12/1970), Maria Rosa, Esmério, Hilda e José (o Zeca, 30/05/2007).

José Teodoro e Naninha gostavam de criar filho dos outros. Criaram: Bernardino, Antonio, Severa, Santinha, Emilia e Avelina, que não casou, mas teve doze filhos, chamavam-se: Amancio (Liquinho), Joaquim, Otaviano, Graciliano, João, Inês (Guinha), Maria (Miúda), Balbina, Gracinda, Fidelcina, Vivaldina e Helena. O casal José Teodoro e Naninha criou todos eles e eram tratados pelos mesmos por Iôiô e Iáiá. Aqueles filhos adotivos foram seus verdadeiros filhos. Naninha ficou paralítica e José Teodoro cego e os filhos deram toda a assistência com muito amor até a morte de ambos, Naninha em 1940 e José Teodoro em 1949 com 96 anos. Já faleceram: Bernardino, Antonio, Severa, Avelina, Santinha, Emília, Amancio (Liquinho), Joaquim, Otaviano, Inêz (Guinha) e Maria (Miúda).

A História de Santinha

Ela nasceu em 1910 na Fazenda Casa Santa, vizinha a Jacobina, tendo a mãe morrido do seu parto. O pai que era Vicente, irmão de Naninha, esposa de José Teodoro, mandou avisar a ela que mandasse buscar a criança. José Teodoro ficou apreensivo com a notícia. Ele então foi ao mato, tirou cipó e fez um cesto, o entregou a sua empregada Pastora e mandou que ela fosse buscar a criança. Pastora seguiu viagem e chegando lá recebeu a menina, colocou-a no cesto e cobriu de folhas. Retornou junto com uma tropa cujos componentes lhe deram todo o apoio. José Teodoro ficou durante os quatro dias que duraram a viagem, quase que o tempo todo olhando para a estrada. Quando ele viu Pastora se despedindo dos tropeiros ele foi ao encontro, recebeu a criança, beijou-a e disse: – Mais uma filha, ela vai se chamar Santinha. E realmente foi uma Santa para eles. Foi uma pessoa muito querida. Casou-se com o primo Agripino, e formavam um casal muito querido. Tiveram sete filhos. Ele faleceu no dia 08/03/1967 e ela já havia falecido.

A Fazenda Morro Branco

Pertencia ao município de Jacobina, localizada na região de Capim Grosso a quem hoje vincula-se. Era vizinho de José Teodoro um homem chamado Jorge, de pele muito escura, casado com Tereza. Tinha oito filhos que se chamavam: Martinha, Maria, Preta, Valentina, Henrique, João, Luiz e Manoel Baraúna (este era afilhado de meu pai que o criou). Já morreram: Jorge, Tereza, Martinha, Maria, Preta, Valentina, Henrique, Luiz e Manuel Baraúna. João está com noventa e oito anos e sofreu derrame.

Outro vizinho chamava-se Anastácio, casado com Rosa, e tinham cinco filhos: Abílio, Acelino, Vencelino, Antonia e Honorina. Falecidos tanto os pais quanto os filhos.

Um terceiro vizinho era José, o Cazuza, irmão de Naninha, casado e sua esposa chamava-se Francisca e tinham onze filhos: Marcelino, Agostinho, Jovino, Pocidônia, Maria, Ciliça, Cecília, Josefa, Ananias, Ricarda e Macimina. Já faleceram: Cazuza, Francisca, Marcelino, Agostinho, Maria, Pocidônia, Ricarda, Macimina. Jovino desapareceu.

Ainda tinha o vizinho Francisco, o Xixi, que era também irmão de Naninha, casado, a esposa chamava-se Ana e tinham cinco filhos. Eram eles: Agripino, Manoel, o Nezinho, Ursulina, a Cila, Ana, a Miminha e Doninha. Faleceram: Francisco, Ana e seus filhos Agripino, Manoel, Ursulina, Ana e Doninha.

