Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

História da Minha Vida – Fita 2, Lado B

Meu bisavô Hildebrando Cedraz (Pequeno) gravou diversas fitas, algumas com músicas (ele adorava tocar violão e cantar) e outras contando a história da vida dele. Consegui encontrar algumas dessas fitas e vou postar aqui. Para quem quiser ouvir é só conferir o audio abaixo, mas também coloquei a transcrição (vez ou outra é difícil de entender o que ele fala, então me desculpem se houver algum erro, também não fiz correções, só fui digitando). É importante lembra que ele nasceu em 1901, então a visão que ele tinha de muitos aspectos da vida são diferentes da visão que temos atualmente.

Obs: Uma parte das fitas já está no 4shared caso alguém queira baixar para ouvir:

https://www.4shared.com/file/ZgGKFgekea/Fita_1A.html

https://www.4shared.com/file/Z7ZdU27niq/Fita_1B.html

https://www.4shared.com/file/u_5r7robea/Fita_2A.html

https://www.4shared.com/file/uUS5znO4ea/Fita_2B.html

"Isso foi 1930, mas Idália teve o primeiro filho no dia 29 de janeiro de 1929, Homero, esse meninozinho muito lindo. Eu tinha botado uma venda pro serviço do cercamento da fazenda e tal, como já disse houve a questão do povo do galheiro, e eu matava boi e tal, eu comprava ovo. E com isso fiz um movimento grande lá no Rio das Pedras com esse negócio. Então depois dessa luta, o negocio da questão do galheiro que eu ganhei, fiz cerdado, trabalhando com muitos homens. Eu saia de manhã, voltava de tarde, Idália mandava levar minha comida meio dia lá no mato. Meu pai disse que era pra eu tomar nota que me pagava, não quiz não senhor, quero cercar e lhe entregar a fazenda na chave, não quero nada não senhor. Isso o menino foi pirigando, eu dava duas viagens por semana a Serrinha pra ver se dava jeito, mas não pode porque tinha deslocado um rim, eo rim estava crescendo, crescendo, crescendo, doutor André disse: 'não, esse caso pode operar, mas de mil escapa um, você é quem sabe'. Não não vou operar não, não adianta, vamos maltratar ele mais ainda, deixe pra lá. Ia ruizinho, foi quando Idália teve Mariá, dia 18 de junho 1930. Foi no ano que eu tive esses milhos, fiz muita farinha, eu fiz ...só a mandioca que plantamos de sociedade lá no palperio (pal ferros?) deu 160 sacos, 80 pra cada um. Eu tinha feito um caixão de 100 sacos, mas a mandioca que tinha plantado no fundo ca casa eu não arranquei porque a prensa quebrou a porca e pra vir demorava, já chovendo trovoada, eu não, farinha barata eu vou comprar pra enteirar, ai comprei faria, acabei de encher o caixão, a 5 mil réis o saco, comprei um saco de esteira, enchi um bocado de saco de farinha e tal também, e a mandioca ficou lá. Mas quando foi em 31 eu fiz outro roçado, o ano não deu nada, nada mesmo em 31, então eu perdi a mandioca. A mandioca pocou, eu não pude arrancar em 31 e nisso ficou, eu lutando com as dificuldades, foi quando eu tava com uma porção de gado e eu não tinha os pastos não davam, pra eu ficar criando esse gado todo assim. Eu fui a Impueira tinha gado na Trovoada, fiz uma berdueguinha, e eu banquei bobo em vez de descer meu gado pro lado do Santo Antonio levei meu gado, 64 rezes, pra Impueira. E quem tomava conta era o cabra lá preguiçoso, que era um moreno, deixou meu gado morrer. Deixei o gado lá e não chuvei mais nunca. Nunca, em 1931, 64. Ai eu não esmoreci não, fiquei por cá trabalhando e tal, 31 veio 32, veio 32 eu puxei outro roçado de 25 tarefas lá pra perto do rio Itaí. 32, 25 tarefas. Ficamos no meio, umbuzeiro dos cágados chamado ???? da caatinga, mas cerquei tudo, deixei preso e plantei o roçado de mlho, plantei todo de milho e capim. Nunca choveu, ai o povo começou a se apertar e eu acabei a venda porque não tinha ninguém, já tinha ido embora tudo pro recôncavo, procurando recurso, não tinha mais ninguém Mediocler e seu Maurício. E pronto, 32 ruim, que é que se faz, o povo pra ir embora, ai eu plantei o roçado e meu milho e coisa, ai veio Deodoro e me pediu socorro, seu Maurício. Botei Mauricio pra serrar madeira e Deodoro, veio Vitorino guentei Deodoro, Vitorino e seu Mauricio durante a seca de 32 fazendo portas e janelas, fizemos um caixão, mais um caixão que levava 130 sacos de farinha, mas ai já não botei farinha mais nesse ano, já era 32. Não tinha, a farinha já tinha subido de preço. Ai guentei com esses homens fazendo portas e janelas, fizemos muitas portas e janelas, minhas umburanas acabou, meu pai não queria que eu tirasse muita umburana, eu fui pra queimada nova, Joaquim me deu, foi lá que eu tirei mais um bocado de umburana e seu mauricio serrando e eles fazendo portas e janelas. Quando foi no mês de julho veio uma chuvinha. Deoclecio havia descido, estava em feira de Santana com a família, eu mandei chamar ele, que ele voltasse. Plantei um pouco de feijão, milho não dava mais, mas o capim nasceu todo, o milho já tinha apodrecido o capim nasceu todo. eu plantei um pedaço de feijão, mas foi quando eu tinha um lote de carneiro gordo, vendi a cumpade Camilo pra Serrinha e a (...) desses carneiros tava lá no pasto de Leli mais Iaiá, eu tava cavando cova de feijão mais seu Maurício, fui entregar os carneiros e correu um carneiro eu fui atalhar e seu Onô tinha puxado, desmanchou uma cerca no pasto dele, por dentro do pasto, deixou só um fio de arame, na carreira que eu ia, quando descobri o fio de arame botei a mão assim pra não me desgraçar o rosto, cortou minhas mãos todas, não pude mais pegar na enxada nem nada, me atrapalhou, ai eu voltei, a mão cortada de arame, ô minha nossa senhora que coisa ruim. Fiquei, fiquei disse sabe de uma coisa vou embora pra Ichú, vou procurar um lugar pra eu entrar no comércio, vou entrar em um comércio, não posso ficar assim me acabando não. Me acabando de trabalhar, seca só seca, só seca, não tá dando nada, meu gadinho que levei lá pra cima tá se acabando também. 

Foi quando Homero no mês de junho, no fim de julho, Homero perigou, e dona Olympia tava aí, nós tinha perdido 28 noites, vamos levar esse menino pra Coité que lá tem mais gente pra gente ficar. Aí saimos com o menino, o carro de boi com a bagagem, dona Olympia, Idália, Idália tinha Mariá pequenininha, a criança tava com 28 dias ou 30 dias, e nós fomos, eu com Homero no cabeçote, ficava só olhando ele assim, desfiava o cigarro todo ou um cachinho de jurubeba, quando chegamos na Onça, era meio dia, fomos descansar um pouco, daqui a pouco dá leite ao menino, remédio e tal, saimos, não viajamos duas tarefas o menino estirou, Olympia o menino tá morrendo, Idália correu chegou o menino tava morrendo mesmo, chegou botou lá em cima do carro o menino morto, todo mundo chorando e tal, fomos pra Coité, lá só fomos enterrar a criancinha, morreu ele Homero. Passamos lá umas semanas voltamos de novo eu mais Idália, voltamos com Mariá pequenininha. Dona Olympia batizou logo mais neninho a criancinha pequenininha e nós voltamos pro Rio das Pedras, no mês de julho.

