Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

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sábado, 6 de abril de 2024

Busto na Praça Hildebrando Cedraz


Busto do primeiro Prefeito de Ichu será inaugurado neste sábado (9)

Às 18 horas deste sábado, 9 de dezembro, será inaugurado o busto em homenagem ao senhor Hildebrando Cedraz, mais conhecido como Pequeno Cedraz, que foi o primeiro prefeito da cidade de Ichu. A verdadeira obra de arte foi montada em um perfeito mosaico de pedra feito por Helbert Marques da cidade de Queimadas.

O busto do ex-gestor foi instalado na Praça que leva o seu nome localizada no centro da cidade e voltado para à frente da sua antiga residência.

A instalação do busto se deu após o Projeto de Lei 64/2023 de autoria da vereadora Professora Lúcia (PSD) aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo Prefeito José Gonzaga.

No projeto, a vereadora Lúcia justifica que o senhor Hildebrando Cedraz, também conhecido por Pequeno Cedraz, deu muitas contribuições para o município, onde iniciou como comerciante, foi vereador na época em que Ichu era vila de Riachão do Jacuípe, mandato este que conseguiu junto ao prefeito de Riachão a construção do Barracão Municipal e do primeiro prédio rural Duque de Caxias.

Em seguida exerceu o primeiro mandato do município de Ichu de 1963 a 1967 . Sentiu muitas dificuldades em governar porque o município era recém-criado e os recursos eram insuficientes.

Com recursos próprios comprou mobiliários, máquina de escrever, materiais de consumo e tudo quanto necessário para implantação de uma prefeitura naquela época.

Suas principais obras foram: Instalação da Prefeitura onde atualmente é a Farmácia Almeida, Construção do Grupo Escolar Dr. Simões Filho na sede, Grupo Escolar Necy Novaes (Comunidade de Barra) e Grupo Escolar Olegário Ferreira Santiago (na comunidade de Casa Nova), Construção de Matadouro, Açougue, Usina de Luz com iluminação a motor e Câmara Municipal, Instalação da Campanha da Merenda Escolar, Delegacia de Polícia e Coletoria Estadual, Açudes e Tanques de Barro; Iniciou o Serviço de Jardinagem, comprou terreno da Praça Hildebrando Cedraz, Criação do Centro Educacional Cenecista Aristides Cedraz de Oliveira (com o auxílio do seu filho Abelardo), bem como o serviço de Auto-falante.

A praças onde deverá ser instalado o busto a que se destina a presente proposição, tem o nome do homenageado, Praça Hildebrando Cedraz, cujo o espaço público foi construído pela Prefeitura Municipal e encontra-se localizada na frente da residência na qual ele viveu durante vários anos com sua esposa Idália Ramos Gordiano.

Destacando que o senhor Abelardo Cedraz (filho do ex-prefeito Hildebrando Cedraz), também administrou o município de Ichu, no período de 1973 a 1976. Atualmente, o seu neto George Cedraz (Tuca) exerce o cargo de Chefe de Gabinete na gestão do prefeito José Gonzaga.

Fonte: https://alnoticiasichu.com/br/2023/12/09/busto-do-primeiro-prefeito-de-ichu-sera-inaugurado-neste-sabado-9/

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Livro das Gerações - Por Luana Oliveira

 Venho já a algum tempo trabalhando em um livro das gerações da minha família. Toda hora digo para quem pergunta que vou imprimir quando acabar, mas a verdade é que nunca acaba, sempre tem mais informações para acrescentar, estou sempre trabalhando nele.

