Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

domingo, 11 de outubro de 2020

Antonio Tavares de Brito


Antonio Tavares de Brito é um antepassado que não tenho nenhuma informação, mas encontrei os seguintes trechos sobre um dos filhos dele:

"O 1º padre responsável pela Catedral foi, Pe. José Tavares da Silva (paroquiato 1846-1867) Natural de Muritiba, comarca de Maragogipe, filho de Antônio Tavares de Brito e Ana Lobato de Souza. Foi ordenado em Salvador, vindo em seguida para ser vigário colado de São José das Itapororocas em 1821. Foi transferido quando da mudança da freguesia de São José de Itapororocas para Feira. Foi agraciado com um título honorífico, por ocasião da visita do imperador D. Pedro II (1859) a Feira de Santana. Teve o padre Ovídio de São Boaventura como seu coadjutor. Faleceu em 1867, quase centenário."

http://wikimapia.org/5881353/pt/Catedral-Nossa-Senhora-de-Sant-ana

e

"Num dia quente de sábado, como costumam ser os dias de março às portas dos sertões baianos, sobretudo em tempos de seca1 , poucos meses depois da abolição da escravidão nos Estados Unidos ocorria, numa pequena vila do interior da Província, um fato de muita relevância - ao menos para Hilária, seus filhos e seu consorte. Naquele dia, tão quente e modorrento quanto tantos outros sábados na Feira de Santana, rompiam-se, em face do direito, os nós que os amarravam ao cativeiro. 

Naquele sábado, passando pelo movimentado centro da Vila, levando consigo uma folha de papel embaixo do braço, o vigário José Tavares da Silva dirigiu-se à rua Duque de Caxias, onde estava localizado o cartório de Francisco Gonçalves Pedreira França, ou apenas Tabelião França, como era mais conhecido. Ali o Tabelião tomoulhe a carta de alforria que o tal padre havia escrito para Hilária e na sequência fez os procedimentos de praxe – conferir e alterá-la se necessário -, registrando-a por fim em seu livro de notas públicas. A postura do padre conferia ao documento legitimidade jurídica ao torná-la pública e reconhecida por seus pares. Ao registrar a vontade do dito Vigário em conceder a liberdade a sua “mulatinha Hilária”, o Tabelião França registrava e tornava público também que a carta de alforria daquela mulher foi “conferida por seu benfeitor”. Ficava doravante inscrita a ação benevolente do padre senhor de escravos.

Nascido em Muritiba, comarca de Maragogipe, no Recôncavo baiano, filho de Antônio Tavares de Brito e Ana Lobato de Souza, o religioso foi ordenado em Salvador, de onde seguiu, em 1821, para São José das Itapororocas, freguesia de Feira de Santana, para exercer suas funções de pároco. Mas, somente em 1846 tornou-se vigário na Cidade, na capela recém-ampliada. Conforme a Lei Provincial n. 234, de 19 de março daquele ano, encabeçada pela Câmara Municipal, a então Vila de San’Anna dos Olhos D’àgua da Feira tornara-se sede paroquial. Foi a partir de então que a Matriz de Sat’Anna passou a ter sermões e louvores presididos pelo vigário Tavares. Em reconhecimento a seus préstimos àquele rebanho e, decerto, a seu prestígio naquela sociedade, ele foi agraciado com um título honorífico por ocasião da visita do imperador dom Pedro II a Feira de Santana, em 1859. Quase centenário, morreu em 1867, poucos anos depois da decisão de alforriar Hilária e responder aos falatórios que pareciam correr naquela Vila a respeito de sua relação com Hilária. 

O Vigário fez questão de registrar na carta de alforria sua “bondade” com a cativa, concedida a ele pelo padre José Cupertino de Araújo6 , mas também a insatisfação que o levou a passar a dita carta que, até então, lhe parecia desnecessária já que “sempre a criei como livre, tanto que lhe dei, na idade consulente, o estado de casada, em que hoje, vive com Jozé Dionízio da Silva, tendo aí vários filhos” (i.e.). Tomado de cólera indisfarçável, afirmou, em seguida, que já havia passado desde antes do casamento de Hilária uma carta de alforria “e como de presente não seja encontrado o título de sua liberdade, e recriando que não seja bastante estorvo a maldade alheia, o fato de me mesmo a haver casado e consentir no estado de livre em que ela vive a longo tempo”. Infelizmente não podemos saber o que maldavam os alheios a ponto de incomodar o padre. Suponho, no entanto, que se a primeira carta de fato existiu, o vigário poderia tê-la destruído, ou então, ela nunca passou de intenção, jamais levada a cabo, registrada em cartório e, portanto, capaz de produzir efeitos."

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/13684/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o-Flaviane%20Nascimento.pdf

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

História da Minha Vida – Fita 2, Lado B

Meu bisavô Hildebrando Cedraz (Pequeno) gravou diversas fitas, algumas com músicas (ele adorava tocar violão e cantar) e outras contando a história da vida dele. Consegui encontrar algumas dessas fitas e vou postar aqui. Para quem quiser ouvir é só conferir o audio abaixo, mas também coloquei a transcrição (vez ou outra é difícil de entender o que ele fala, então me desculpem se houver algum erro, também não fiz correções, só fui digitando). É importante lembra que ele nasceu em 1901, então a visão que ele tinha de muitos aspectos da vida são diferentes da visão que temos atualmente.

Obs: Uma parte das fitas já está no 4shared caso alguém queira baixar para ouvir:

https://www.4shared.com/file/ZgGKFgekea/Fita_1A.html

https://www.4shared.com/file/Z7ZdU27niq/Fita_1B.html

https://www.4shared.com/file/u_5r7robea/Fita_2A.html

https://www.4shared.com/file/uUS5znO4ea/Fita_2B.html

"Isso foi 1930, mas Idália teve o primeiro filho no dia 29 de janeiro de 1929, Homero, esse meninozinho muito lindo. Eu tinha botado uma venda pro serviço do cercamento da fazenda e tal, como já disse houve a questão do povo do galheiro, e eu matava boi e tal, eu comprava ovo. E com isso fiz um movimento grande lá no Rio das Pedras com esse negócio. Então depois dessa luta, o negocio da questão do galheiro que eu ganhei, fiz cerdado, trabalhando com muitos homens. Eu saia de manhã, voltava de tarde, Idália mandava levar minha comida meio dia lá no mato. Meu pai disse que era pra eu tomar nota que me pagava, não quiz não senhor, quero cercar e lhe entregar a fazenda na chave, não quero nada não senhor. Isso o menino foi pirigando, eu dava duas viagens por semana a Serrinha pra ver se dava jeito, mas não pode porque tinha deslocado um rim, eo rim estava crescendo, crescendo, crescendo, doutor André disse: 'não, esse caso pode operar, mas de mil escapa um, você é quem sabe'. Não não vou operar não, não adianta, vamos maltratar ele mais ainda, deixe pra lá. Ia ruizinho, foi quando Idália teve Mariá, dia 18 de junho 1930. Foi no ano que eu tive esses milhos, fiz muita farinha, eu fiz ...só a mandioca que plantamos de sociedade lá no palperio (pal ferros?) deu 160 sacos, 80 pra cada um. Eu tinha feito um caixão de 100 sacos, mas a mandioca que tinha plantado no fundo ca casa eu não arranquei porque a prensa quebrou a porca e pra vir demorava, já chovendo trovoada, eu não, farinha barata eu vou comprar pra enteirar, ai comprei faria, acabei de encher o caixão, a 5 mil réis o saco, comprei um saco de esteira, enchi um bocado de saco de farinha e tal também, e a mandioca ficou lá. Mas quando foi em 31 eu fiz outro roçado, o ano não deu nada, nada mesmo em 31, então eu perdi a mandioca. A mandioca pocou, eu não pude arrancar em 31 e nisso ficou, eu lutando com as dificuldades, foi quando eu tava com uma porção de gado e eu não tinha os pastos não davam, pra eu ficar criando esse gado todo assim. Eu fui a Impueira tinha gado na Trovoada, fiz uma berdueguinha, e eu banquei bobo em vez de descer meu gado pro lado do Santo Antonio levei meu gado, 64 rezes, pra Impueira. E quem tomava conta era o cabra lá preguiçoso, que era um moreno, deixou meu gado morrer. Deixei o gado lá e não chuvei mais nunca. Nunca, em 1931, 64. Ai eu não esmoreci não, fiquei por cá trabalhando e tal, 31 veio 32, veio 32 eu puxei outro roçado de 25 tarefas lá pra perto do rio Itaí. 32, 25 tarefas. Ficamos no meio, umbuzeiro dos cágados chamado ???? da caatinga, mas cerquei tudo, deixei preso e plantei o roçado de mlho, plantei todo de milho e capim. Nunca choveu, ai o povo começou a se apertar e eu acabei a venda porque não tinha ninguém, já tinha ido embora tudo pro recôncavo, procurando recurso, não tinha mais ninguém Mediocler e seu Maurício. E pronto, 32 ruim, que é que se faz, o povo pra ir embora, ai eu plantei o roçado e meu milho e coisa, ai veio Deodoro e me pediu socorro, seu Maurício. Botei Mauricio pra serrar madeira e Deodoro, veio Vitorino guentei Deodoro, Vitorino e seu Mauricio durante a seca de 32 fazendo portas e janelas, fizemos um caixão, mais um caixão que levava 130 sacos de farinha, mas ai já não botei farinha mais nesse ano, já era 32. Não tinha, a farinha já tinha subido de preço. Ai guentei com esses homens fazendo portas e janelas, fizemos muitas portas e janelas, minhas umburanas acabou, meu pai não queria que eu tirasse muita umburana, eu fui pra queimada nova, Joaquim me deu, foi lá que eu tirei mais um bocado de umburana e seu mauricio serrando e eles fazendo portas e janelas. Quando foi no mês de julho veio uma chuvinha. Deoclecio havia descido, estava em feira de Santana com a família, eu mandei chamar ele, que ele voltasse. Plantei um pouco de feijão, milho não dava mais, mas o capim nasceu todo, o milho já tinha apodrecido o capim nasceu todo. eu plantei um pedaço de feijão, mas foi quando eu tinha um lote de carneiro gordo, vendi a cumpade Camilo pra Serrinha e a (...) desses carneiros tava lá no pasto de Leli mais Iaiá, eu tava cavando cova de feijão mais seu Maurício, fui entregar os carneiros e correu um carneiro eu fui atalhar e seu Onô tinha puxado, desmanchou uma cerca no pasto dele, por dentro do pasto, deixou só um fio de arame, na carreira que eu ia, quando descobri o fio de arame botei a mão assim pra não me desgraçar o rosto, cortou minhas mãos todas, não pude mais pegar na enxada nem nada, me atrapalhou, ai eu voltei, a mão cortada de arame, ô minha nossa senhora que coisa ruim. Fiquei, fiquei disse sabe de uma coisa vou embora pra Ichú, vou procurar um lugar pra eu entrar no comércio, vou entrar em um comércio, não posso ficar assim me acabando não. Me acabando de trabalhar, seca só seca, só seca, não tá dando nada, meu gadinho que levei lá pra cima tá se acabando também. 

Foi quando Homero no mês de junho, no fim de julho, Homero perigou, e dona Olympia tava aí, nós tinha perdido 28 noites, vamos levar esse menino pra Coité que lá tem mais gente pra gente ficar. Aí saimos com o menino, o carro de boi com a bagagem, dona Olympia, Idália, Idália tinha Mariá pequenininha, a criança tava com 28 dias ou 30 dias, e nós fomos, eu com Homero no cabeçote, ficava só olhando ele assim, desfiava o cigarro todo ou um cachinho de jurubeba, quando chegamos na Onça, era meio dia, fomos descansar um pouco, daqui a pouco dá leite ao menino, remédio e tal, saimos, não viajamos duas tarefas o menino estirou, Olympia o menino tá morrendo, Idália correu chegou o menino tava morrendo mesmo, chegou botou lá em cima do carro o menino morto, todo mundo chorando e tal, fomos pra Coité, lá só fomos enterrar a criancinha, morreu ele Homero. Passamos lá umas semanas voltamos de novo eu mais Idália, voltamos com Mariá pequenininha. Dona Olympia batizou logo mais neninho a criancinha pequenininha e nós voltamos pro Rio das Pedras, no mês de julho.

Quando foi em Outrubro, foi outrubro ela teve, Outubro de 32, isso foi 31, quando foi em Outubro de 32 ela teve Francisco, dia 4 de outubro. Nasceu Francisco, eu já tava me arrumando pra ir pra Ichú, então eu pensei em ir pra Ichú. Mota morava em Feira de Santana, disse que se nós arranjasse uma estrada aí por dentro, que logo fez a estrada de Tanquinho pra Candeal, e puxou pra fazenda dele, se pudesse ligar. Eu digo vamos ver que jeito se dá. Eí eu pensei vou fazer o seguinte, pra impressionar o povo do Ichú eu vou pegar esse resto de homens aqui e vou puxar a estrada, a estrada daqui pra Ichú. Peguei uns quatro rapazes e fui levando, entupindo buraco e tal, arrancando pedra, do Rio das Pedras duas léguas. Toquei, quando cheguei na lagoa do boi veio zuca da Aleluia chamado que ele tinha uma fazendinha ali no contador, quando viu meu trabalho disse "vixe nossa seu pequeno', 'eu vou levar pra Ichú'. Ele foi lá, quando voltou eu já vinha na capoeira do rio com o trabalho chegou no Ichú disse Pequeno vem com o trabalho bem feito só nós ajudando ele. Passei a capoeira do rio, a estrada por dentro do rio, uma volta desgraçada no umbuzeiro, outra volta na capoeira do rio pra sair no umbuzeiro, cercado grande, lá pelo banguelo. Ao final que quando cheguei no Umbuzeiro a turma do Ichú veio me encontrar, a turma do Ichú veio me encontrar e aí nós juntamos todos dentro de dois dias chegamos no Ichú. A estrada ia sair lá no Peixe como já disse, no matadouro, onde eu fiz o matadouro, mas seu (joão dão?) não tava ai, cortamos a volta pra sair no cemiterio, saimos ali no cemitério. Eles já tinham arranjado um cemitério no Ichú. Saimos ali a estrada. Quando chegamos lá logo Antonio Pio seu Zé do Umbuzeiro, os dois, 'Pequeno venha pra qui, rapaz, pranha pra qui, eu lhe vendo aqui minha mercadoria, lhe dou a casa você não paga tostão de aluguel. Coisa ruim ele tinha uma venda na Aleluia, na fazenda dele e tinha essa lojazinha na rua. O Ichú já tava maiorzinho, uma porção de casinha de rancho, tudo casa de rancho, tudo casinha de rancho e tinha uma capelinha no meio da rua. Quando eu passei por lá em 27 apenas tinha um sino amarrado no fecha da casa do velho Joaquim. E aí já tinha uma capelinha no meio da rua, capelinha pequena então ' a eu lhe vento e tal' , eu fiz o negóciocom Antonio Pio, eu tava pensando isso mesmo, comprei a mercadoria dele, fiquei na casa, seu Jove veio me vendeu, ai seu Nery disse 'oi pequeno cuidado com seu Hermelino, ele tá devendo', tá bom, seu Hermelino cansou comigo, não seu Hemelino, peraí o senhor tem débito, sua mercadoria tá maltratada, depois posso compra, mas agora não posso não, meu capital é pequeno, já comprei a esses paguei, empatei meu capital, e tal. Fiquei por ali, eu só tinha, eu tinha vendido meus animais a Luis Chiquinho quando tinha que ir pra lá, vendi meus cavalos, três cavalos gordos por 2500 a Luiz Chiquinho, dois contos e quinhentos pra enterar o dinheiro pra ir pra lá. E fiquei nisso ai agora, a influência seu Pequeno, todo mundo era seu Pequeno, o senhor quer ficar aqui, que aqueles freguês dele entrava, liberdade de se despachar dentro da venda, 'não! Aqui dentro só fica eu e o rapaz que vai me ajudar, não tem esse negócio de ficar aqui dentro da venda não'. Aí tirei logo todo mundo, despachava no balcão. Idália ficou no Rio das Pedras, não podia ir que não achou uma casa que servisse pra nóis morar. Consegui uma casa de rancho, que com (...) disse você pode concertar como você quiser, não tem problema não, aí eu meti o páu, fazia cozinha, murar a casinha, fazer cozinha e tudo, uma latrinazinha que não tinha. Aquilo era uma coisa, uma pobreza, em 32. Eles estavam cavando um tanque que coronel João Passos tinha prometido 20 contos, fez que podia cavar o tanque que ele arranjava lá com o governador, mas era Juracy Magalhães, não podia arranjar nada. Ele não podia, quem tinha força era Rufino, mas João Paulo arranjou os 20 contos e eles bateram cavando o tanque lá numa lagoa lá no fundo da rua e tal. Aquilo por besteira cada meta e eu fiquei nun jegue, vinha de manhã, abria a venda, quando eu vendia dez de reis já fazia a feira, fechava a venda e ia embora pro Rio das Pedras. Aí nisso fiquei, trazendo tinha um carro de boi do Rio das Pedras, que eu tinha arranjado um carro de boi, e o carrinho trazendo madeira e tudo, até que preparei a casa. Mas isso foi 32, entrou 33 ruim, lá vai janeiro, fevereiro. A chuva veio chegar em Março, chegou temporal bom. Foi quando eu trouxe Idália praí. Trouxe Idália praí pro Ichú, levei pra lá, nessa casinha, mas já bem arrumadazinha, ficamos lá. 