Quando foi em Outrubro, foi outrubro ela teve, Outubro de 32, isso foi 31, quando foi em Outubro de 32 ela teve Francisco, dia 4 de outubro. Nasceu Francisco, eu já tava me arrumando pra ir pra Ichú, então eu pensei em ir pra Ichú. Mota morava em Feira de Santana, disse que se nós arranjasse uma estrada aí por dentro, que logo fez a estrada de Tanquinho pra Candeal, e puxou pra fazenda dele, se pudesse ligar. Eu digo vamos ver que jeito se dá. Eí eu pensei vou fazer o seguinte, pra impressionar o povo do Ichú eu vou pegar esse resto de homens aqui e vou puxar a estrada, a estrada daqui pra Ichú. Peguei uns quatro rapazes e fui levando, entupindo buraco e tal, arrancando pedra, do Rio das Pedras duas léguas. Toquei, quando cheguei na lagoa do boi veio zuca da Aleluia chamado que ele tinha uma fazendinha ali no contador, quando viu meu trabalho disse "vixe nossa seu pequeno', 'eu vou levar pra Ichú'. Ele foi lá, quando voltou eu já vinha na capoeira do rio com o trabalho chegou no Ichú disse Pequeno vem com o trabalho bem feito só nós ajudando ele. Passei a capoeira do rio, a estrada por dentro do rio, uma volta desgraçada no umbuzeiro, outra volta na capoeira do rio pra sair no umbuzeiro, cercado grande, lá pelo banguelo. Ao final que quando cheguei no Umbuzeiro a turma do Ichú veio me encontrar, a turma do Ichú veio me encontrar e aí nós juntamos todos dentro de dois dias chegamos no Ichú. A estrada ia sair lá no Peixe como já disse, no matadouro, onde eu fiz o matadouro, mas seu (joão dão?) não tava ai, cortamos a volta pra sair no cemiterio, saimos ali no cemitério. Eles já tinham arranjado um cemitério no Ichú. Saimos ali a estrada. Quando chegamos lá logo Antonio Pio seu Zé do Umbuzeiro, os dois, 'Pequeno venha pra qui, rapaz, pranha pra qui, eu lhe vendo aqui minha mercadoria, lhe dou a casa você não paga tostão de aluguel. Coisa ruim ele tinha uma venda na Aleluia, na fazenda dele e tinha essa lojazinha na rua. O Ichú já tava maiorzinho, uma porção de casinha de rancho, tudo casa de rancho, tudo casinha de rancho e tinha uma capelinha no meio da rua. Quando eu passei por lá em 27 apenas tinha um sino amarrado no fecha da casa do velho Joaquim. E aí já tinha uma capelinha no meio da rua, capelinha pequena então ' a eu lhe vento e tal' , eu fiz o negóciocom Antonio Pio, eu tava pensando isso mesmo, comprei a mercadoria dele, fiquei na casa, seu Jove veio me vendeu, ai seu Nery disse 'oi pequeno cuidado com seu Hermelino, ele tá devendo', tá bom, seu Hermelino cansou comigo, não seu Hemelino, peraí o senhor tem débito, sua mercadoria tá maltratada, depois posso compra, mas agora não posso não, meu capital é pequeno, já comprei a esses paguei, empatei meu capital, e tal. Fiquei por ali, eu só tinha, eu tinha vendido meus animais a Luis Chiquinho quando tinha que ir pra lá, vendi meus cavalos, três cavalos gordos por 2500 a Luiz Chiquinho, dois contos e quinhentos pra enterar o dinheiro pra ir pra lá. E fiquei nisso ai agora, a influência seu Pequeno, todo mundo era seu Pequeno, o senhor quer ficar aqui, que aqueles freguês dele entrava, liberdade de se despachar dentro da venda, 'não! Aqui dentro só fica eu e o rapaz que vai me ajudar, não tem esse negócio de ficar aqui dentro da venda não'. Aí tirei logo todo mundo, despachava no balcão. Idália ficou no Rio das Pedras, não podia ir que não achou uma casa que servisse pra nóis morar. Consegui uma casa de rancho, que com (...) disse você pode concertar como você quiser, não tem problema não, aí eu meti o páu, fazia cozinha, murar a casinha, fazer cozinha e tudo, uma latrinazinha que não tinha. Aquilo era uma coisa, uma pobreza, em 32. Eles estavam cavando um tanque que coronel João Passos tinha prometido 20 contos, fez que podia cavar o tanque que ele arranjava lá com o governador, mas era Juracy Magalhães, não podia arranjar nada. Ele não podia, quem tinha força era Rufino, mas João Paulo arranjou os 20 contos e eles bateram cavando o tanque lá numa lagoa lá no fundo da rua e tal. Aquilo por besteira cada meta e eu fiquei nun jegue, vinha de manhã, abria a venda, quando eu vendia dez de reis já fazia a feira, fechava a venda e ia embora pro Rio das Pedras. Aí nisso fiquei, trazendo tinha um carro de boi do Rio das Pedras, que eu tinha arranjado um carro de boi, e o carrinho trazendo madeira e tudo, até que preparei a casa. Mas isso foi 32, entrou 33 ruim, lá vai janeiro, fevereiro. A chuva veio chegar em Março, chegou temporal bom. Foi quando eu trouxe Idália praí. Trouxe Idália praí pro Ichú, levei pra lá, nessa casinha, mas já bem arrumadazinha, ficamos lá. 

Então eu fiquei por lá, não tinha animal, eu pra fazer uma viagem a Riachão ou Serrinha era tomando seu Zé do Umbuzeiro um cavalinho a ele ou seu Antonio Pio. Emprestava, eu tinha vendido meus animais todos, só tinha esse jeguinho, que eu ia pro Rio das Pedras e voltava. Quando Idália queria passear no Rio das Pedras ia a pé, cansou de ir a pé coitada, e eu com um menino na garupa no cabeçote, nós tava com três menino, Abelardo, Mariá e Francisco assim pequenininho. Aí nós fomos levando assim, a coisa foi melhorando um pouco, foi indo, lá vai. Foi quando houve uma grande safra, seu Hermelino muito trabalhador, o povo do Ichú é muito trabalhador. Quando, nesse interim, foi quando eu era delegado, sim, eu me esqueci que quando foi 1930, depois daquela revolução de 30, Eustórgio, eu passava me chamou disse 'venha cá' eu esqueci de falar isso 'você venha ver' pegou o diário oficial, para delegado de Coité Eustorgio Pinto Resedá, para primeiro suplente Hildebrando Cedraz da Silva, opa, eu primeiro suplente, veja a confiança que ele tinha em mim. Ele me nomeiou como primeiro suplente, eu já tinha me esquecido de dizer isso, foi em 1930, depois da revolução de 30 que ele fez isso. 