Então resolvi publicar aqui o link para o livro, assim, quem tiver interesse pode ter acesso a minha pesquisa. Caso encontrem algum erro ou tenham informações extras agradeço se puderem entrar em contato: born2blogbrasil@gmail.com

Quem tiver intersse pode acessar o livro no link abaixo:

https://docs.google.com/document/d/1TKzFexMN9hklQC3Ne3iJ_ov3HyCIm5gOhSUzCJfxQec/edit?usp=sharing

O livro está aberto para que possam escrever comentários, caso queiram fazer alguma anonação nele.

segunda-feira, 15 de março de 2021

História da Minha Vida – Fita 3 Lado A

Meu bisavô Hildebrando Cedraz (Pequeno) gravou diversas fitas, algumas com músicas (ele adorava tocar violão e cantar) e outras contando a história da vida dele. Consegui encontrar algumas dessas fitas e vou postar aqui. Para quem quiser ouvir é só conferir o audio abaixo, mas também coloquei a transcrição (vez ou outra é difícil de entender o que ele fala, então me desculpem se houver algum erro, também não fiz correções, só fui digitando). É importante lembra que ele nasceu em 1901, então a visão que ele tinha de muitos aspectos da vida são diferentes da visão que temos atualmente.

Obs: Uma parte das fitas já está no 4shared caso alguém queira baixar para ouvir:

https://www.4shared.com/file/ZgGKFgekea/Fita_1A.html

https://www.4shared.com/file/Z7ZdU27niq/Fita_1B.html

https://www.4shared.com/file/u_5r7robea/Fita_2A.html

https://www.4shared.com/file/uUS5znO4ea/Fita_2B.html

https://www.4shared.com/file/NLsGPVHCea/Fita_3A.html

https://www.4shared.com/file/N3JsVoooiq/Fita_3B.html

"Essa é a terceira fita da história da minha vida, quem está falando é o seu Pequeno Cedraz, vou iniciar voltando atrás porque quando eu declarei que era de 19 a 25, tempo da elite de Conceição de Coité eu falei sobre as festas das páscoas, mas não falei sobre carnaval, então hoje eu quero falar sobre o carnaval. Foram dois anos que nós fizemos um carnaval muito bonito 21 e 22, era os morenos contra os brancos, os brancos contra os morenos. O título dos morenos 'o amante do progresso' era vermelho e branco, e o dos brancos era 'paz e amor' azul e branco. Os morenos tinham mais facilidade sobre a música porque os músicos, porque todo musico era moreno e a nossa parte dos brancos precisamos contratar alguns músicos deles, custaram nosso dinheiro. E eles não arranjaram os melhores não, mas nós levamos a melhor porque sobre o luxo, a ornamentação, a beleza, foi tudo muito melhor do que 'o amante do progresso'. 'Paz e Amor' no dia do desfile preparamos uma carroça de burro nessa época não tinha carro, o trono da rainha, coisa muito importante, o principe, e os soldados nós chamavamos os arautos, que eram 4 cavaleiros de um lado, 4 do outro, tudo muito, as fantasias lindas e os animais também muito bem arriados, tudo bonito, coisa importantissima. De forma que o nosso desfile foi uma coisa muito importante, eles perderam pra nós aí. Os bailes também, nossos bailes, bailes muito bom, mas naquela época ninguém tinha luz, luz de carbureto, era o que a gente arranjava com o rapaz de carbureto, pra ter uma luzinha pra fazer o baile. O desfile de dia, enquanto tinha o sol, porque não tinha luz na cidade, não tinha nada, era lampião, besteira. Então uma coisa muito importante, essa nossa turma de 19 a 25, foi uma turma muito importante, elite como já falei, isso eu já disse. De 26 pra cá caiu porque os baianos são imitantes, o americano veio pra Salvador com esporte, manga de camisa, alpercata etc. Então a nossa turma era de palitó, gravata, sapato e meia, coisa muito mais importante, mais decente, eles não, acabou essas coisas, ficaram só manga de camisa, mesmo no momento de uma solenidade bonita eles se apresentava de camisa, e a percata não era sapato e meia, uma coisa tada fora da nossa elite. Então daí pra cá veio vindo a outra turma depois disso já foi uma turma escandalosa, com bermuda, com short, moça de biquini e tudo. Uma coisa muito feio. Então daí isso aí faltava eu dizer essas coisas que houve naquele tempo. 