Então eu fiquei por lá, não tinha animal, eu pra fazer uma viagem a Riachão ou Serrinha era tomando seu Zé do Umbuzeiro um cavalinho a ele ou seu Antonio Pio. Emprestava, eu tinha vendido meus animais todos, só tinha esse jeguinho, que eu ia pro Rio das Pedras e voltava. Quando Idália queria passear no Rio das Pedras ia a pé, cansou de ir a pé coitada, e eu com um menino na garupa no cabeçote, nós tava com três menino, Abelardo, Mariá e Francisco assim pequenininho. Aí nós fomos levando assim, a coisa foi melhorando um pouco, foi indo, lá vai. Foi quando houve uma grande safra, seu Hermelino muito trabalhador, o povo do Ichú é muito trabalhador. Quando, nesse interim, foi quando eu era delegado, sim, eu me esqueci que quando foi 1930, depois daquela revolução de 30, Eustórgio, eu passava me chamou disse 'venha cá' eu esqueci de falar isso 'você venha ver' pegou o diário oficial, para delegado de Coité Eustorgio Pinto Resedá, para primeiro suplente Hildebrando Cedraz da Silva, opa, eu primeiro suplente, veja a confiança que ele tinha em mim. Ele me nomeiou como primeiro suplente, eu já tinha me esquecido de dizer isso, foi em 1930, depois da revolução de 30 que ele fez isso. 

Quando foi em 31 ele me passou o exercício de Delegado. Quando eu vim para o Ichú, Riachão era submisso a Coité, era Durval Pinto o prefeito do Coité, o intendente, tinha um Arnaldo Motta farmacêutico em Riachão que era o vice intendente, o sub intendente e delegado de Riachão. E eu tava de Delegado o tempo que tava com a portaria que Eustorgio me entregou me passando o exercício de delegado, podia dominar tudo com aquele. Tava como delegado de Coité e Riachão esse tempo todo, isso eu tinha me esquecido de declarar, essas coisas são assim mesmo. Então eu fiquei no Ichú, era o delegado daquele termo e tal, então não tinha padre no Riachão nessa época, pra arranjar uma missa, eles arranjaram, conseguiram um padre de vir de Camisão, hoje é Ipirá, rezar uma missa aí. Existia no Ichú uma turma de gaeteiro, os filhos de Hermilino com Luis de Elias e tudo, era uma turma de gaitas que era a música do Ichú. Quando o padre chegou eles vinheram fazer uma recepção, o padre se aborreceu com eles, mas tinha uns barbeiros do Calderão que costumava vir tocar nas festas, festa sempre foi lá iniciada em fevereiro, 5,6 e 7 de fevereiro. Quando o padre soube que vinha os barbeiros disse não ia tocar não, que não era pra tocar não. 'Não é porque padre?' pois será possivel, não é possivel uma coisa dessa. O tempo já tava bom, já foi em 33, tempo bom, me ofereceram uma melancia muito bonita, me disseram ' o padre gosta de melancia rapaz', hospedado na casa de Luiz Conrado, ai eu digo oxe peraí padre tá caçando briga, deixa eu ir lá, mandaram eu levar a melancia a ele. Aí fui com três companheiros lá 'ô seu vigário, como é e tal e tal, o senhor não quer que toque? nãovtenha paciência, isso é tradicional, o senhor marque quando é que só vão tocar na hora que o senhor mandar, garanto ao senhor que ele não faz nada fora'. E já o subdelegado de Candeal chegou 'a porque eu mando tocar', 'não peraí rapaz, alto lá, eu sou o delegado do termo, 'ha´é o senhor?' a é, não é assim não. É um preto que tinha do Candeal, esse povo já sabe como é. Aí o padre concordou, marcou os horários e os barbeiros foram tocar no horario marcado por ele. Daí em diante ele passou uma semana aí. O padre gostando, e obedeceu todo mundo e os barbeiros podia tocar a hora que quizesse, então foi quando houve a festa de fevereiro, coisa muito importante. Depois eu fui a Coité, consegui com Lero, João Garricha, violão, Lero bandolim, Zeca Pedreiro era o cavaquinho, vamos fazer uma orquestra no Ichú. Aí eles eram sapateiros, digo eu  forneço a vocês, eu lhe forneço a mercadoria você faz o seu trabalho vá vendendo e me pagando, aí tá certo. Levei eles pra lá, chegaram lá eu comprava mercadoria, sola, couro,.... Tudo tudo dava aeles, eles tinha máquina, tinha tudo , fabricando  um percata e vendendo, um chinelo e coisa, sapato e me pagando, compra mais e fomos levando assim. Orquestra muito boa. Ja foi no ano de 34, ano bom, tudo correndo bem. Eu peguei Jonas e levei pra lá, Jonas meu cunhado, pra me ajudar na loja, 1934. Lero mais João Garricha, esse povo todo lá no Ichú, tudo meu era no Ichú e lá vai. As coisas melhorando mesmo, 34, e foi indo. Nunca mais eu fiz um roçado nem coisa nenhuma, quando foi, isso foi em 34, 35. Sim 34 nós criamos o distrito de Ichú. Aproveitamos, tinha o administrador de Zé Rufino, era Justiniano Soares Militão, tratava Justo, um preto que se interessava pelo Ichú demais. Em 32 ele havia levado os animais de Zé Rufino pro Santo Amaro pra (recursar?), as éguas com tudo, e botar num pasto dum cidadão lá da fazenda chamado Vanique, aí tomou dinheiro no banco e morreu, deixou o debito, tiveram que vender essa fazenda e Justo pegou essa viúva com as filhas e trouxe pra Ichú. Comprou a fazenda de Zé Martins ali perto da rua, Bom Jardim, e a viúva veio praí.