Quando foi em 31 ele me passou o exercício de Delegado. Quando eu vim para o Ichú, Riachão era submisso a Coité, era Durval Pinto o prefeito do Coité, o intendente, tinha um Arnaldo Motta farmacêutico em Riachão que era o vice intendente, o sub intendente e delegado de Riachão. E eu tava de Delegado o tempo que tava com a portaria que Eustorgio me entregou me passando o exercício de delegado, podia dominar tudo com aquele. Tava como delegado de Coité e Riachão esse tempo todo, isso eu tinha me esquecido de declarar, essas coisas são assim mesmo. Então eu fiquei no Ichú, era o delegado daquele termo e tal, então não tinha padre no Riachão nessa época, pra arranjar uma missa, eles arranjaram, conseguiram um padre de vir de Camisão, hoje é Ipirá, rezar uma missa aí. Existia no Ichú uma turma de gaeteiro, os filhos de Hermilino com Luis de Elias e tudo, era uma turma de gaitas que era a música do Ichú. Quando o padre chegou eles vinheram fazer uma recepção, o padre se aborreceu com eles, mas tinha uns barbeiros do Calderão que costumava vir tocar nas festas, festa sempre foi lá iniciada em fevereiro, 5,6 e 7 de fevereiro. Quando o padre soube que vinha os barbeiros disse não ia tocar não, que não era pra tocar não. 'Não é porque padre?' pois será possivel, não é possivel uma coisa dessa. O tempo já tava bom, já foi em 33, tempo bom, me ofereceram uma melancia muito bonita, me disseram ' o padre gosta de melancia rapaz', hospedado na casa de Luiz Conrado, ai eu digo oxe peraí padre tá caçando briga, deixa eu ir lá, mandaram eu levar a melancia a ele. Aí fui com três companheiros lá 'ô seu vigário, como é e tal e tal, o senhor não quer que toque? nãovtenha paciência, isso é tradicional, o senhor marque quando é que só vão tocar na hora que o senhor mandar, garanto ao senhor que ele não faz nada fora'. E já o subdelegado de Candeal chegou 'a porque eu mando tocar', 'não peraí rapaz, alto lá, eu sou o delegado do termo, 'ha´é o senhor?' a é, não é assim não. É um preto que tinha do Candeal, esse povo já sabe como é. Aí o padre concordou, marcou os horários e os barbeiros foram tocar no horario marcado por ele. Daí em diante ele passou uma semana aí. O padre gostando, e obedeceu todo mundo e os barbeiros podia tocar a hora que quizesse, então foi quando houve a festa de fevereiro, coisa muito importante. Depois eu fui a Coité, consegui com Lero, João Garricha, violão, Lero bandolim, Zeca Pedreiro era o cavaquinho, vamos fazer uma orquestra no Ichú. Aí eles eram sapateiros, digo eu  forneço a vocês, eu lhe forneço a mercadoria você faz o seu trabalho vá vendendo e me pagando, aí tá certo. Levei eles pra lá, chegaram lá eu comprava mercadoria, sola, couro,.... Tudo tudo dava aeles, eles tinha máquina, tinha tudo , fabricando  um percata e vendendo, um chinelo e coisa, sapato e me pagando, compra mais e fomos levando assim. Orquestra muito boa. Ja foi no ano de 34, ano bom, tudo correndo bem. Eu peguei Jonas e levei pra lá, Jonas meu cunhado, pra me ajudar na loja, 1934. Lero mais João Garricha, esse povo todo lá no Ichú, tudo meu era no Ichú e lá vai. As coisas melhorando mesmo, 34, e foi indo. Nunca mais eu fiz um roçado nem coisa nenhuma, quando foi, isso foi em 34, 35. Sim 34 nós criamos o distrito de Ichú. Aproveitamos, tinha o administrador de Zé Rufino, era Justiniano Soares Militão, tratava Justo, um preto que se interessava pelo Ichú demais. Em 32 ele havia levado os animais de Zé Rufino pro Santo Amaro pra (recursar?), as éguas com tudo, e botar num pasto dum cidadão lá da fazenda chamado Vanique, aí tomou dinheiro no banco e morreu, deixou o debito, tiveram que vender essa fazenda e Justo pegou essa viúva com as filhas e trouxe pra Ichú. Comprou a fazenda de Zé Martins ali perto da rua, Bom Jardim, e a viúva veio praí.

Aí criamos o distrito, pra ser nomeado o filho mais velho dela, Umberto como escrivão. E foi criado o distrito e eu fui nomeado como subdelegado, logo aí de novo era o intendente de Coité me tirou, logo já tinha saído de delegado do Coité. Fui nomeado subdelegado de Ichú, Umberto o escrivão, e Leonardo das Balizas o juiz de paz. Ficamos o Ichú, eu no Ichú como subdelegado, Umberto escrivão, mas Umberto desajeitado, tudo pra começar é difícil. Umberto coitado, não fazia nada, um meninozinho pra registrar, uma besteira e não dava pra passar, eles diziam que iam morrer de fome, daí um ano, uma coisa, se não vamos embora pra São Paulo. Resolveram vender a fazendinha e ir embora pra São Paulo. Justo mesmo, mais ajuntaram mais outros lá e compraram a fazendinha e eles foram embora pra São Paulo e Umberto deixou, entregou a Zé Rufino o cartório, pra Zé Rufino resolver. Foi quando Luiz se aproximou pra querer ser candidato do cartório e Zuca Trabuco. Zé Rufino mandou me chamar, 'o que é?', 'É porque tem dois candidatos aqui no cartório e você quem resolve, tem Zuca Trabuco de José Trabuco e tem Luiz de (Anguelino/Armelino?)'. 'Entrega a Luiz!', 'Oie Compadre, esse povo é muito falso'. Mas eles são muito pegado comigo, são muito pegado comigo, deixei ele mesmo. Foi quando Antonio de seu Armelino pagou o débito que tinha a (Frente e Silva?) de Salvador, deu um gado, deu uma mula que ele tinha de arreios, mercadoria eles não queriam, tudo maltratada. Aí pagou um boi que ele tinha comprado por um conto de réis, um boi Gir, tudo isso o povo viajando. Foi quando Antonio Moura carneiro, era credor, veio, ele só tinha junta do boi de carro, seu Hermelino, e tinha deixado umas quatro vacas pra tirar leite. Ai Antonio Moura Carneiro acertou pra dar 'dou 60 dias pra ele pagar ao contrario tem que ferrar os boi de carro', e disse pra eu comprar as mercadorias 'Não a mercadoria deles tão muito maltratada, ai vencido o prazo eu tive pena de seu Hermelino. O carro de boi ele levava mercadoria, milho pra serrinha e trazia e trazia mercadoria da gente a dez o saco, ele tava vivendo disso coitado, muito trabalhador, pedindo. Fui a a Feira 'Seu Antonio, como é? Se eu comprar a mercadoria do seu Hermelino o senhor me guenta pra eu ir lhe pagando', 'Oxe Hildebrando, pode fazer o negócio, eu tô com pena de ferrar os boi de carro dele. Vamos deixar e tal'. Aí ele tinha me entregue o ferro, tá até guardado lá no meu armazem no Ichú até hoje. Eu fiz esse grande favor a seu Hermelino, então comprei a mercadoria, deu pra pagar o debito de Antonio Moura Carneiro e ainda sobrou ainda cento e tantos mil reis, eu entreguei a ele o dinheiro, dei em primeiro lugar logo a seu Hermelino que precisava e fui paguando seu Antonio Moura, pouco tempo eu paguei tudo, graças a deus. Pois o tempo tinha melhorado eu vinha ai Virgilio tinha vendido a loja dele a Estevão Bispo era um empregado dele compro. Apertado, não tinha o dinheiro, Virgilio tomando o dinheirinho que ele apurava todo para pagar trabalhador lá no candeal e o pobre do Estevão apertado, então eu ia comprar mercadoria a Estevão tudo de graça, mercadoria barata, bulgariana de cruzado de quinhentos reis, madastro algodãozinho, tudo, brilho diamantino de dois cruzados, a mesca, tudo baratinho. Eu fui na Caiçara 'Jove você me empresta, tem algum um dinheirinho?' 'Eu só tenho aqui 300 mil reis, até Totonha veio me pedir aqui emprestado um dinheiro pra comprar uma farinha, eu disse a ele que não tinha, mas você cala a boca, fique com esse dinheiro lá, só me dá quando eu procurar, não quero que ninguém saiba'. 300 mil réis, eu fui, oxe, fiz um feirão, sorti minha loja com 300 mil réis e mais um dinheirinho que eu arranjei aí da cera que eu fazia, oxe uma beleza, aí comecei a melhorar, melhorar, melhorar, melhorar e lá vai. Eu no Ichú, muito bem e coisa. 

Foi quando daí em 35, já era juiz de paz, foi quando morreu o juiz de paz Eulálio das Balizas, foi quando então Maninho Ferreira tinha vindo praí botou uma bodega, tinha Apolonio, Satinho essa gente tinha umas bodega, e eu então, Manu Ferreira botou uma bodega, eu digo, Maninho eu vou lhe nomear como subdelegado daqui, 'pequeno não' vou botar porque eu vou passar pra juiz de paz, Eulálio morreu, e você fica como subdelegado. Ai nomeei Maninho, Maninho 'Pequeno eu vou renunciar', 'Porque?', ' Não tem quartel, Seu Hermelino vendeu o quartel daí a Zé Damião do Riacho da Areia, e Zé Damião comprou o Quartel. Seu Hermelino disse que a prefeitura não tava pagando nada, que ele vendeu a Zé damião por um conto de réis o quartel. 'Não peraí que eu vou ver Zé Damião'. Zé Damião você me vendeu, dou lucro, ai comprei de novo o quartel, 'Tome Maninho a chave, você fica como delegado, seu quartel'. Ficou lá, Maninho como subdelegado e eu como Juiz de Paz, ficamos esse tempo todo, lá vai a gente.

