Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

História sobre Conceição do Coité

Fonte das fotos : Flickr de Paulo Fragoso

Trabalho elaborado pelo escritor e historiador Orlando Matos Barreto e distribuído à população Coiteense em 07.07.2006. A história conta que o Município de Conceição do Coité, assim como, muitos outros municípios brasileiro, surgiu do desbravamento e da colonização destas terras em tempos remotos. Coité como é carinhosamente chamado, constitui-se orgulhosamente como parte integrante da História do Brasil.

Os Índios

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Os índios que aqui viviam eram os Tocós, descendentes das grandes tribos Pataxós e Paiaiás, habitando às margens dos rios Itapicuru e Jacuipe, nos riachos dos Tocós e Pau-a-pique e nas poucas fontes de água nativa, que irrigavam parte dos tabuleiros propícios à agricultura. Nas terras brancas que os indígenas necessitavam para suas práticas agrícolas, quem tinha água detinha o poder:

A essa terras, situadas entre o Tabuleiro de Quererá e os rios Itapicuru e Jacuípe, os índios denominaram de Pindá. Em língua Tupi, o vocabulário Pindá significa anzol. Tal denominação decorre da existência de várias espécies de arbustos e cactus cobertos de espinhos em forma de anzol, conhecidos popularmente como calumbi, unha-de-gato e cabeça de frade. Seria o mesmo que chamá-lo Tabuleiro de Espinhos.


Os Tocós viviam em paz e as poucas lutas que enfrentaram tinha o caráter específico de defenderem a sua terra e a sua água das tribos invasoras. Venciam sempre, sempre.

Um dia, surgiu um guerreiro diferente, de pele branca, que atirava com arma de fogo. Certos de que se tratava de vingança, através de espíritos de guerreiros inimigos, os Tocós organizaram rituais e magias que, conforme sua crença haveriam de devolvê-los ao outro mundo. Ao perceberem que lutavam contra um inimigo real e perigoso, não tiveram mais tempo rara reorganizar sua defesa. Estavam já dominados e muitos mortos. Aos sobreviventes, humilhados, restaram apenas duas alternativas: abandonar a terra ou submeter-se à dominação do rival.

Desbravamento dos Sertões

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Este episódio poderá estar relacionado a um confronto entre o exército criado por Antonio Guedes de Brito, autorizado pelo Governador Geral, em 1656, e o índios Tocós, habitantes do Pindá.


O exército particular tinha o objetivo de descobrir as terras do sertão. As descobertas renderam a Guedes de Brito, prestígio e riqueza imensos. O rei de Portugal doou-lhe grandes áreas de terra, em regime de sesmarias, transformando-o no maior latifundiário do Brasil, concorrendo apenas com Francisco Garcia D’Ávila, que possuía quinhentas léguas de terras, da Bahia ao Piauí.

Dentre as sesmarias de Antonio Guedes de Brito, estavam 160 léguas que iam do Morro dos Chapéus à nascente do Rio das Velhas, terras de Itapicuru, Itiúba e da Jacobina do Rio São Francisco. Mas em especial estavam as terras do Pindá, registradas em 1676, como terras dos Tocós. Por este documento, e muito mais pela força que pela lei, o homem nativo foi dominado, humilhado e vale ressaltar o seguinte: por mais que tenha sido subjugado e escravizado o indígena coiteense, seus brados ecoam ao longo do tempo em étimos e costumes que enriquecem a nossa linguagem e a nossa cultura.

A Colonização

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Em 1720, o rei de Portugal contratou a abertura de uma estrada, ligando a cidade de Salvador ao Rio São Francisco. O relatório do construtor Pedro Barbosa Leal, definindo o rumo da estrada, cita as fazendas Tambuatá (hoje Serrinha), Campinas, Cuyaté (Coité) e Tanque de Papagaio, de onde seguindo em frente, acharia a Tiúba e, tomando “o rumo esquerdo vai para Jacobina”. É, portanto, a partir de 1720 que aparece a denominação Cuyaté, palavra de origem tupi com significado de “cuia” ou “coité”.