A sede da fazenda era uma casa muito bonita com duas salas, quartos, cozinha e varanda. As portas pareciam portas de Igreja. Ao lado da casa de farinha e os dois currais. Na frente uma lagoa e dois tanques. O local era cortado por uma estrada de boiadeiros que deslocavam-se de Jacobina para Feira de Santana. Ali passavam muitas boiadas de Otacílio Cedraz, José Emídio, Edésio Barbosa, José Almeida França, Ismael Teixeira Nunes e Odonel Miranda Rios entre outros. Edésio Barbosa e Ismael Teixeira Nunes conduziam o gado para a região de Bom Conselho e Sergipe. Ismael Teixeira Nunes faleceu no dia 08/07/1951, quando viajava de trem de Jacobina para Caém. O trem voltou para entregar o corpo a família. Odonel Miranda Rios não foi muito feliz. Levou uma boiada para vender em Jeremoabo e na volta os assaltantes mataram ele na estrada e levaram todo o dinheiro da venda da boiada. Por ali passavam também as tropas de Pedro Rodrigues, Pedro Matos, Josué, Ezequiel, Esperidião, Geraldo Bugi, Silvino, Luis, Felipe Carneiro e Esmério. A tropa de Esmério era de onze burros muito bem arreados, o tropeiro chamava-se Paterniano e todos os burros tinham seus nomes. Eram eles: Ouro Preto, Moderno, Diamante, Gigante, Mimoso, Rochinha, Veneza, Pratinha, Lucena, Fantasia e Roseira. O dono da tropa, montado em seu burro bom, nada fazia a não ser dar ordens aos empregados. Os tropeiros viajavam uma média de 7 léguas por dia.

A fazenda Morro Branco era ponto de parada da boiada e da tropa para dormir. Como era bonito ver uma boiada desfilar ao toque do berrante ao nascer do sol. A tropa também era muito bonita. Eles chegavam as cinco horas, descarregavam os burros, botavam na manga e iam fazer a famosa feijoada de tropeiro. Os burros atendiam pelos seus nomes. No outro dia nova marcha. Juntavam os burros, botavam uma mochila com milho na boca dos mesmos (era a ração). Iam almoçar, quando terminavam passavam a raspadeira depois a cangalha, e começavam a carregar. Cada burro com uma carga de 120kg. Tinha uma burra muito bonita, a Roseira, que recebia um cabresto também lindo e na testa uma flor de pano vermelho. Recebia também um peitoral com onze cincerros, um grande no meio e cinco de cada lado. Os tropeiros usavam um cinto com quinze centímetros de largura, para proteger a coluna. Era muito bonito de ver uma tropa na estrada, aquela mula marchando na frente tocando o cincerros com muita capacidade e os outros acompanhando, os tropeiros com uma pirata de vez em quando um estalo o que os animais tinham muito medo.

Na Fazenda Morro Branco reuniam-se tropas que carregavam fumo de folha, mamona, coro de boi e bode, entre outros produtos produzidos na região, e se dirigiam a Feira de Santana e de lá voltavam carregados de açúcar, querosene, cachaça, sabão, fardo de tecidos, caixas de ferramentas. Duas caixas de querosene com quatro latas correspondia a uma carga de querosene. Os comerciantes de Jacobina, esperavam até quinze dias pelas mercadorias.

Aproximadamente a 1km da sede tinha um morro bem alto de pedra branca que deu origem ao nome Fazenda Morro Branco. Tinha também um cemitério com as paredes de pedra e barro. Dentro dele tinha um cruzeiro e uma capela. Cemitério naquele tempo só tinha este. Existiam outros no Gavião, a trinta quilômetros, no São José a vinte ou em Pedras Altas com trinta, no cemitério, por não haver protocolo, foram sepultadas muitas pessoas. Na Semana Santa, tinha uma romaria na sexta-feira da Paixão quando vinha muita gente. Visitar as sepulturas dos parentes e fazer as suas orações. Vinham de pé, a cavalo, porque não havia carro. Rezavam a Via Sacra do cemitério para o morro. Dois rezadores, Manoel Maciel e Lúcio, começavam no cemitério as quatro e terminavam ao pôr do sol em cima do morro rezando Senhor Deus. Era muito emocionante, de cima do morro a gente avistava o infinito, serras, fazendas, pastos verdes, lagoa cheia e muita beleza.