Quando foi em 38, apareceu aí uma coisa, parece que acabou, porque era ditadura, naquele tempo de Getúlio Vargas, coisa aí. Mas teve uma passagem aí, teve em 38 uma democracia, ligeiro, provisória, que fizeram uma eleição bico de pena Pedro Mascarenhas o prefeito, e me nomearam, me elegeram também como Vereador.Tmabém foi poucos dias acabou isso. Acaboi isso Pedro Mascarenhas deu pra beber cachaça, ficando bebado, estragando a família e tal, bestando. E eu piquei de novo, passei para Juiz de Paz, de novo, foi levando, isso em 38, 39. Tudo ditadura, ditadura e eu sempre com prestigio ali.Fui levando, 39, 40. Sim, em 35 o Antonio Pio exigiu a casa e eu tive que construir uma loja em 35. Construi aquela casa da loja, fui na Queimadinha tirei um pedaço de casa velha lá e (minha dedela?) me deu, panhei, construi a loja. Entreguei a chave a Antonio Pio lá da loja do Povo chamada, chamada loja do Povo e essa daí eu botei Avantajosa. Jonas tava comigo. 36, quando foi 36 se não me engano João Morais veio, Seu Hermelino pediu, João Morais era intendente lá do Riachão, veio pra levantar o mercado, que aí tinha um barracão feito por seu Hermelino mas caiu, aqui chuveu e caiu o barracão, quebrou tudo, não prestava. De junto da loja, onde eu construi a loja. Aí João Morais veio, 'como é seu Pequeno? Você vai tomar conta disso aqui, pra levantar aqui esse mercado. Eu só faço aqui no lugar onde está' 'Você é quem sabe, faça aí mesmo'.



domingo, 5 de abril de 2015

Batismos 1887 (1) - Conceição do Coité

Livro de Batismos 1883 -1893

Estou dando uma olhada nos livros de batismo de Coité para ver quem da familia eu encontro neles …

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Nome: Jovita

Data de Batismo: 20 de março de 1887

Data de Nascimento: 28 de janeiro de 1887

Pais: Luis Severo Ramos e Ignez Maria de Jesus

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Nome: Laurinda

Data de Batismo: 21 de abril de 1887

Data de Nascimento: 17 de março de 1887

Pais: João Gonçalves de Oliveira e Leopoldina Maria de Jesus

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Nome: José

Data de Batismo: 24 de abril de 1887

Data de Nascimento: 26 de março de 1887

Pais: Luis Antonio de Araújo e Marcolina Lopes de Jesus

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Nome: Vitalina

Data de Batismo: 19 de maio de 1887

Data de Nascimento: 26 de março de 1887

Pais: José Affonço de Sousa Pinto e Maria Appollinaria de Oliveira

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Nome: Olympia

Data de Batismo: 19 de maio de 1887

Data de Nascimento: 24 de abril de 1887

Pais: Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena do Espirito Santo

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Nome: Davina

Data de Batismo: 24 de julho de 1887

Data de Nascimento: 01 de maio de 1887

Pais: Possidônio Ramos de Oliveira e Maria Sophia da Cunha

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Nome: Cyrillo

Data de Batismo: 21 de agosto de 1887

Data de Nascimento: 09 de julho de 1887

Pais: João José da Cunha e Maria Josefa de Jesus

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Nome: Benjamin

Data de Batismo: 21 de agosto de 1887

Data de Nascimento: 10 de abril de 1887

Pais: Manoel Gregório de Sousa Pinto e Joanna Maria de Jesus

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Nome: Arthelina

Data de Batismo: 10 de setembro de 1887

Data de Nascimento: 21 de agosto de 1887

Pais: José Luis de Araújo e Anna Porcina da Cunha

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Nome: Maria

Data de Batismo: 11 de setembro de 1887

Data de Nascimento: 29 de agosto de 1887

Pais: Antonio Calixto da Cunha e Maria Sancha da Cunha

Nome: Maria

Data de Batismo: 11 de setembro de 1887

Data de Nascimento: 17 de julho de 1887

Pais: Antonio Calixto da Cunha e Maria Sancha da Cunha

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Nome: Fabriciano

Data de Batismo: 11 de setembro de 1887

Data de Nascimento: 26 de agosto de 1887

Pais: Delfino Francisco de Araújo e Cecilia Maria de Lima

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Nome: Anna

Data de Batismo: 15 de Setembro de 1887

Data de Nascimento: com dois meses

Pais: Antonio Joaquim Ramos de Almeida e Possidonia Rosa Carneiro

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Nome: Anna

Data de Batismo: 23 de Outubro de 1887

Data de Nascimento: 17 de Agosto de 1887

Pais: Primo Nunes Gordiano e Cyrilla Maria dos Reis

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Nome: Francisca

Data de Batismo: 20 de Dezembro de 1887

Data de Nascimento: 17 de Março de 1887

Pais: José Tiburcio dos Santos e Bernardina Maria de Sena

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Nome: Dionisio

Data de Batismo: 25 de Dezembro de 1887

Data de Nascimento: 09 de Outubro de 1887

Pais: José Calisto da Cunha Junior e Maria Carneiro Motta (Callixto?)

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Nome: Estevão

Data de Batismo: 25 de Dezembro de 1887

Data de Nascimento: 03 de Agosto de 1887

Pais: Honorato Manoel de Araújo e Ignez Maria de Jesus

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Nome: Firmina

Data de Batismo: 25 de Dezembro de 1887

Data de Nascimento: 12 de Setembro de 1887

Pais: José Francisco de Araújo e Maria Bernardina de Jesus

 

Nome: Polycarpo

Data de Batismo: 25 de Dezembro de 1887

Data de Nascimento: 15 de Setembro de 1887

Pais: Francisco Clarindo de Araújo e Sabina Maria de Jesus

domingo, 18 de maio de 2014

Filhos de Manoel André de Sousa Pinto

 

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"Brasil, Batismos, 1688-1935," index, FamilySearch (https://familysearch.org/pal:/MM9.1.1/XNBP-44Y : accessed 18 Apr 2014), Olympia De Sousa Pinto, 24 Apr 1887; citing Conceicao Do Coite, Feira De Santana, Bahia, Brazil, reference 2:1S8VTKW; FHL microfilm 1285209. Filha de Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena do Espirito-Santo.

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"Brasil, Batismos, 1688-1935," index, FamilySearch (https://familysearch.org/pal:/MM9.1.1/XNBP-2ZZ : accessed 18 Apr 2014), Isaac De Souza Pinto, 11 Sep 1891; citing Conceicao Do Coite, Feira De Santana, Bahia, Brazil, reference 2:1S8XK5B; FHL microfilm 1285209. Filho de Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena.

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"Brasil, Batismos, 1688-1935," index, FamilySearch (https://familysearch.org/pal:/MM9.1.1/XN1R-NZQ : accessed 18 Apr 2014), Senhorinha De Souza Pinto, 21 Feb 1877; citing Conceicao Do Coite, Feira De Santana, Bahia, Brazil, reference 2:284GL3N; FHL microfilm 1285209. Filha de Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena do Espirito-Santo.

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"Brasil, Batismos, 1688-1935," index, FamilySearch (https://familysearch.org/pal:/MM9.1.1/XNBP-BQS : accessed 18 Apr 2014), Arthur De Sousa Pinto, 10 Oct 1884; citing Conceicao Do Coite, Feira De Santana, Bahia, Brazil, reference 2:1S8TZB1; FHL microfilm 1285209. Filho de Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena.

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"Brasil, Batismos, 1688-1935," index, FamilySearch (https://familysearch.org/pal:/MM9.1.1/XN1R-W8T : accessed 18 Apr 2014), Adelia De Sousa Pinto, 09 Jan 1883; citing Conceicao Do Coite, Feira De Santana, Bahia, Brazil, reference 2:284J837; FHL microfilm 1285209. Filha de Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena.