Aí criamos o distrito, pra ser nomeado o filho mais velho dela, Umberto como escrivão. E foi criado o distrito e eu fui nomeado como subdelegado, logo aí de novo era o intendente de Coité me tirou, logo já tinha saído de delegado do Coité. Fui nomeado subdelegado de Ichú, Umberto o escrivão, e Leonardo das Balizas o juiz de paz. Ficamos o Ichú, eu no Ichú como subdelegado, Umberto escrivão, mas Umberto desajeitado, tudo pra começar é difícil. Umberto coitado, não fazia nada, um meninozinho pra registrar, uma besteira e não dava pra passar, eles diziam que iam morrer de fome, daí um ano, uma coisa, se não vamos embora pra São Paulo. Resolveram vender a fazendinha e ir embora pra São Paulo. Justo mesmo, mais ajuntaram mais outros lá e compraram a fazendinha e eles foram embora pra São Paulo e Umberto deixou, entregou a Zé Rufino o cartório, pra Zé Rufino resolver. Foi quando Luiz se aproximou pra querer ser candidato do cartório e Zuca Trabuco. Zé Rufino mandou me chamar, 'o que é?', 'É porque tem dois candidatos aqui no cartório e você quem resolve, tem Zuca Trabuco de José Trabuco e tem Luiz de (Anguelino/Armelino?)'. 'Entrega a Luiz!', 'Oie Compadre, esse povo é muito falso'. Mas eles são muito pegado comigo, são muito pegado comigo, deixei ele mesmo. Foi quando Antonio de seu Armelino pagou o débito que tinha a (Frente e Silva?) de Salvador, deu um gado, deu uma mula que ele tinha de arreios, mercadoria eles não queriam, tudo maltratada. Aí pagou um boi que ele tinha comprado por um conto de réis, um boi Gir, tudo isso o povo viajando. Foi quando Antonio Moura carneiro, era credor, veio, ele só tinha junta do boi de carro, seu Hermelino, e tinha deixado umas quatro vacas pra tirar leite. Ai Antonio Moura Carneiro acertou pra dar 'dou 60 dias pra ele pagar ao contrario tem que ferrar os boi de carro', e disse pra eu comprar as mercadorias 'Não a mercadoria deles tão muito maltratada, ai vencido o prazo eu tive pena de seu Hermelino. O carro de boi ele levava mercadoria, milho pra serrinha e trazia e trazia mercadoria da gente a dez o saco, ele tava vivendo disso coitado, muito trabalhador, pedindo. Fui a a Feira 'Seu Antonio, como é? Se eu comprar a mercadoria do seu Hermelino o senhor me guenta pra eu ir lhe pagando', 'Oxe Hildebrando, pode fazer o negócio, eu tô com pena de ferrar os boi de carro dele. Vamos deixar e tal'. Aí ele tinha me entregue o ferro, tá até guardado lá no meu armazem no Ichú até hoje. Eu fiz esse grande favor a seu Hermelino, então comprei a mercadoria, deu pra pagar o debito de Antonio Moura Carneiro e ainda sobrou ainda cento e tantos mil reis, eu entreguei a ele o dinheiro, dei em primeiro lugar logo a seu Hermelino que precisava e fui paguando seu Antonio Moura, pouco tempo eu paguei tudo, graças a deus. Pois o tempo tinha melhorado eu vinha ai Virgilio tinha vendido a loja dele a Estevão Bispo era um empregado dele compro. Apertado, não tinha o dinheiro, Virgilio tomando o dinheirinho que ele apurava todo para pagar trabalhador lá no candeal e o pobre do Estevão apertado, então eu ia comprar mercadoria a Estevão tudo de graça, mercadoria barata, bulgariana de cruzado de quinhentos reis, madastro algodãozinho, tudo, brilho diamantino de dois cruzados, a mesca, tudo baratinho. Eu fui na Caiçara 'Jove você me empresta, tem algum um dinheirinho?' 'Eu só tenho aqui 300 mil reis, até Totonha veio me pedir aqui emprestado um dinheiro pra comprar uma farinha, eu disse a ele que não tinha, mas você cala a boca, fique com esse dinheiro lá, só me dá quando eu procurar, não quero que ninguém saiba'. 300 mil réis, eu fui, oxe, fiz um feirão, sorti minha loja com 300 mil réis e mais um dinheirinho que eu arranjei aí da cera que eu fazia, oxe uma beleza, aí comecei a melhorar, melhorar, melhorar, melhorar e lá vai. Eu no Ichú, muito bem e coisa. 

Foi quando daí em 35, já era juiz de paz, foi quando morreu o juiz de paz Eulálio das Balizas, foi quando então Maninho Ferreira tinha vindo praí botou uma bodega, tinha Apolonio, Satinho essa gente tinha umas bodega, e eu então, Manu Ferreira botou uma bodega, eu digo, Maninho eu vou lhe nomear como subdelegado daqui, 'pequeno não' vou botar porque eu vou passar pra juiz de paz, Eulálio morreu, e você fica como subdelegado. Ai nomeei Maninho, Maninho 'Pequeno eu vou renunciar', 'Porque?', ' Não tem quartel, Seu Hermelino vendeu o quartel daí a Zé Damião do Riacho da Areia, e Zé Damião comprou o Quartel. Seu Hermelino disse que a prefeitura não tava pagando nada, que ele vendeu a Zé damião por um conto de réis o quartel. 'Não peraí que eu vou ver Zé Damião'. Zé Damião você me vendeu, dou lucro, ai comprei de novo o quartel, 'Tome Maninho a chave, você fica como delegado, seu quartel'. Ficou lá, Maninho como subdelegado e eu como Juiz de Paz, ficamos esse tempo todo, lá vai a gente.

Quando foi em 38, apareceu aí uma coisa, parece que acabou, porque era ditadura, naquele tempo de Getúlio Vargas, coisa aí. Mas teve uma passagem aí, teve em 38 uma democracia, ligeiro, provisória, que fizeram uma eleição bico de pena Pedro Mascarenhas o prefeito, e me nomearam, me elegeram também como Vereador.Tmabém foi poucos dias acabou isso. Acaboi isso Pedro Mascarenhas deu pra beber cachaça, ficando bebado, estragando a família e tal, bestando. E eu piquei de novo, passei para Juiz de Paz, de novo, foi levando, isso em 38, 39. Tudo ditadura, ditadura e eu sempre com prestigio ali.Fui levando, 39, 40. Sim, em 35 o Antonio Pio exigiu a casa e eu tive que construir uma loja em 35. Construi aquela casa da loja, fui na Queimadinha tirei um pedaço de casa velha lá e (minha dedela?) me deu, panhei, construi a loja. Entreguei a chave a Antonio Pio lá da loja do Povo chamada, chamada loja do Povo e essa daí eu botei Avantajosa. Jonas tava comigo. 36, quando foi 36 se não me engano João Morais veio, Seu Hermelino pediu, João Morais era intendente lá do Riachão, veio pra levantar o mercado, que aí tinha um barracão feito por seu Hermelino mas caiu, aqui chuveu e caiu o barracão, quebrou tudo, não prestava. De junto da loja, onde eu construi a loja. Aí João Morais veio, 'como é seu Pequeno? Você vai tomar conta disso aqui, pra levantar aqui esse mercado. Eu só faço aqui no lugar onde está' 'Você é quem sabe, faça aí mesmo'.



terça-feira, 6 de outubro de 2020

São José das Itapororocas

 

São José das Itapororocas (Maria Quitéria): passado e presente

POR MATHEUS RIOS

 

Os mitos fundacionais de uma cidade/civilização são sempre cercados de

muitos personagens, estórias, acontecimentos, perseguições, guerras e

muitas reviravoltas.


No caso dos mitos fundacionais das cidades brasileiras quase todos

são contados levando como ponto de partida a chegada do colonizador,

a expulsão dos povos indígenas nativos e a construção de igrejas, estradas, fortes e pequenas povoações.