Por esta estrada, mais tarde chamada Estrada Real, transitaram os prepostos dos Guedes de Brito, funcionários do Governo, visitantes e aventureiros diversos. Nasce então a fazenda Coité. A partir do ano 1750, portugueses e mestiços elegeram-na berço de seus descendentes, fixando residência com uma proposta sólida de trabalho e progresso. E, sobre os pilares da paz, da ordem e do respeito ao próximo, edificaram a primeira capela de palha, dando origem à povoação que se transformou nesta cidade hospitaleira.

A Povoação e os Escravos

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A certeza da existência da capela aparece em documentos da freguesia de Água Fria, em 1763. Iniciada a povoação, o progresso não poderia mais ser detido. A ordem era avançar. E avançou. Em 1855, a antiga capela foi reconhecida pela Igreja e transformada em freguesia (paróquia), tendo o seu primeiro vigário Padre Manuel dos Santos Vieira.

Por volta de 1860, o processo de povoamento estava bem definido na jurisdição da freguesia, que se iniciava da fazenda Getirana, passando por Alma até o Rio Jacuípe; do Morro do Lopes até o Poço Grande e de lá, até a atual divisa com Serrinha e Ichú.

A força-motriz da riqueza da região estava no trabalho escravo. Sobre estes, muitas histórias são ainda contadas. Haviam os bons senhores que tratavam seus escravos como filhos, mas tinham outros que os marcava com ponta de faca na orelha, na testa, no nariz e no queixo, deixando-lhes um sinal de propriedade; haviam senhores que engravidavam suas escravas e vendiam seus próprios filhos para serem escravizados. Mas houve uma escrava que, tendo se casado com um fazendeiro, comprou os seus irmãos e os premiou com a liberdade.

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O arraial do Coité passou a ser ponto de vendas de escravos e, para este comércio, foi criada a primeira feira livre, num dia de sexta-feira, em função do comércio de Feira de Santana, cuja feira-livre acontecia na segunda-feira. Assim, as mercadorias restantes do comércio de Coité eram transportadas para Feira de Santana. O vilarejo de Coité ganha o seu primeiro Cartório em 1869, cujo escrivão, Raimundo Nonato do Couto procedeu registro de compra e venda terras, de escravos e outros bens.

Emancipação

Há quem diga que as terras de Coité pertenceram ao município de Jacobina, mas, até o momento, não há qualquer documento comprobatório desta dependência, da mesma forma que não pertenceu, administrativamente, ao município de Serrinha. O que consta é que de 1500 a 1698 este território esteve subordinado a Salvador; de 1698 a 1727, ao município de Água Fria. Tendo Água Fria perdido o seu poder, o território ficou incorporado ao município de Irará até 1826, quando passou ao domínio de Feira de Santana.

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A 1ª de Agosto de 1878, com a emancipação de Riachão de Jacuípe, na categoria de Vila Imperial, as terras de Conceição do Coité pertenceram aquele município até sua emancipação, em 18 de Dezembro de 1890.
Uma vez independente Coité jamais perdeu a sua autonomia como acontecera a outros municípios da região. A cidade, por decreto do Interventor Federal na Bahia, Artur Neiva, em 1931, teve o seu nome alterado para município de Jacuípe, de cujo território passou a fazer parte também o município de Riachão de Jacuípe. A sede do município do Jacuípe era em Conceição do Coité e pelo mesmo decreto foi criada a subprefeitura na extinta cidade de Riachão.

Não tardou muito para que os homens de bem de Coité se mobilizassem para restabelecer o nome anterior. EM 07 DE JULHO DE 1933, pelo decreto 7479, assinado pelo então interventor Juracy Magalhães, o município voltou a se chamar CONCEIÇÃO DO COITÉ consolidando-se definitivamente como município independente, motivo pelo qual, esta é considerada por todos, como a sua data de emancipação política. Independente, motivo pelo qual, esta é considerada por todos, como a sua data de emancipação política. Porém, muitos preferem considerar a primeira, 18 de dezembro de l890. nesta segunda opção Coité estaria fazendo 116 anos.

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