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"Brasil, Batismos, 1688-1935," index, FamilySearch (https://familysearch.org/pal:/MM9.1.1/XN1R-3F6 : accessed 18 Apr 2014), Adolpho De Sousa Pinto, 17 Nov 1881; citing Conceicao Do Coite, Feira De Santana, Bahia, Brazil, reference 2:284HVNP; FHL microfilm 1285209. Filho de Manoel André de Sousa Pinto e Bernardina de Sena.

terça-feira, 29 de abril de 2014

História da Minha Vida – Fita 2, Lado A

 

Meu bisavô Hildebrando Cedraz (Pequeno) gravou diversas fitas, algumas com músicas (ele adorava tocar violão e cantar) e outras contando a história da vida dele. Consegui encontrar algumas dessas fitas e vou postar aqui. Para quem quiser ouvir é só conferir o audio abaixo, mas também coloquei a transcrição (vez ou outra é difícil de entender o que ele fala, então me desculpem se houver algum erro).

Obs: Uma parte das fitas já está no 4shared caso alguém queira baixar para ouvir http://www.4shared.com/u/h2WAH_c2/luanaoliveira.html

“… Essa fita é a segunda da minha história, que alias na primeira eu me esqueci de botar a data, foi no dia 28/10/1989. E essa hoje é 04/11 também do mesmo ano 1989, que alias na primeira fita eu fui muito adiante, pra 1926, pra os revoltosos, que alias os revoltosos foi no fim do ano, foi errado, mas eu vou agora chamar pra 24, os acontecimentos que houve da história da minha vida, era ante-vespera de São João, eu estava em Coité, que as festas de São João do Coité eram muito animadas, etc, cheia de fogos, fogueira, muitas fogueiras. E eu lá estava quando recebi o aviso que minha avó paterna, a mãe de meu pai havia falecido (Maria Joana Carneiro de Oliveira), mandaram me chamar, isso já no dia 23. Então eu me preparei e toquei pra lá, arranjei na farmácia uns calmantes, porque minhas duas tias tavam lá, eu tinha que tomar providência. Passei no Rio das Pedras, peguei minha mãe, meu pai estava em Jacobina quando a mãe dele morreu. Eu então fui com minha mãe, o Rio Tocó tinha muita água, passamos com água na barriga dos animais, porque nos poços espalha muito e tal. Chegamos lá na Queimadinha os carregadores do caixão, pra Riachão, porque nessa época era dificil um cemitério, Riachão, Coité, Serrinha, longe, muito longe. Tinha que levar esse caixão pra lá. Então os carregadores estavão almoçando, eu cheguei, as duas velhas, as minhas tias, principalmente a Antonia, chamava tia Totonha, muito nervosa, eu dei os calmantes a ela, 20 gotas de coralina cada uma, minha mãe ficou acalentando, etc e tal. Eu fiquei ali até qaundo os rapazes descansaram um pouco, fui assisti passar o caixão no rio, ai era um pouco fundo, os homens mais altos dava a água no peito, e até que passaram o caixão, graças a deus, eu assisti. Quando eles seguiram eu voltei pra ficar com minhas tias, tavam muito nervosas, chorando, fiquei com elas durante o dia 23, daí a noite pro dia 24. Quando amanheceu o dia 24, já tava todo mundo calmo, deixei minha mãe e voltei. Fui pra Coité, cheguei lá, tinha minha namorada Idália, essa dona Idália, que eu era muito apaixonado, ficou triste por causa da festa, eu saí no dia 23, mas a fogueira de meu futuro sogro era dia 24, ai pronto fiquei, eu fiz a festa de 24 pra 25. Quando foi dia 25 voltei de novo a Queimadinha, fui ver como é que ia, e tudo em paz eu trouxe minha mãe.

Ai, chegando aí continuou, quer dizer Conceição do Coité nessa época era a maior festa que tinha era páscoa, aleluia, então quando, nesse tempo aleluia era 10 horas, rompia ás 10 horas. E isso tinha muita festa importante, muita alegria, muitos caretas na rua, aquela mulequeira, tinha bumba meu boi, tinha outras pessoas arranjavam jumentos com peitorais de guizos, e burrinhos e tudo correndo, pra cima e pra baixo aquela zuada, e a cavalhada, o pessoal que tinha seus animais bons, botavam pra esquipar ali, e eu no meio também com meu cavalo bom, ai esquipava cada qual com seus arreios mais bonitos, cheio de fantasias, de bombas, de metais, de tudo. Era uma coisa importante naquela época, o sábado de aleluia. dava meio dia, eu ia descansar, almoçar, os animais descansavam. Três horas saia de novo até de noite, não tinha luz, era o lampião. Lampião só dava pra clarear pra os cascudos e as mariposas, mais nada, não adiantava nada. A noite ia ter apenas o Judas, a queimação do Judas, meia noite, tinha o testamento, era muito importante, muito bem feito, o Judas dando, cada um herdando uma parte, do que ele dava, todo mundo achando graça daquilo, muito bom, foram muito bem feitos.

Então era nessa época porque o coité começou, a primeira turma foi aqueles velhos antigos, que nada resolveram e tal, quando a segunda turma já foi um povo que pelo menos fundaram a sociedade musical, fizeram a filarmonicazinha e tal, coisa muito boa. Melhorou muito. A época muito pobre, Coité era muito pobre. Então a terceira turma foi a minha, que me pertencia também, a nossa juventude, que Conceição de Coité de 19 até 25 foi a época da elite de Coité. Quer dizer que essa turma de rapazes e moças todos os domingos cada qual vestia sua roupa mais decente, as moças tudo bem trajadas, e os rapazes também. Quando era branco era branco mesmo, até o sapato. Assim queima era queima, em tempo de inverno era roupa azul marinho, roupa quente de lã e etc e tal. Aí era um luxo, coisa importante mesmo, de 1919 a 1925. Foi a fase que o coité passou, a fase de uma elite, uma coisa muito importante, muito decente, era a época da gravata, do sapato e meia, chapéu. Essa decencia toda do povo, e as moças também bem vestidas. E eu e prf. Sizenando, todos os domingos, ele tinha um violão e cantava, e eu tinha um cavaquinho, todos os domingos às 3 horas da tarde, nós ficavamos tocando ali na casa da mãe dele, de Dona Filó, era muito querida de todos, sala grande. Formava um forrozinho ali todo domingo ali, eu e ele faziamos isso. Bom e nisso a gente foi passando aquela fase muito importante. Foi quando também morreu a velha que tinha lá no Rio das Pedras, que era mãe do vaqueiro, do Paulino, chamava-se Filipa. desde quando meu pai casou que ela acompanhou, ficou com eles, que aquela velha tinha sido das escravas, velha muito boa, velha gorda, forte, morreu a velha e veio pra trazer pra Coité, foi o maior sacrificio, eu acompanhei, oito rapazes pra trazer essa velha aqui pra coité, não foi brincadeira não, uma coisa triste. Suavam, oh nossa senhora, pra poder nessa areia do descansador foi uma coisa, foi difícil mesmo, mas chegaram coitados, suados, tudo mole, ficaram uma semana estrompados. Fizemos o sepultamento e tal, voltei e coisa e tal, fui levando, e isso em 1924, nessa fase ai.

O mais eu já contei a história na primeira fita, que eu levei para lá para a frente, que não devia ter ido, o negócio dos revoltosos, os revoltosos foi no fim do ano de 26.