O mito fundacional comumente conhecido da cidade de Feira de Santana

é aquele ligado à história da doação das terras para a construção da capela em devoção à Sant’Ana no Alto da Boa Vista, por Domingos Barbosa de Araújo e sua esposa Ana Brandão, em meados do século XVIII.


Se mantermos a coerência dos fundamentos de criação dos mitos de

fundação, os primórdios da Princesa do Sertão podem estar ligados a outra localidade, outros personagens históricos que começaram o povoamento deste território um século antes, em 1609. Dessa forma, vamos analisar alguns acontecimentos, estórias e causos das vidas dos primeiros colonizadores da localidade conhecida atualmente como o Distrito de Maria Quitéria, ou, como muitos ainda preferem chamar: São José dos Campos de Itapororocas.

OS HABITANTES NATIVOS E OS PRIMEIROS

PROPRIETÁRIOS DAS TERRAS DE ITAPOROROCA

Antes da chegada dos colonizadores, os povos nativos que habitavam as terras onde hoje se localiza o distrito de São José das Itapororocas pertenciam à etnia dos Payayá. Segundo Carlos Ott, os Payayá poderiam ser compreendidos como caçadores-coletores, agricultores, fabricantes de ferramentas de pedra e cerâmica. Seriam também conhecedores da arte da construção usando ossos, madeiras, palhas trançadas de licuri e folhas de palma. A eles, devemos a origem do termo “Itapororoca” que significa “pedra que faz um grande barulho, pedra que ronca” (palavra originária do tronco linguístico tupi:  Ita: pedra – pororoca: forte barulho da natureza).


De acordo com Elias de Moraes, em 1558, o primeiro governador da Bahia, Tomé de Souza, trouxe junto à sua comitiva uma grande quantidade de gado bovino para ser criado no litoral do estado. No entanto, os bovinos não se adaptaram ao clima do litoral e passaram a ser enviados para o interior do estado. Assim, a construção de fazendas e currais era uma das condições para a concessão de terras no recôncavo baiano.


“Em 1653, essas terras foram vendidas a João Peixoto Viegas, uma das figuras mais marcantes quando estamos falando da colonização das terras dos Campos de Itapororoca.”


Ao que consta, o primeiro proprietário das terras desta região foi Antônio Guedes de Brito, que passou a ser proprietário da sesmaria de Tocós, em 1609. No entanto, o primeiro registro oficial de concessão de terras foi dada através de uma carta em favor de Miguel Ferreira Feio em 1615. Essas terras compreendiam um território conhecido como Sertão de Tocós, que abrangia as regiões de Itapororoca, Jacuípe e Água Fria. Em 1653, essas terras foram vendidas a João Peixoto Viegas, uma das figuras mais marcantes quando estamos falando da colonização das terras dos Campos de Itapororoca. Antes de entrarmos especificamente nas histórias e causos da vida desse sertanista, recorremos à ilustração do mapa adaptado por Luiz Cleber Moraes Freire para darmos uma noção melhor sobre a configuração territorial da Bahia “daquela época”:

OS PEIXOTO VIEGAS, A CONSTRUÇÃO DA

CAPELA DE SÃO JOSÉ E AS PRIMEIRAS PROPRIEDADES

Conforme nos conta Elias Enock de Moraes, pesquisador e morador do distrito de São José, João Peixoto Viegas veio de Portugal, em 1640, como sertanista, ou seja, com o objetivo de desbravar os sertões da Bahia à procura de ouro, diamantes e demais riquezas minerais. No entanto, suas atividades se voltaram para a criação e comercialização de gado. De fato, povoar a terra com gado, moradores e escravos era uma das condições para a obtenção de direito de posse das terras, como mostra a professora Nacelice Barbosa Freitas ao apresentar um trecho da Carta de Doação de sesmaria a João Peixoto Viegas:


“A terra é concedida ao sesmeiro, que passa a ter direitos plenos sobre ‘os sobejos, voltas, enceadas, agoas, salinas e os mattos que ao redor das ditas terras estivessem por dar, visto ser em utilidade da fazenda e rendas de Sua Magestade’. Exige o direito de posse porque tomou por tarefa povoar de ‘gado e escravo, e moradores’, o espaço que inexplicavelmente confirma como desabitado.”


Foi justamente com o intuito de povoar as terras que João Peixoto Viegas atende ao pedido de sua esposa, Joana de Sá Peixoto, para construir uma capela em devoção a São José. Pelos estudos de Monsenhor Renato Galvão, em 1653 a capela já havia sido construída. Além da capela, o sertanista construiu currais de madeira para negociar animais, além de alugar os pastos para animais que transitavam pela Estrada Real do Gado que tangenciava suas terras e era um importante elo para o gado que vinha da “comarca de Jacobina” e iria embarcar no porto de Cachoeira. Nesse sentido, em matéria de povoamento de moradores e criação de gado, podemos afirmar João Peixoto Viegas foi bem sucedido. De fato, no final do século XVII, foram contabilizadas 317 fazendas de gado ao longo do Rio Paraguaçu.


Foto histórica da capela de São José

Por conta desse vertiginoso crescimento, a povoação de São José das Itapororocas foi elevada à condição de freguesia (menor divisão administrativa em Portugal e no antigo Império Português, semelhante à paróquia civil) em 1696, por ordem de Dom João Franco de Oliveira, Arcebispo de Salvador. Assim, a paróquia passou a ser denominada São José dos Campos de Itapororoca. Nos primeiros anos do século XVIII, João Peixoto Viegas fragmentou suas terras para vendê-las. Uma dessas fazendas foi comprada justamente pelo Tenente Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão, e ganhou o nome de Fazenda dos Olhos d’Água. A partir de então, com a feira que se estabeleceu em torno da capela de Sant’Ana e por conta do crescimento econômico fascinante da localidade, Feira de Santana é elevada à categoria de Vila em 1833. Assim,


“Com a criação da Vila Feira de Santana e a instalação da sede municipal em 1833, promoveu-se a transferência da sede paroquial, o que ocorreu pela Lei Provincial nº 234, de 19 de março de 1846, sendo suprimida a paróquia de São José que seria restabelecida pela Lei Provincial de 23 de abril de 1864, no governo de Arcebispo D. Manoel Joaquim da Silveira, da Arquidiocese do São Salvador da Bahia.”


Em 1857, foi criado o distrito de São José e anexado ao município de Feira de Santana pela resolução provincial 657. Pelo decreto estadual nº 11.089/1938, o município de Feira voltou a denominar-se Feira de Santana e o distrito de São José de Itapororoca passou a denominar-se Maria Quitéria.


Fonte: https://feirenses.com/sao-jose-das-itapororocas/

sábado, 3 de outubro de 2020

Inicio da Família de Oliveira Maia?

 A familia Cedraz de Oliveira teve como sobrenome original "de Oliveira Maya", vindo de Portugal com Fructuoso de Oliveira Maya. Porém encontrei um registro mais antigo em que os filhos de Domingos Gonçalves Patto tinham o sobrenome de Oliveira Maya, será mais um dos casos de troca de sobrenome frequentes que vemos? Talvez por morarem na região de Maia e Santa Maria Oliveira?

O pai de Fructuoso se chamava Manoel e nasceu por volta de 1690. Domingos Gonçalves Patto tinha um filho chamado Manuel de Oliveira Maya nascido em 1692, no entanto até onde sei a mãe de Fructuoso se chamava Isabel Francisca de Oliveira, enquanto o filho de Domingos era casado com Mariana Domingues. Então fica a dúvida...

Com certeza tem similaridades..

Domingos Gonçalves Patto
* Porto, Trofa, Alvarelhos
Pais
Casamentos
Porto, Trofa, São João de Guidões 21.09.1683
Filhos
© 2004  Guarda-Mór, Edição de Publicações Multimédia Lda.


