Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Com quantas braças se perfaz uma légua

 

A tradução de quantidades indicadas em documentos da época do Império é atividade de risco, uma vez que não havia padronização das medidas e, quando explicadas, referiam-se a outras medidas igualmente não-padronizadas.

Tampouco havia padronização de linguagem, ou lógica na forma como era empregada. Em diversos textos, p.ex., áreas são indicadas em "braças", e até em "braças lineares". Em outros, com freqüência pode-se duvidar se a medida indica "léguas quadradas" ou "um quadrado de tantas léguas de lado" (como era prática em textos norte-americanos).

Complementos hoje associados a determinadas medidas — p.ex.: "alqueire paulista", ou "braça de sesmaria" — podiam estar subentendidos, ou ainda não terem sido adotados, conforme a época, a região e o autor.

Além disso, medidas mudavam — ou tentou-se mudá-las —, e não é garantido que os valores adotados atualmente sejam os mesmos de todas as outras épocas, regiões e autores.

Duas medidas

A légua e a braça são as duas medidas mais encontradas em leis, relatórios e outros textos do império sobre terras, colonização e imigração.

Raramente aparecem acompanhadas de qualquer complemento. Uma vez que outras medidas (quando aparecem) referem-se a uma delas, são a base para a compreensão do sistema de medidas agrárias da época.

Chama atenção, de imediato, a enorme desproporção entre a braça e a légua. Quer se considere a légua da época como 2.400 ou 3.000 braças, a relação é o dobro ou o triplo da relação entre o metro e o milímetro, por exemplo.

Essa desproporção reflete a relação entre os domínios do dono da terra — senhor absoluto de léguas e léguas ("da porteira para dentro" o direito público não entrava, portanto não havia direitos civis, ou cidadania) — e as braças autorizadas ao cultivo domeeiro, agregado, colono etc.

Ao incentivarem-se projetos de imigração — sob a tutela de um senhor, ou sob tutela direta do Estado — permanecerá a desproporção entre as léguas facilmente concedidas aoempresário e as braças trabalhosamente acessíveis ao imigrante.

Selva de medidas

Respira-se aliviado, observando a multiplicidade de medidas eliminadas pela adoção do sistema métrico decimal — uma só medida (padronizada) para cada tipo de aplicação (comprimento, área, volume, peso), e fácil de calcular de cabeça: 1 quilômetro tem 1.000 metros; 1 litro tem 1.000 mililitros, etc.

Nada poderia estar mais longe da realidade — quando o assunto é terra.

Passados 143 anos da adoção do sistema métrico decimal (1862), e 115 anos da introdução do registro Torrens (1890) , cartórios ainda registram terras mediante descrições vagas e imprecisas, a Justiça queima pestanas sobre tantas braças de sesmaria para a esquerda X tantas léguas de 3.000 braças à direita, e órgãos oficiais emitem tabela sobre tabela tentando se adaptarem a mais de 50 unidades sem existência legal.

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Fonte: http://doc.brazilia.jor.br/HistDocs/Medidas-antigas-nao-decimais.shtml

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