E agora eu vou passar a falar sobre os 5 anos que eu passei depois de casado no Rio das Pedras, que eu também não falei. Quer dizer, em 27 quando eu construi a minha casa, foi que morreu meu tio Ioiô do Triunfo, irmão do meu pai, e eu acompanhei o caixão dele até aqui, eu precisava dizer isso também. Muita gente, uma dificuldade pra vim trazer esse caixão de lá até aqui, nessa areia do descansador e coisa, triste mesmo, acabando com todo mundo, mas pior foi o da velha Felipa que só foi oito rapaz como já contei, mas acompanhei até aqui. Então faltou falar também na festa no no Rio das Pedras, mês de Maria, 3 anos, foi 19, 20 e 21, a turma da guanabara, as meninas da guanabara vinham rezar mês de Maria, aí as peças muito boas, e essa eu solava muito cavaquinho, meu pai com violão, acompanhando as novenas e coisa, foi quando esses rapaz da cacimba, andava procurando um violão pra acompanhar meu cavaquinho, trouxeram um tal de Nacinho aí, passaram a vergonha, o Nacinho não acertou acompanhar nada, nada. Eu naquela época também era quem tinha aquela seringa e vacinar bezerro, vacinava bezerro de todas essas fazendas, dessa região toda, nunca cobrei um tostão a ninguém, ele só pagava a vacina mesmo, mas meu serviço nunca cobrei um tostão a ninguem. 

Foi quando eu mudei pra Ichú, como eu já disse, levei a família em 33. E que lá foi naquela época do chuveiro enorme, uma safra e milho, coisa importante os milhos. Terrano seco, terreno tava limpo, todos os pasto limpo, meteram a enxada e plantaram milho a torto e a direita pra capinar não deu jeito, tinha que capinar, foi roçado de foice, mas o milho deu assim mesmo. O mato cresceu de um jeito que dentro da rua mesmo do povoado de Ichú, mato dava nos peitos da gente, Idália mandava um menino que nós criamos, um clarinho capinar na frente da porta e tudo, um alagadiço danado naquela frente, pra passar pra loja era botando umas pedrinhas pra ir pisando as passadas em cima de umas pedrinhas. E daí então, a capelinha também, seu Hermelino capinava ali dijunto da  porta, por ali, mas a rua toda tomou o mato, depois foi que ajuntamos todos e limpamos a rua. E eu comecei a beneficiar as estradas, principalmente a estrada que ia pra Serrinha pra Dr André que era o médico dar a assistencia ao povo do Ichú. Como o Dr. João Barbosa fez um conserto na estrada de (..) para o morro redeondo a fazenda do velho Domiciano pra vim a jipe ai. Eu então fiz a ligação de Ichú a Morro Redondo. Teve um alagadiço ali na boa visTa, aí eu fiz um como se chama hoje um multirão, convidei os amigos e fizemos juntos numa tarde, muita gente, o cascalhão alagadiço, aí botei dois rapazes pra ir arrancado pedra, entupindo buraco até o Morro Redondo. Foi quando meu cunhado, Dr. Reginaldo Mota, médico, que estava em Feira de Santana, muito amigo de Alvaro Lobo dono de Jerusalém, Alvaro Lobo tinha conseguido com Juracy Magalhães uma verba que fez a estrada de Tanquinho a Candeal, e puxou pra fazenda dele, meia légua mais, da fazenda dele no Morro Redondo é uma légua, o Mota pediu a ele pra arranjar, pra ligar no Morro Redondo. Ele queria vir a carro também aí ao Rio das Pedras, então eles eram inimigos, ele era inimigo de Domiciano, eu tive que ir no Morro Redondo pedir a Domiciano pra consentir os trabalhadores de Lobo passasse consertando a estrada, que eu precisava a pedido do meu cunhado. E Domiciano disse 'pra você mais seu cunhado pode passar, pra Lobo não dou não, mas se é pra você mais seu cunhado pode vir', então Lobo mandou e tal, fizeram ligação pra Ichú, ficou ligado, aí podia vir de Feira em um Jipe, não era um outro carro qualquer qu pudesse vir, mas tinha 22 cancelas do ichú no Candeal, um castigo de cancela, mas é isso mesmo. Mas foi passando devagarinho, um carrinho podia passar por necessidade, (...) também vinha no Ichú com dificuldade mas vinha, dando assistência ao povo. Aí como chuveram, as quixabeiras, muita quixabeira na estrada do Riachão, pra viajar a cavalo, não podia abrir o guarda-chuva, eu botei dois rapaz podando as quixabeiras, da Queimadia a Lagoa, duas léguas. Ai o povo ficou vendo logo que eu era uma pessoa de grande importância, que era a mando do progresso masmo que eu fazia valer. Comecei a encascalhar alagadiço pra todo canto, a estrada que veio do Rio das Pedras, do alagadiço do Ichú, mandei encascalhar, outra que sai pro Riachão, na estrada que vai na fazenda de Neto dos Cachimbos, aí, mandei encascalhar. Aí, fui levando assim, as coisas foram melhorando pra mim, 33, lá vai. De forma que quando foi no principio de 34, em 33 não teve a festa de fevereiro, não tinha padre no Riachão, apenas dona Cidália rezou aqueles dias, era 5, 6, 7 que era a festa, mas tinha a novena, começou antes. Passou não tinha padre, não teve missa, festa nesses lugares pequenos é omisso.