Mariana de Oliveira Maia
* Porto, Trofa, Alvarelhos 03.04.1685 + Porto, Trofa, Alvarelhos
Pais
Casamentos
Porto, Trofa, Alvarelhos 02.1710
João Moreira da Costa * 01.03.1676
Filhos
Notas Biográficas
  • Teve como irmãos, Manuel de Oliveira Maia avô do Fidalgo da Casa Real, António de Oliveira Maya, Feliciana e António.
  • Aquando dos longos dias de reforma, o seu pai Domingos ficou domiciliado na casa da primogénita Mariana.
  • Prima direita do Capitão Manuel Gonçalves Patto da Maia, dos principais da Freguesia.
Notas
  • Ilustre Proprietária de Alvarelhos.

Manuel de Oliveira Maia
* Porto, Trofa, Guidões 27.05.1692
Pais
Casamentos
Porto, Trofa, Alvarelhos 28.05.1713
Mariana Domingues * b. 27.08.1684
Filhos
http://pagfam.geneall.net/52/pessoas.php?id=1106520

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Casamento Possidonio e Maria Sophia


Casamento de Possidônio Ramos de Oliveira e Maria Sophia da Cunha
24 de outubro de 1883

Possidônio era filho legítimo de José Maria de Oliveira e Anna Maria de Jesus

Maria Sophia, filha legítima de José Calixto da Cunha e Anna Carolina de Jesus

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Possidônio Ramos de Oliveira

 Estou tentando conseguir uma foto melhor do quadro de Possidônio, mas enquanto não consigo aqui está a imágem que tenho:




quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Valente a Vida Inteira



Em 21 de abril de 1925 nascia no povoado de Valente, então pertencente a Conceição do Coité, João José de Oliveira, apelidado “Nenenzinho”. Filho de dona Emília Sofia de Oliveira e seu José João de Oliveira, o “baixinho”, como também é chamado carinhosamente, passou a se interessar pelo mundo dos medicamentos aos 14 anos de idade. Sua paixão pela medicina, a terra e os animais fez com que ele desenvolvesse diversas atividades empresariais e rurais, recebendo medalhas e homenagens pelo trabalho ao longo dos anos. Tornou-se dono de farmácia, posto de gasolina e fazendas. A partir de 1941, quando obteve o título de Prático Farmacêutico ou Oficial de Farmácia junto ao Departamento de Saúde da Secretaria de Educação e Saúde da Bahia, Nenenzinho se transformou no único referencial de saúde da nossa localidade, desprovida na época, de assistências médica, hospitalar e odontológica. Durante muitos anos, atuou como farmacêutico, dentista, médico e parteiro. Acredito que diversos membros dessas famílias foram atendidos e até salvos por Nenenzinho: Ramos, Rios, Araujo, Mota, Oliveira, Carneiro, Lopes, Guimarães, Nascimento, Ferreira, Gordiano, Simões, Martins, Cedraz, Freitas, Cunha, Amaral, Carvalho, Nunes, Ribeiro, Teixeira, Pinheiro, Almeida, Trabuco, Gonçalves, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Moreira, Magalhães, Garcês, Nery, Pereira, Rodrigues, Calixto, Celestino… É possível que eu tenha esquecido de alguma e peço desculpas por isso. Nenenzinho já recebeu diversas homenagens como criador de animais, mas acredito que a que mais lhe encheu os olhos foi a recebida em janeiro de 2011, a Comenda do Mérito Farmacêutico, outorgada pelo Conselho Federal de Farmácia, em Brasília. Culto e sábio, vereador representando o Distrito de Valente em Conceição do Coité, vereador e presidente da Câmara de Valente, prefeito por dois mandatos (1993/1996-2001/2004), Nenenzinho tem um livro publicado “Contando 40 contos” e não esconde de ninguém as dificuldades encontradas nos primeiros anos de sua trajetória. Gosto de uma das frases que ele costuma dizer: “De pobreza ninguém me ensina nada”. Estamos aguardando o lançamento do segundo livro. Ainda não conheço o título, mas sei que já está rascunhado. São exatos 93 anos completados hoje. Parabéns Nenenzinho e obrigado pela sua existência.


Fonte: http://www.ocandeeiro.com.br/valente-a-vida-inteira/

 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Pedro Abarca, Fidalgo de Tui

 Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Pedro Abarca, Fidalgo de Tui, (Tui, Espanha -?) foi um fidalgo do reino de Aragão que passou a Portugal e deste para as ilhas dos Açores.

Pedro é descendente da família de D. Pedro Guevarra, que foi aio de Garcia III de Navarra, "o de Nájera", Garcia III de Navarra, como também era conhecido.

Desta família era também D. Francisca Abarca, que passou a Portugal nos princípios do século XVII foi casada com António Lopes Galhardo, que serviu na Guerra da Restauração e foi general de cavalaria na Província da Beira.

O solar desta família é no antigo Reino de Aragão.

Pedro Abarca Fidalgo de Tuy descente de D. Pedro Guevarra foi para a ilha Terceira, Açores onde foi tronco desta família nas ilhas:

D. Pedro Abarca teve os seguintes, filhos:

  1. D. Pedro Abarca, que casou com Margarida Alvares Merens e foram pais de D. Joana Abarca casada com Pedro Anes do Canto.
  2. D. Isabel Abarca, que casou com João Borges, o Velho.
  3. D. Maria Abarca, que casou com João Vaz Corte Real.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Margarida de Zabuya

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Marguerite Zabeau ou Marguerite de Savoie (Valônia, c. 1433 — Topo, São Jorge, 14 de setembro de 1510), na forma portuguesa, Margarida de Zabuya ou Margarida Sabuio. Gaspar Frutuoso chama-a de Margarida da Sabuya, embora outros historiadores lhe chamem, de Azambuja; outros ainda de Sabina, Sabuia, Sabuio ou Savoia. Foi a segunda esposa do explorador flamengo, Willem De Kersemakere, pioneiro no povoamento do arquipélago dos Açores.

Bibliografia

Segundo James H. Guill, Margarida de Sabuya era filha ilegítima de Amadeu VIII, Duque de Saboia, enquanto que seu marido Willem era neto ilegítimo de João, Duque da Borgonha, possivelmente por meio de seu filho bastardo, João, Bispo de Cambrai. Entretanto, James H. Guill nunca consultou os arquivos de Bruges ou outros arquivos belgas ou flamengos, e se refere a Willem De Kersemakere pelo nome que lhe foi atribuído nos séculos XVI e XVII, 'Willem van der Haegen'. Portanto, segundo o genealogista belga André L. Fr. Claeys, é improvável que suas alegações sejam verdadeiras. Claeys argumenta que Margarida provavelmente nasceu 'Marguerite Zabeau' da baixa nobreza da Valônia, observando que desde antes de 1322 o sobrenome Zabeau é encontrado nas regiões de Liège, Luxemburgo (Bélgica) e Ardennes (com variantes como Sabau, Sabia, Sabiau). Claeys também nota que mesmo que Margarida fosse de fato da casa de Sabóia, é mais provável que ela fosse filha de outros membros desta casa que residiam na Valônia, pois foram encontradas armas de duas linhagens de nome Savoi e Savoye (Jehan de Savoye, 1444). Também, na mesma região da Valônia, foram encontrados registros de Aimé, Conde de Sabóia (registro de 23 de Dezembro de 1304, cartularum de 1 de Setembro de 1316) e Jacop van Savoye, conde de Romand e Saint-Pol (registro de 8 de Abril de 1484).

De acordo com Claeys o casamento de Willem e Margarida produziu um único filho:

  1. Francisco De Kersemakere ou Francisco Casmaca, nasceu em 1474 na Ilha do Faial, Açores; morreu em 1595 também no Faial. Casou em 1524 na Ilha do Faial com Isabel de Hurtere de Macedo, filha ou neta de Joost De Hurtere.

Margarida de Zabuya faleceu por volta de 14 de setembro de 1510, visto que seu testamento é do mesmo dia. Nesse documento ela se refere a seu marido como Guilherme de Casmaca. É bastante provável que ela esteja sepultada juntamente com De Kersemakere na ermida anexa à Casa dos Tiagos, na Vila do Topo, hoje em ruínas.

