Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

sábado, 18 de outubro de 2014

SERRA DO MUCAMBO


por José Plínio de Oliveira

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A cartografia da palha em outras eras estendida na região do atual município de Conceição do Coité, ainda possibilita a leitura de fragmentos do estoque linguístico das oralidades coiteenses que revelam a extensão ocupada pelos povos nativos, os índios, que viveram nesta terra muito antes da chegada do colonizador europeu.

Nesta perspectiva de leitura, as tribos indígenas orientavam-se para espaços em que era possível encontrar água, materiais para abrigo e caça em abundância. Foi assim que uma parte da Nação dos Tocós tomou lugar bem ao pé do que hoje é conhecida como a Serra do Mucambo, ocupando depois imensas áreas deste território do sertão da Bahia, na proporção em que as famílias iam se tornando mais numerosas e carecendo de maiores espaços para os assentamentos das proles. Pode-se afirmar com segurança que um povo nobre tomou assento nesse lugar. Daí se depreende que a serra não é apenas um acidente geográfico nas terras deste Sertão dos Tócos, mas um marco de referência da parte em que viveu por eras remotas a civilização mais elevada deste contexto do semiárido baiano.


Convém esclarecer que o termo Mucambo é uma variante da palavra Mocambo – do léxico brasileiro – que significa lugar em que se refugiavam nas matas e nas áreas de caatingas escravos de origem africana, saídos dos grilhões do cativeiro para a liberdade. Logo, dizer Mucambo, neste contexto contemporâneo, implica pensar que em algum momento da história os espaços que asseguraram sustentabilidade às populações indígenas nativas dos sertões da Bahia, acolheram depois a povos de origem africana e lhes asseguraram liberdade. Portanto, quando se trata da Serra do Mucambo, cujo nome indígena foi perdido, prevalece agora o espaço atribuído também ao povo africano, inserido no coração do universo indígena da Bahia.


A Serra do Mucambo, situada na imensa área de caatinga da região do distrito de Salgadália, no município de Conceição do Coité, é um santuário ecológico ímpar no âmbito do bioma caatinga e neste contexto do sertão da Bahia. Uma serra solitária e aprazível em plena harmonia com o meio e com a paisagem.

Aquele que a comtempla de certa distância (por exemplo, ela é avistada do distrito de Bandiaçu, nesse mesmo município, por quem trafega pela BA 409, que liga a BR 116 em Serrinha ao município de Monte Santo) não consegue ter nenhuma ideia da sua exuberante cobertura vegetal, contando com espécies raríssimas de uma flora não encontrada em outro espaço do universo catingueiro, e com notáveis características de espécies muito típicas da Mata Atlântica brasileira. É uma espécie de oásis surpreendente em um contexto mesológico em que ele seria impossível, até mesmo pelas condições climáticas predominantes nesta região. Parece que aquele santuário ecológico é protegido pela natureza contra a sanha implacável de predadores. Árvores muito altas, bromélias e flores exóticas, e rochas coroadas de musgos viçosos extasiam o visitante que empreende longos percursos sob as copas frondosas das árvores, sem nenhuma percepção do mais tênue raio de sol. E ainda persiste uma atmosfera úmida e fria no interior da mata da Serra do Mucambo, mesmo quando no meio ambiente da caatinga a canícula é asfixiante. A providência ecológica soube protege-la com tanto desvelo e por tanto tempo que somente agora – muito felizmente – neste início do século XXI é que a ONG Flor da Caatinga, iniciativa de alguns membros da comunidade de Salgadália, começa a tratar dela como um patrimônio ambiental sustentável. E tem razão porque a Serra do Mucambo é também um marco sustentável por excelência da memória da civilização da palha que por eras muito remotas viveu nesta parte do Nordeste do Brasil.


Com a civilização dos Tocós, esta terra foi sendo harmonizada e conhecida em sua natureza e suas nuances peculiares. Foi assim que as populações nativas organizaram os períodos da caça, de tal forma que aqueles recursos jamais viessem a ser exauridos, mas remanejados sempre em harmonia com a natureza e com necessidades do homem.

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