Então quando foi 34 já veio um padre como já falei isso, do Camisão, que aí eu já contei essa historia. Então eu fui buscar Jonas meu cunhado do Coité pra ficar comigo. Meu sogro me consedeu ele pra vim ficar comigo aí trabalhando na loja, foi dia de Fevereiro, nessa missa ele já estava comigo. Passado Isso, veio a professora, a professora local chamava-se Corpiniana, vinheram dois médicos trazendo essa moça, essa professora, com pai, mãe e tudo, Seu Erminio e dona Eulina pai e mãe, e uma irmã. Chegando aí a sala que tinha para ensino, era a casa que foi de Cazuzinha, a parede da frente tinha caido com a chuva de 33, caiu a parede. Aí arranjei outra casinha pra ir aguentando e tal. Quando foi de São Pedro, fizemos a fogueirinha de São João, São Pedro Mané Grande, que tinha uma violinha, que andava acompanhando meu cavaquinho, disse 'Pequeno eu quero que você vá de São Pedro no Saco da Pedra, na festa do meu sogro lá, chama (Mané?) Ramos, lá tem uns violeiros muito bom, e não sei o que', eu fui São Pedro encontrei, mas tinha o Rosalvo do lodogero compenetrado, acabei com ele logo, não tinha noção de música, não tinha nada, e o outro Beto Barbosa, eu guentei ele porque a noite nós tocamos a noite toda, festa boa. 

Passado daí foi quando meu menino Francisco, tinha nascido dia 4 de outubro e nós vinhemos para o Ichú, nós vinhemos para o Ichú em março de 33. Quando foi em abril de 34 ele ainda tava mamando, Idália viciou o menino a mamar, aí desmama, vamos levar esse menino pra entregar a mãe pra tirar essa mama, quando chegamos no Coité 'Ô, mas você trazer esse menino hoje, tem sarampo aqui', ave maria, mas já tamos aqui, vamos deixar. Deixamos o menino, foi a conta, o menino adoeceu logo de sarampo, no fim da semana (...) foi nos chamar, foi nos chamar no Ichú, que o menino tava passando mal em Coité. Chegamos aí ele não nos conheceu mais, um médico aí com nome Maurilio Pinto, se afamado pra criança, chamamos o médico, e injeção e nunca faltou uma injeçãõ, tudo que pedia na farmácia tinha. Mas não houve jeito, a bronquite pulmonar e coisa, o menino morreu. Morreu o menino. 