D. Fernando, Duque de Viseu doou as ilhas a sua tia Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha. Dando início assim ao povoamento pelos flamengos que se recuperavam da Guerra dos Cem Anos, à colonização oficial de algumas das ilhas açorianas.

Willem De Kersemakere chegou aos Açores no fim do século XV proveniente do Condado de Flandres, para uma das nove ilhas dos Açores. Depois de ter passado por várias das ilhas acabou por se fixar na ilha de São Jorge, no lugar que hoje corresponde à Vila do Topo, Calheta, ilha de São Jorge.

Resumo biográfico de José Thomé Ferreira

 Resumo biográfico de José Thomé Ferreira


No dia 22 de julho de 1858, compareceram na Tesouraria da Província da Bahia, na Capital, José Ferreira de Carvalho (1783-1866) e seu genro, sobrinho e também sócio José Thomé Ferreira, através de seu bastante procurador, o Dr. Antônio da Rocha Viana para assinatura de um Termo de Contrato para a construção de uma estrada seguindo do Município de Tucano ao de Feira de Santana.  O Dr. Antônio da Rocha Viana era também Padre e àquela época ocupava a cadeira da Freguesia de Tucano e que em 1859 celebraria a missa inaugural da recém construída Capela do Raso.  


José Thomé Ferreira era filho de Maria da Côroa, irmã de José Ferreira de Carvalho e de Antônio Oliveira Santhiago. Casou-se com Maria Fidelis do Espírito Santo (1820-1903), sua prima, e teve os seguintes filhos: Idalina Genoveva da Conceição, (1855-1909),  Manoel Ferreira Lima (Né do Ichú) (n. 1845), André Ferreira Lima (André do Coqueiro) (1841-1919), Jovino Ferreira de Carvalho (Jovino da Serra) (n. 1851), João Nepomuceno Ferreira de Lima (n. 1853), Francisca Engraça da Coroa (n. 1853), Jesuina Moreira do Espírito Santo (n. 1849), Ana Rita do Espírito Santo (Pomba) (n. 1857),  Maria Rita do Espírito Santo (Naninha) (n. 1847)  e Cândida Maria do Espírito Santo (1852-1890).


José Thomé, conforme podemos observar em seu inventário, era proprietário de diversas fazendas nas terras do Raso, como por exemplo, as do Boi Morto, Fazenda Santa Rita, Poço do Pato e Fazenda Angico.


No ano de 1861 foi criado o Distrito do Raso, que ficaria ligado político e religiosamente ao município de Tucano e com a nova condição do Arraial, o antigo Raso passou a ter sub-delegado, ocupando a função José Thomé. Eram ainda suplentes de sub-delegado Luiz Lopes Pereira e Silva, Severo Fabiano de Carvalho, Ângelo Pastor Ferreira, Virginio Ferreira de Oliveira e Higino Ferreira da Mota. 


José Thomé ocupou ainda outros cargos na vida administrativa do antigo Raso como nos informa uma publicação do Correio da Bahia, na edição de n. 291, do ano de 1877, onde toma posse no cargo de Inspetor Literário da Capela do Raso o Sr. Joaquim Alves Pinheiro no lugar de José Thomé, que faleceu.


Segundo depoimento do Professor José Nilton Carvalho, tataraneto de José Thomé, na região do povoado do Setor, na cidade de Teofilândia, ainda hoje é conhecido um lugar denominado de curva do Thomé, ao que tudo indica nome dado desde a época da construção da referida estrada que passava pelo local, indo em direção à Feira de Santana. 


Para maiores informações sobre a descendência do casal José Thomé e Maria Fidelis consultar o livro Araci 200 anos – desde 1812, de autoria de José de Oliveira Mota (Abelardo). 



INVENTÁRIO de José Thomé Ferreira


Freguesia do Raso 

1878

Pesquisa: Pedro Juarez Pinheiro

Fonte: Arquivo Público do Estado da Bahia

Ano: 2015

domingo, 27 de setembro de 2020

Willem van der Haegen

Willem van der Haegen (Bruges1430 — TopoSão Jorge21 de dezembro de 1507/9), ou Willem De Kersemakere (também grafado Kaasmaker ou Kasmach) conhecido em português por Guilherme da Silveira ou Guilherme Casmaca, foi um empreendedor e explorador flamengo, pioneiro no povoamento do arquipélago dos Açores, e do qual os descendentes fizeram parte da nobreza açoriana original.



Colonização dos Açores

Em torno de 1470, van der Haegen desembarcou na Ilha do Faial a convite de Joost de Hurtere, seu primeiro capitão do donatário.

Liderando uma segunda vaga de povoadores, leva consigo sua família e familiares, mestres de mais variados ofícios. Sentindo posteriormente alguma má vontade e rivalidade por parte de Hurtere, decide abandonar a ilha. Fixa-se então em Quatro Ribeiras, na Ilha Terceira, fazendo sua lavoura de trigo e cultivo de pastel (Isactis Tinctoria L.), antes produzido na Picardia e na Normandia, que exportava para a Flandres. Indo a Lisboa, encontra-se com D. Maria de Vilhena, viúva de D. Fernão Teles de Meneses e tutora de Rui Teles, seu filho. Esta cede os direitos de exploração da ilha em troca do pagamento dos direitos sobre as Ilhas das Floreiras - nome por que eram então conhecidas as ilhas das Flores e do Corvo.

Por volta de 1478, van der Haegen ter-se-á fixado na Ilha das Flores, no sítio denominado Ribeira da Cruz. Devido ao isolamento das demais ilhas e dificuldades nas comunicações, a exploração agrícola da ilha não era aliciante dada a dificuldade em exportar. Decide então abandonar a ilha, retornando para a Ilha Terceira, e desta para a Ilha de São Jorge onde se fixou definitivamente no sítio do Topo. Viveu com tanta abundância que somente de dízimo da seara que cultivava, segundo diz Gaspar Frutuoso, pagava cada ano 50 a 60 moios (Livro 6.º das Saudades da Terra). Morreu em 21 de dezembro de 1507/9, estando sepultado na ermida anexa a Solar dos Tiagos, na vila do Topo, hoje em ruínas.

Relações familiares

Casamento e progênie

Casou com Margarida de Zabuya, provavelmente em Bruges, Flandres, Bélgica (Gaspar Frutuoso chama-a de Margarida da Sabuya, embora outros historiadores lhe chamem, de Azambuja; outros ainda de Sabina, Sabuia, Sabuio ou Saboia), e teve oito filhos, os quais todos se integraram nas comunidades centrais do arquipélago:

  1. Margarida da Silveira, nasceu em 1452 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em torno de 1529 nos Flamengos, Ilha do Faial, Açores. Casou-se também nos Flamengos com o nobre flamengo Josse van Aertrycke ou Jorge da Terra, “o velho”, da família van Aertrijcke do Castelo de Tillegem. Margarida e seu marido são os ancestrais da família Silveiro Ramos de Portugal, atualmente chefiada por Ricardo de Faria Blanc da Silveira Ramos de Camarate Silveira;
  2. João da Silveira, o velho, nasceu em 1456 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 1481; casou com Guiomar Borges Abarca na Ilha Terceira, Açores, Portugal.
  3. Jorge da Silveira (Jorge da Silveira ou Joz, ou Josse, ou José, nasceu cerca 1458, destino ignorado.) em Bruges, Flandres, Bélgica;
  4. Catarina da Silveira, nasceu em 1462 em Bruges, Flandres, Bélgica; casou com o capitão-mor Jorge Gomes de Ávila em 1484 na Ilha Graciosa, Açores. Nascido em 1453 na Ilha Graciosa, Açores;
  5. Luzia da Silveira, nasceu em 1464 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 1548 na Vila do Topo, Ilha de São Jorge, Açores; casou com André Fernandes Villalobos em 1485 também na Vila do Topo. Nascido em 1490; e morto em 1548;
  6. Ana da Silveira, nasceu em 1466 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 1549 em Goa, Índia Portuguesa; casou com Tristão Martins Pereira em 1485 também em Goa. Nascido em 1452 em Pombal, Portugal continental e falecido em 1529 na Índia;
  7. Maria da Silveira, nasceu em 1468 em Bruges, Flandres, Bélgica; morreu em 14 de Agosto de 1545; casou com João Pires de Matos em 1497 na Ilha do Faial, Açores;
  8. Francisco Casmaca, nasceu em 1499 na Ilha do Faial, Açores. Morreu em 1595 na Ilha do Faial, Açores. Casou com Isabel de Hurtere de Macedo em 1524 na Ilha do Faial, Açores.