Meu pai não perdia. Acabava de almoçar na Várzea Comprida e viajava com a família, todos de cavalo, os pequenos na garupa dos cavalos dos outros. Minha mãe em seu cavalo, em uma sela, montada de banda, roupão muito comprido e chapéu. Uma verdadeira simpatia. Enfrentavam chuva, lagoa cheia, atoleiros, e outros perigos, mas estavam sempre presentes e como era bonito aquele encontro de famílias e amigos.

Lembro de uma vez que vieram de Valente minha tia Etelvina, filha de José Teodoro, José João Neto, Emília esposa de José João, Epitácio e Joaquim que tomava conta dos animais que serviam de montaria para as pessoas e mais um com as malas de roupas. Acompanhava também um cavalinho baio que chamava Paquete, com uma pequena polaca para amadrinhar a tropa. Era assim que as pessoas viajavam naquele tempo. José João e a família passaram a Semana Santa com José Teodoro. Sexta-feira da paixão assistiram a procissão do cemitério ao morro, onde encontraram muitos parentes e amigos, e foram muitos abraços. No sábado foram para Várzea Comprida e de lá retornaram para Valente. Segunda-feira na hora da partida, minha tia Etelvina meteu a mão no bolso do roupão e tirou muito dinheiro. Deu a cada sobrinho uma moeda de duzentos réis. A alegria era geral.

Epitácio era de 15/05/1923 e eu de 15/06/1924. Aqueles dois dias em que ficamos brincando, ele mais velho do que eu apenas treze meses, foram de muitas alegrias.

Lembro-me da hora de sua saída, vestido em uma calça clara de boca muito larga, camisa de manga e chapéu, montado sozinho no burro, eu tive tanta saudade dele que a noite chorei e tive febre. Minha mãe perguntava o que estava acontecendo e eu não dizia. Foi naquele dia que começou nossa amizade. Nós dois deviamos ter de 10 a 12 anos naquela época. Ficamos tão amigos que Epitácio e sua esposa Yolanda batizaram nosso filho Tânio Mario, que hoje é médico em São Paulo. Epitécio faleceu quando Tânio formou-se em 1996.

Eu não posso deixar de mencionar nessa história os nomes de duas pessoas especiais. São elas Joaquim Ancelmo Rodrigues de Oliveira e sua esposa Francisca Maria de Oliveira. Avós de minha mãe, meus bisavós e padrinhos. Joaquim era irmão de meu avô paterno José Teodoro e ela irmã de minha avó Ana, irmã de Manoel e João Oliveira. Joaquim era bem abastado, muitas fazendas de gado. Era um homem muito humano, matava uma rês e dividia com os pobres. Eles tiveram onze filhos: Hermenegildo, Manoel (apelidado por Lelo), Donana, Maria (apelidada por Cota), Madalena, Lídia, Macimino, José (apelidado por Zuza), Helena, Antonia, Josefa (que era a minha avó).

Casaram-se todos. Joaquim do Paciência, como era conhecido, com seus 90 anos. Faleceu em São José no dia 30/11/1934, e foi sepultado junto do altar. Francisca, que tinha o apelido de Chiquinha, faleceu dois anos depoiis em 02/11/1936. Já faleceram todos os filhos, noras, genros e muitos netos.

A Fazenda

Com a morte dos velhos, os seus filhos adotivos permaneceram na fazenda. Depois, alguns foram casando, outros foram embora e por fim os demais morreram lá. Depois que se afastaram chegaram os parentes legítimos da velha que se diziam herdeiros, derrubaram a casa, um levava porta, outro levava madeira, outro telhas, outro mesa. Hoje só resta o lugar da bonita casa. O tanque teve um que botou um cadeado na cancela para que outro não utilizasse. A terra foi invadida e nada restou para os legítimos herdeiros. Meu pai que pagou o imposto territorial por muitos anos estava com a escritura, mas Teócrito, que se considerava herdeiro, mandou pedir dizendo que devolveria logo e foi a última vez que vimos o documento. Hoje até o morro branco, assim chamado por ser formado por Quartzo Branco, não existe mais, pois um dos herdeiros, junto com uma empresa desmontou, levando as pedras para a Ferbasa para caldear ferros em Salvador. Do Cemitério Já cairam as paredes, está aberto e abandonado. Eu não suporto ver o abandono que se encontra. Tanta gente honesta que foi sepultada ali e hoje está no esquecimento. O terreno foi invadido e nada ficou para os legítimos herdeiro.

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