Mas eu, quando foi 1925, eu era vaqueiro e tinha um cavalo muito bom, cavalo que veio da fazenda da Ipueira, dizendo que não precisava mais, o cavalo tava fraco, lá só comia alecrim, aí botei no pasto e o cavalo renovou, ficou uma coisa muito importante. Então em 25 eu fui pegar uns garrotes para botar no capim, eu e o paulino, nós dois, o garrote, dizem que boi manso é que dá cornada segura, é verdade, um boi me lembro até pintado de preto, trouxemos devagar, botamos o cambão e trouxemos, eu não tinha feito curral lá na porteira do pasto, lá no Caldeirão, então botamos o boi pra dentro, e eu fui botar meu cavalo distante umas 10 braças, no meio do pasto, pra evitar que o boi prejudicasse meu cavalo. Pois fui botar o cavalo no lugar de morrer, uma coisa triste, ele era bom laçador, laçou logo o boi ali encostado na porteira, ele ficou segurando, quando eu encostei pra tirar o cambão do boi, o boi tirou o corpo de banda, tomou a corda no fio do lombo e foi matar meu cavalo. Deu uma chifrada no cavalo, o cavalo saiu relinchando com a perna pra cima e sangue pra todo canto, e ele rodou, correu, veio pra de junto da porteira, o sangue descia como água numa bica. Coisa fora de, mesmo na artéria, na nádega do cavalo, uma coisa que, oh minha nossa senhora, não levou uma hora vivo coitadinho, esgotou o sangue todo, eu tirei os arreios, eu chorei muito, chorei quando vi meu cavalo morto, é verdade. E pensei em matar o boi, mas era besteira, não adiantava, o prejuizo era maior. Fomos procurar o boi no canto da cerca, lá pegamos, não deu mais trabalho nenhum, tirei o cambão, só foi mesmo pra matar meu cavalo. Então com isso eu fiquei triste, nunca havia tido uma ferra, desde 1920, o gado era pouco, muito espalhado, de sociedade eu com o Paulino, cada um faz um mourão, ai de quatro um. Afinal de contas que eu fiz aquilo mesmo pra poder satisfazer meu pai, que ele vivia falando noite e dia que o gado estava abandonado mesmo. Então foi quando eu fui ao Coité, comprei um outro cavalinho, um cavalinho castanho, precisava pegar o gado pra ferrar, isso foi de 25 pra 26, logo no principio de 26 juntamos o gado todo e pegamos o gado que tava pra ferrar, prendemos e houve a ferra. Eu tirei 12 reses, ele não tirou nenhuma porque já tinha vendido, vinha vendendo, era homem que tinha um vicio grande do baralho, vendia a cria barata a meu pai e acabava jogando baralho. De forma que eu tirei 12 reses, ai pronto, faltaram 2 garrotes do gado pra ferrar, os dois garrotes sumiram, tivemos a noticia que tava na dormida robando no pasto de um velho. Fomos lá e eram os garrotes mesmo, ai procuramos, saimos pra prender no sitio de compadre Sinhô, lá correu, nós tomamos um, fomos prender da lagoa no curral de Joãozinho Guimarães, deixamos lá, voltamos e pegamos o outro no compadre Tinô, já aí o cavalo tava adoentado, eu senti o cavalo não dava mais nada, digo esse diabo não presta não, mas não pensei que o cavalo tivesse acontecido qualquer coisa, apanhamos o outro boi lá, cambão, ele não atalhava nem o boi de cambão mais, quando cheguei em casa e tirei a sela o cavalo deitou, esperou, no outro dia amanheceu morto. Oh meu deus, não quero mais negócio como vaqueiro não, tá aconcecendo com meus cavalos e pode virar pra mim, não quero mais nem saber. Veio o (Agapito?) eu entreguei o gado a (Agapito?) todo, também o Paulino não quis mais nada também, logo que eu deixei ele também deixou. Ficou foi esse gado eu fui mostrar a (Agapito?) todo no mato, rodiando lá pelo mato, mostrando a ele como é e tal. Ele tinha um companheiro um amigo lá, o Abraão, lá dos Poços, vaqueiro também, vinha ajudar ele, isso ai já foi em 1926.

Quando de fato aconteceu o negócio dos Revoltosos, já foi no fim do ano, já como eu comecei a contar na primeira fita mais, adiantei, agora eu vou continuar. Foi quando o Nezinho, meu futuro sogro foi com a família pra Serrinha, mandou dizer que era pra eu ir pra lá com os velhos também, mas como o Motta tava com a familia no Rio das Pedras também, não era possivel, eu achei que era muita covardia minha eu deixar esse povo ai sozinho, então ficamos, aguentando, mamãe com o terço na mão com as meninas rezando as orações, pedindo a Deus Nossa Senhora, graças a Deus foi salvo porque o Mota queria ir pra caatinga, choveu muita chuva, mas não não vai ninguém não, fica tudo aqui dentro de casa, não vamos ficar aqui no bolo, afinal de contas como eu já disse que 24 foi até Alagoinha, daí foram pra Santa Clara (de Eustorgio?), daí pra Coité. Graças a deus nós ficamos livres, não passaram no Rio das Pedras. Então passado uns quatro ou cinco dias soubemos que os Revoltosos tavam mudando para a Salgada, Nezinho tava com o povo em Serrinha, eu tava com a cabeça ardendo porque ai meu deus minha namorada, oh minha nossa senhora, minha Idália, tava lá num vejo, ai quando eu soube que tava mudando pra salgada peguei o cavalo pra ir, o Motta ‘Mas pra onde é que você vai?’, ‘Vou à Coité’, ‘Há eu vou também’, ‘Não, fica ai não vá’, ‘Vou, vou’, mandou o Marquinho pegar uns dois animais. Chegando no Juazeirinho, logo depois de Juazeirinho tem aquela casa com coisa de (…), cumpadre Joaquim Mendes ‘Compadre, não vá não compadre que tão tomando, ainda hoje eu tive notícias que tão saindo o resto que tem, não fica um cavalo que chega, tomam tudo’, ai nós voltamos. No outro dia eu digo, ‘não, eu vou saber noticias sim’, ai ‘eu vou também’ o Motta, que homem teimoso. Ai tocamos, quando chegamos na (…) eu digo ‘olha Motta, vamos fazer o seguinte, vamos deixar os animais aqui, vamos mandar Marquinhos ir lá sondar, tira as esporas dos pés’, e vai sondar. ‘Não, vamos embora, nada’. Quando chegamos na casa de Vespasiano, dona Glorinha, meu deus do céu, ‘Arrudeia os animais ligeiro que tão tomando!’, aí arrudiamos pro muro e ela abriu um quarto lá no fundo e nós empurramos os animais, trancamos dentro do quarto e ficamos lá escondidos, já os homens tavam na porta da frente procurando cadê os animais, dona (…) disse tá no de Estógio, eu só tinha trazido os cavalos velhos, umas éguas, e se tapio esses homens lá e salvamos nossa situação, foi quando deu de tarde, já tinham viajados todos, eu digo ‘agora eu já soube que Nezinho vem ai que o Joaquim foi com o carro-de-boi buscar em Salgada, eu vou encontrar, o sr. volta’, ele voltou pro Rio das Pedras, eu fui pra Salgada. Encontrei justamente eles do Almeiro Dantas pra cá um pouco. Água na estrada, vinha o carro-de-boi com os meninos, Nezinho com dona Olympia, Idália com Iêda no braço. Aí Nezinho: ‘Ei, ainda sobrou esse!’, ‘Não foi lá não e graças a deus e tal’, ai me deram a menina, no cabeçote vinhemos e graças a deus tudo mais ou menos em paz. Isso foi já no fim de 1926, mas houve o casamento de Nery antes disso.

Nery era noivo, e no dia 18 de setembro foi o casamento de Nery, antes dos revoltosos, eu tinha passado por essa história. O casamento de Nery com Otília, secasaram e tal dia 18 de setembro e foram embora daí a dois dias, depois foi que veio esses revoltosos em 1926. O ano de 24 e 26 foi cheio de muita coisa.

Então depois de 26, depois dos revoltosos, então o Motta ficou por ali e foi que eu resolvi a pedir a Dr. Motta pra fazer o pedido de minha namorada, a Idália, eu passar a noivo. Então fez o pedido um dia depois do almoço, ele falou com Nezinho, Dona Olympia sentada alí e tal, tava nós cinco, dona Dida, minha irmã e Motta, falou, Nezinho demorou um pouco de me responder, eu esperava a resposta imediata, aí eu me irritei fui pra varanda, ele me acompanhou, ‘Não, tá tudo certo, eu tô satisfeito e tal e tal, muito bem, você que marque quando quer casar’, eu digo ‘não, não é esse ano, é para o ano, esse ano não’. Ai ficamos, isso foi terminou o ano de 26, passei a noivo, e daí então fui cuidando, me prepará mais ou menos, trabalhando, que eu trabalhava muito na roça, era muito disposto, fazia tudo para ter meu recurso, minha independência, eu já tinha um gadinho, em 1926. 