Descendentes

O apelido flamengo Haag que significa bosque, acabou por ser vertido em português por Silveira. Uma variação fonética de seu nome é Guilherme Vanderaga. As famílias com o apelido Silveira nos Açores, regra geral, descendem do flamengo Willem van der Haegen. Os seus descendentes espalharam-se por todas as ilhas dos Açores, embora na ilha Graciosa surja outro ramo onde os Silveiras ali estabelecidos constituem um ramo dos Silveiras do continente português.

Alguns dos seus descendentes emigraram para o sul de África e integraram-se com os colonos holandeses.

Possíveis Origens

Sentença civil encontrada nos arquivos de Bruges, detalhando as relações comercias de Willem com mercadores portugueses



Coat of Arms originally used by the De Keersmaeker family in Flanders.
Brasão originalmente usado pela família De Keersmaeker em Flandres

Em 2006, em seu artigo 'Les Flamads au Portugal au XV Siècle' o historiador francês Jacques Paviot mencionou a existência de uma sentença civil nos arquivos de Bruges, escrita em dialetos medievais de francês e holandês que detalha relações comerciais de um indivíduo chamado Willem De Kersemakere com vários mercadores portugueses, inclusive Lopo Mendes.

De acordo com Paviot e com a pesquisa do genealogista belga André L. Fr. Claeys publicada em 2011,essa sentença, em contraste com o testamento da esposa de Willem van der Haegen, Margarida de Zabuya, datado de 14 de setembro de 1510 e registrado pelo tabelião André Fernandes (no qual Willem é mencionado apenas como Guilherme Casmaca), concluiu que o nome real do colonizador até então conhecido como Willem van der Haegen é na verdade Willem De Kersemakere.

Claeys argumenta que a razão a qual De Kersemakere foi conhecido por Willem van der Haegen é que ele deve ter tido uma primeira esposa de sobrenome van der Haegen (primeiro nome desconhecido, nascida em torno de 1432, data de casamento desconhecida, data de morte antes de 1469). A conclusão é que nos Açores, de acordo com a tradição portuguesa, os filhos do primeiro casamento escolheram o sobrenome da mãe, van der Haegen ou da Silveira, porém sem a adição do sobrenome paterno "Casmaca", como também é o costume português. Claeys diz que os crônicos e genealogistas da história açoriana basearam os seus escritos em documentos dos séculos XVI e XVII, muitas gerações depois de Willem, mantendo o sobrenome "da Silveira" para todos os filhos do primeiro casamento e mesmo para o próprio Willem. Isso provavelmente significaria, na conclusão de Claeys, que os primeiros sete filhos não são de Margarida de Zabuya, e por isso conservaram o sobrenome de sua mãe (em Bruges, eles provavelmente eram chamados de De Kersemakere), enquanto que Francisco, o mais jovem, sempre usou o sobrenome Casmaca. Claeys também alega que, de acordo com as tradições flamengas e portuguesas, maridos nunca recebem o sobrenome de suas esposas, e portanto, a denominação "Willem van der Haegen" seria incorreta.

Além de Paviot e Claeys, vários outros autores através dos séculos se referiram a Willem como Guilherme Casmaca ou Cosmacra (uma possível corruptela de De Kersemakere), com a atestação mais antiga, exceto o testamento de sua esposa, sendo uma descrição de sua vida e família por Gaspar Frutuoso escrita nos anos de 1586-1590, no capítulo 36 do manuscrito Saudades da Terra. Por outro lado, em um relato contemporâneo a vida de Willem, Valentim Fernandes se refere a ele como Guylelmo Hersmacher' em seu manuscrito em latim 'Descripcam de Cepta por sua Costa de Mauritania e Ethiopia ', publicado em 1506.

Paviot especula que o sobrenome De Kersemakere pode ter se originado na palavra holandesa Kaarsenmaker (fabricante de velas), enquanto que Jorge Forjaz, Pedro da Silveira e José Guilherme Reis Leite especulam que Casmaca pode ter se originado na palavra holandesa Kaasmaker ou Kasmach (queijeiro), os últimos dois também especulando que essa poderia ser a origem da tradição de queijo flamengo na ilha de São Jorge. Ademais, Eduardo de Campos de Castro de Azevedo afirma que o colonizador conhecido como Guilherme da Silveira era na verdade oriundo de Maastricht, que teria pertencido ao Ducado de Brabante, onde nunca houve uma família por nome de Vandraga/Van der Haegen.

A paternidade de Van der Haegen é incerta, contudo, ele provavelmente foi membro da família patrícia flamenga "De Keersmaeker".

James H. Guill, em seu livro "A history of the Azores Islands, Vol. 5, pg. 140, alega que Margarida de Zabuya era na verdade uma filha ilegítima de Amadeu VIII, Duque de Savoia, e que seu marido, Willem, era um neto ilegítimo de João, Duque da Borgonha, possivelmente através de seu filho bastardo, João, Bispo de Cambrai, todavia, tal alegação é contestada por Claeys, pois Guill nunca cita uma fonte para essa informação, nunca consultou os arquivos de Bruges, ou outras fontes flamengas, e sempre se referiu a Willem como 'van der Haegen' e nunca 'Casmaca' ou 'De Kersemakere'. Claeys argumenta que Margarida provavelmente nasceu 'Marguerite Zabeau' da baixa nobreza da Valônia, observando que desde antes de 1322 o sobrenome Zabeau é encontrado nas regiões de Liège, Luxemburgo (Bélgica) e Ardennes (com variantes como Sabau, Sabia, Sabiau). Claeys também nota que mesmo que Margarida fosse de fato da casa de Sabóia, é mais provável que ela fosse filha de outros membros desta casa que residiam na Valônia, pois foram encontradas armas de duas linhagens de nome Savoi e Savoye (Jehan de Savoye, 1444). Também, na mesma região da Valônia, foram encontrados registros de Aimé, Conde de Sabóia (registro de 23 de Dezembro de 1304, cartularum de 1 de Setembro de 1316) e Jacop van Savoye, conde de Romand e Saint-Pol (registro de 8 de Abril de 1484).

É bastante provável que Guill tenha baseado suas alegações na afirmação de Gaspar Frutuoso de que Willem teria sido neto de um Conde de Flandres. No entanto, a possível origem nobre de Willem van der Haegen tem sido questionada por vários autores posteriores. O primeiro deles, Diogo das Chagas, afirmou em seu manuscrito 'Espelho Cristalino'de 1646 que haviam duas pessoas chamadas Silveira: "João de Silveyra, um homem muito importante e grande mercador (ou astuto mercador)", para quem Joost de Hurtere (Joz de Utra) fez muitas promessas para que se fixasse nos Açores,e outro "Guilherme de Silveyra dos Silveyras de Brandath" que se fixou em Flores e então em São Jorge. Sobre o último, das Chagas escreve que o nome Brandath é uma corruptela de Vandraga, nome o qual foi registrado no reconhecimento de armas familiares concedido a van der Haegen por sua majestade, D. João II.


Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Willem_van_der_Haegen