Veio 27, então o Motta tinha levado Aloysio para Miguel Calmon mas, mas deu um trato que porcausa daquele surto, eu já contei a história. Então Aloysio ficou coitado sem saber o que é que fazia, eu fui lá passeiar pra dar um, ver se animava ele um pouco. Lá coitadinho ele com o resto de farmácia, porque Motta partiu, vendeu a metade dele a Arnobio Meireles, e deixou ele encravado. Miguel Calmon era uma praça fraca, mas Aloysio queria que eu fosse pra lá, pra negociar mais ele, comprar uma loja de tecido, mas era um comércio ruim, eu voltei mais ou menos certo, porque eu tinha comprado os animais do Motta, todos os animais, animais ruins, o diabo e tudo. ‘Eu vou vender meus animais pra apurar um dinheirinho’, chamei compadre Miguel, toquei pra Feira de Santana mais ele, vendemos, ficou com um cavalo só, fomos para Santa Bárbara, com o cavalo melhor que eu tinha do lote, cheguei em Santa Bárbara vendi o cavalo, vinhemos dormir aí pro lado do Candeal, na fazenda dos Cordeiros, que era negociante de animais, muito amigo de Compadre Miguel.

Tivemos por aí, no outro dia, amanheceu o dia saimos, passamos no Ichú. No Ichú tinha umas quatro casas, nem a capelinha não tinha ainda, isso foi 1927, então aí, a estrada passava justamente onde está a igreja hoje, era ali, e ia voltar pro umbuzeiro, lá onde eu contrui o matadouro, lá na oficina de Tetê, lá ele voltava para o umbuzeiro, uma volta grande pra entrar no Ichú porque era o cercado. De forma que vinhemos e eu chegando ai, depois de pronto o velho começou a falar, botar, lamentar porque eu ia sair e tal. Eu digo, como é um dia de domingo de manhã, ô meu pai, como é que vai ser? Aloysio tá me esperando coitadinho, deixa eu ir. ‘Mas meu filho, e tal…’, eu digo, ‘Olhe, eu não indo pra Miguel Calmon eu vou me casar, hein, e onde eu vou morar? Eu vou morar em Coité, vou alugar uma casa e vou morar lá’, ‘Não, você divide essa casa aqui’, ‘Não senhor, muito obrigada, não dá certo não, a moça quando casa quer ser dona de sua cozinha, fundo da casa com suas galinhas, se numa fazenda é o que tem, que elas tem a sua distração, e panela que dois mexe ou sai insosso ou salgado, aqui é minha mãe, não dá certo não senhor’, ai eu digo ‘Eu vou construir uma casa, comadre Rola você me vende aquele material daquela casa velha do saco do cipó?’, ‘Panhe pra você!’.

Tava pra cair tudo, fui lá juntei os rapazes e tiramos as tenhas com todo o cuidado, desmanchamos tudo, João Paulino que morava lá passou pra morar na casa da farinha, tava segura a casa. Tirei o material todo, arranjei um carro-de-boi, botei o material todo pra cá e arranjei um rapaz, o Antonio Cordeiro, pra fazer o adobe, era um bom adobeiro, botei mais dois rapazes carregando água, dentro de poucos dias deram pronto. Dois ou três milheiros de adobe e eu chamei Eleodoro mais o Tonho de Gulhermina, dois carpinteiros bons, armamos a casa, cobrimos. Fui no Coité, consegui dois pedreiros, era o Nininha e o Marciano, foram pra levantar as paredes, lá empleitamos pra me dar a casa atijolada e caiada, prontinha, aí eles pegaram, era três homens de casa, pegaram por quinhentos mil reis, eu dando o ajudante, e eu ajudando também. Aí, dentro de poucos dias foi pronta a casa, marcamos o casamento pra novembro. Quando foi, já terminando o serviço da casa, me sai um panarício aqui nesse dedo aí esse panarício aí me desorientou, eu fui pra Serrinha, pra Dr André rasga, Dr André mandou um estudante, cunhado dele, Dr Aderbal rasga, meteu o canivete mas não fez o serviço bem feito. Eu de lá vim pra Coité, sofri, esse dedo foi uma coisa horrível, eu passava a noite toda andando pra cima e pra baixo, meu deus, agarrado no dedo, meu deus, meu deus, até que, o dedo tava uma coisa feia, pedia a Vespasiano, era o dono da farmácia, Aloysio já tinha vendido a ele: ‘tem um bisturi aí? Abra aqui pra frente que o carnecao tá aqui pra frente’, ‘Não, não abro’, ‘Me dê esse bisturi aí!’, Me deu, eu peguei, abri pra frente com minha própria mão, porque não tava brincadeira não. Ai coloquei uma espatulazinha feita de páu, lavei com álcool e tudo, suspendi e arranquei o carnecão, uma coisa monstruosa, e eu botava esse dedo no minimo assim no buraco e dava certo. Cheguei em casa mostrei e a turma tava lá na sala, Nezinho com a turma toda, eu digo ‘Olha pra isso aqui!’, vixe, todo mundo tapou os olhos pra não ver. Mas eu, ai meu deus, eu perder meu cavaquinho, como é que eu faço pra tocar meu cavaquinho com esse dedo, ô meu deus. Aí vamos mudar o casamento, não pode ser em novembro, mudamos pra abril de 28. Ai fiquei, foi quando sarou o dedo.

Quando foi no dia 18 de abril de 1928 houve o meu casamento, que eu tinha a intenção de me casar no dia do aniversário de Aloysio, dia 14 de abril, porque ele casou na véspera do meu aniversário, dia 8 de junho, mas aconteceu que era um dia de terça-feira e nós mudamos pra sábado, dia 18, graças a deus não convidei ninguém, ninguém para o meu casamento. Meus maiores amigos eram compadre Augusto, não convidei ninguém, digo se eu convidar um eu tenho que convidar os outros, eu não quero dar despesa, isso aí é bobagem, eu quero é me casar com a moça, aí apenas arranjei a casa que foi de dona Filó, aluguei, preparei, três dias antes levei meu pai, minha, mãe, Iaiá e comadre Rola pra lá. A vespera de meu casamento foi feito lá um almoçozinho, e ficamos naquele movimento ali, de uma casa pra outra, até que no sábado houve o casamento, graças a deus, tudo em pas. A minha testemunha foi Iaiá, agora o homem eu não me lembro quem foi não. Eu sei que o casamento civil foi em casa, era o Dr Domingos Carlos o juiz pretor quem fazia o casamento em casa. Eu tinha pedido seu Motta e Ageu pra serem testemunhas, como de fato foram. Tinha poucos, Nezinho não convidou ninguém também não, pouca gente, pouca gente, Calixto, essa gente, esse povo, e pronto, pouca gente que tinha, só os irmãos dele, não tinha mais ninguém, eu não convidei também. Isso houve o casamento tal, o jantar etc e tal à noite. Pronto, no outro dia de manhã Idália disse ‘sabe de uma coisa vamos embora hoje, vumbora, vamos embora para o Rio das Pedras’. Falou com mamãe, dona Olympia, falou com Nezinho (…) amanhã, segunda feira eu mando o vaqueiro levar a bagagem. Aí nós vinhemos logo no domingo, dormimos no Rio das Pedras, do velho, nós estavamos sem cama na casa, na nossa casa, no outro dia, meio dia já Joaquim chegava com o carro e tudo, eu fui armar a cama, ajeitamos tudo graças a Deus, passamos pra nossa casa, ali foi 1928, tinha feito um roçadinho, plantei, trabalhei que ave maria, me acabei de trabalhar esse ano. Plantei o roçadinho, o ano não deu, o inverno foi ruim eu digo ‘pronto cumpadre Augusto, como é, que ano eu me casei!’ e ele ‘ vai ser melhor compadre, a gente acostuma logo com o que não presta’, aquele compadre Augusto era engraçado ai eu digo muito bem, passou e tal, Deus me ajudou, eu não sei como é que eu arranjava não, Deus me dava. No fim de 28 fiz um roçado acima da baixa do Jatobá, descendo ali, beirando a estrada, de 16 tarefas, cavei um tanquezinho lá, tive uma chuva, muita chuva nesse ano de 29, e o roçado ai ficou pouco terreno descoberto, pra feijão tava bom, plantei muita abobreira, quiabo, feijão de corda, tive uma safra bonita de tudo, muita fartura. Mas ai tinha alagado de água, ai eu fui, mandei capinar duas tarefas de terra na baixa lá nas terras do meu pai, plantei 40 litros de feijão curió, deu vinte sacos, ai eu entendi de fazer outro vão de casa pra fazer um depósito pra botar o feijão, porque eu não tinha onde botar, porque eu sempre guardava atrás de paiol, feijão misturado com termicida e botava num paiol. E eu, como é, eu fui procurar um pedreiro e não achei, eu mesmo fiz a parede do casa, o vão de casa que eu armei, e fiz o paiol dividido em dois, parede dobrada, eu mesmo fui o pedreiro, fiz tudo, tá lá até hoje pra quem quiser ver. E do outro lado eu fiz um caixão de farinha, botei um canto pra botar um caixão de farinha, quando foi 29, no fim do ano, eu plantei mandioca, fiz um roçadinho la no pasto do meu pai, lá na baiza do chamado os (páus ferros?) e disse, vamos plantar de sociedade a mandioca. Plantamos lá de sociedade os roçadinhos tudo de mandioca, e plantei no fundo de minha casa também que eu cerquei a partinha ali que tinha muita pinheira ali naquele agreste ali, cerquei tudo, (xilicó?), arrancando e tal, e trabelhei que não foi brincadeira, e plantei mandioca, todos os dois lugares, isso 1929. Farinha de cinco mil reis o saco, meu sogro comprou mil e tantos sacos de farinha, botou num quarto na casa de Calixto, e eu digo, não, eu vou fazer muita farinha, não vou comprar não, o dinheiro é pouco. Ai fiquei, quando foi 1930 fiz dois roçados, um do lado da Caiçara, que eu queria acabar de cercar a fazenda do Rio das Pedras, que eu já vinha lutando por lá pro lado da Quaimada Nova, vinha cercando devagar, e ai fiz o outro lado do Caldeirão, 13 tarefas ai e 6 lá, 19 tarefas, plantei milho e tal, no fim já me apertei, tomei cem mil reis a seu Jove, pra dar vinte sacos de milho, que os milhos já tava amadurecendo, eu tenho milho, quando bati, a cinco mil reis o saco eu entreguei, os vinte sacos…”                                                

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Óbito Idelmário Ramos Gordiano

 

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Idelmário Ramos Gordiano, falecido dia 18 de julho de 1982 aos 73 anos, em Conceição do Coité – BA, natural e domiciliado nesta cidade. Era filho de Manoel Ramos Gordiano e Olympia de Souza Ramos.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Fotos de Família – Acrísia e Idelmário

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Acrísia Araújo Gordiano (Zizinha)

Acrísia é filha de Alfredo Camões de Araújo e neta de Antonio Felix de Araújo, foi casada com Idelmário Ramos Gordiano

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Idelmário Ramos Gordiano (Maru), filho de Manoel Ramos Gordiano e Olympia. Casado com Acrísia Araújo Gordiano.

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Gilberto Araújo Gordiano (Teca), um dos filhos de Idelmário e Acrísia.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Procurando Informações

 

Procurando informações no cemitério de Conceição do Coité….

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Neraldo Nunes Gordiano  04/09/1926 –03/05/1967 (filho de Antonio Nunes Gordiano Filho e Nympha de Sousa Pinto)

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Manoel Ramos Gordiano 14/10/1883 – 16/03/1953

Olimpia Bernardina de Sousa 10/04/1862 – 16/08/1979 (A data de nascimento está errada, se fosse assim ela teria morrido com cerca de 117 anos. Vou considerar só a data de morte como certa, pois não tenho essa informação em nenhum outro local. A data de nascimento que tenho para ela é 24/04/1887)

Aurelina Gordiano Carneiro 14/10/1912 – 01/10/1957

Idelmario Ramos Gordiano 01/02/1909 - 18/07/1982

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Octacílio Araújo (Tilô) 15/04/1904 – 21/12/1990 (Filho de Antonio Felix de Araújo)

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Carmen Araújo Fontes 26/01/1939 – 11/03/2003 (Filha de Octacilio Araújo)

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Leopoldino Ramos Gordiano 05/07/1893 – 04/06/1943 (filho de Antonio Nunes Gordiano)

domingo, 22 de setembro de 2013

João Jonas Gordiano e Edla Sofia de Oliveira

 

João Jonas Gordiano era filho de Manoel Ramos Gordiano e Olympia de Sousa Gordiano. Casado com Edla Oliveira Gordiano (Nascida: Edla Sofia de Oliveira), filha de José João de Oliveira e Emilia Sofia de Oliveira.

João Jonas Gordiano nasceu em 24 de Junho de 1918, faleceu 01/12/1997.

Edla Sofia de Oliveira nasceu em 31 de Maio de 1922.

Se casaram dia 11 de setembro de 1943 em Valente-BA.

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Casamentos 1907 - Conceição do Coité

 

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Livro de Casamentos 1898-1916

Estou dando uma olhada nos livros de casamentos de Coité para ver quem da familia eu encontro neles, é uma tarefa dificil por causa da caligrafia mas vou tentar… Vou começar pelo livro mais recente que vai de 1898 a 1916. Estou copiando apenas os nomes que reconheço ou pessoas com sobrenomes da minha familia, pois provavelmente tem alguma relação com meus familiares.

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Data: 10 de Janeiro de 1907

Noiva: Carolina Francisca de Jesus, filha de Francisco de Sá e Araújo e Francisca Maria de Jesus, já falecida.

Noivo: Coriolano Alves de Araújo, filho de Manoel Lauriano de Araújo e Florentina Augusta de Jesus

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Data: 22 de Janeiro de 1907

Noiva: Olympia Bernardina de Souza, Filha de Manoel André de Souza Pinto e Bernardina e Sena do Espirito Santo

Noivo: Manoel Ramos Gordiano, filho de Antonio Nunes Gordiano e Anna Bernardina de Almeida

Testemunhas: Miguel Pinto da Silva e Dionysio Pinto da Silva

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Data: 07 de Fevereiro de 1907

Noiva: Josepha Maria de Jesus, filha de João Fidelis Falcão, falecido,  e (Semiana?) Arcanja de Jesus

Noivo: Manoel Pinto de Araújo, filho de José Pinto de Araújo, falecido e Helena Maria de Jesus

Naturais de Riachão de Jacobina

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Data: 18 de Abril de 1907

Noiva: Francelina Bernardina de Jesus, filha de Antonio Nunes Gordiano e Anna Bernardina de Jesus

Noivo: Cazimiro Ferreira de Oliveira, filho de Antonio Ferreira de Oliveira e Maria Polycarpa Franca

Testemunhas: Abílio Araújo e Capitão Dionysio Pinto da Silva

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Data: 20 de Abril de 1907

Noiva: Luiza Maria da Rocha, filha de Luiz Amancio da Cunha e Maria Francisca da Racha, falecida

Noivo: Joaquim Gonçalves de Araújo, filho de João Gonçalves de Araújo e Antonia Bernardina de Almeida

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Data: 27 de Abril de 1907

Noiva: Anna Lopes de Lima, filha de … Pereira da Lima e Anna Lopes de Jesus

Noivo: Severino Francisco de Araújo, filho de José Francisco de Araújo e Maria Bernardina de Jesus

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Data: 28 de Abril de 1907

Noiva: Romana Maria de Jesus, filha de Florindo Gonçalves Gordiano e Anna Severiana de Jesus

Noivo: Manoel do Nascimento de Almeida, filho de Manoel Clementino de Almeida e Maria das Neves Guimarães

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Data: 30 de Julho de 1907

Noiva: Maria Sancha de Jesus, filha de José Manoel da Motta e Maria Galdina de Jesus

Noivo: José Nerdelino de Souza Pinto, filho de Bartholomeu de Souza Pinto e Maria Conceição de Jesus

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Data: 18 de Junho de 1907

Noiva: Ubaldina Cedraz de Oliveira, filha do Major Aristides Cedraz de Oliveira

Noivo: Belmiro Cedraz de Oliveira, filho de Manoel Cedraz de Oliveira e Martinha Cedraz

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Data: 20 de Outubro de 1907

Noiva: Maria Baptista Magalhães, filha de Jeronimo Baptista Magalhães e Anna Tavares da Silva, já falecidos

Noivo: José Ramos de Oliveira, filho de Possidonio Ramos de Oliveira e Maria Sophia da Cunha