Aí nós voltamos pra Ichú, foi quando daí então eu vim buscar o Lero e João Garrincha como já falei, e o Zeca Pedreiro, Zeca de Pedro. Lá no Ichú o Zeca eu botei pra fazer levantar a parede da casa, tinha que funcionar a escola. O Zeca levantou a parede e aí passou a Professora Edite a lecionar nessa casa, foi quando eu comprei também a seu Jove, uma área de terra pra fazer um pastinho, porque eu não tinha onde botar um cavalo, me vendeu lá na lagoa, no tanque onde tavam cavando na seca, eu já contei essa história, aí eu comprei a seu Jove 5 tarefas (...) fiz um pasto que já tá com cinquenta e tantos anos nunca acabou o capim, ainda está um resto do pasto, aí faz gosto. Coisa muito importante isso pra mim. Ai eu passei esse ano, foi quando foi criado o distrito, o distrito de paz como já contei, eu fui nomeado subdelegado, tudo isso eu já contei. Então ai Jonas, muito fanático pra futebol, com esses meninões de Finha da Lagoa do Boi, Joãozinho e Almir, começaram, na praça mesmo aí, no fundo, a capelinha tinha o fundo pra rua e a frente pro outro lado. Eles então fizeram o campo ali mesmo, começaram a brincar por ali, lavai o futebol e eu olhando as coisas. Eles sempre faziam os dia de sábado porque domingo era feira, o jogo era dia de sábado.

Aí foi melhorando o Ichú devagarinho com isso, foi melhorando. Então quando foi em 35 eu construi, eu já falei, construi minha casa comercial, pra entregar a de Antonio Pio, porque Antonio Pio fez uma sociedade (...) umbuzeiro, pra botar uma loja de sociedade na outra casa onde eu estava e botaram a loja, mudei pra minha. Foi quando aconteceu o tal famigerado integralista desgraçado contra mim, todo mundo vestiu camisa verde só ficamos nós quatro, eu, Justo, Jonas e Antonio de Jove. E isso foi um inferno esse integralista, um verdadeiro inferno em 35. O Umberto como já contei, não aguentou com a família, a mãe , com as irmãs aí, foram embora pra São Paulo, já contei isso. E entregamos o cartório a Luiz. Isso eu já disse, torno a repetir, dei a Luiz, quem deu fui eu. Aí no fim de 35, foi que eles foram embora, quando foi o principio de 36, teve uma festa, foi uma festinha boa de fevereiro e coisa, a festinha muito boa. Eu sei que o Lero mais o João Garrido e Zeca vestiram camisa verde e ficaram contra mim, foi uma coisa fora, ninguem sabe como é que esses homens faz um papel desse, mas fizeram isso. Então eu tirei a mão de dentro, não forneci mais nada para eles. Em 36 nasceu Raimundo, no dia 2 de fevereiro, eu estava na casa de seu Bié, e então foi uma noite de muita chuva, seu Augusto foi buscar a parteira no canavial, e eu aí não tinha quem tomasse conta de Idália, dona Olympia não estava e eu fui buscar uma madrinha que eu tinha, Alcina, esposa de cumpadre Augusto na Guanabara. Ela veio, tomou conta e tal, se admirou, tinha Gracinha tinha seis anos, era uma menina, parecia uma moça, sabia tudo, tudo, tudo, ela ficou admirada. Esse 36 mesmo o Lero foi se embora com João Garrido e esse pessoal todo, foram embora, não aguentaram ficar aí. Eu fiquei aguentando, eu com Luiz de Elias, bandolim, cavaquinho, Mané Grande, também Zé de Jove, aprendeu a bater cavaquinho também, fazer centro e tal. Nós guentamos aí, guentamos aí em 36. 

Quando foi em 37, foi em 37, que 1937, não me lembro o mês, adoeceu a Mariá, acupe, a noite a menina acordou faltando o ar, uma coisa triste, eu fui pra tanquinho meia noite, duas horas da madrugada saí na carreira mais um rapaz, um cavalo, pra ir buscar dr. João Campos. Pegamos dr. João foi que viemos por essa estrada que eu tinha dado um jeito por lá, o candeal, morro redondo, e ai o rapaz trouxe os animais, eu vim com dr. João, Dr. João chegou ai, felizmente achamos ela viva, o soro não dava, mandei em Serrinha, não achou, o rapaz que veio trazer Dr. João no carro foi a Feira de Santana buscar, trouxe felizmente. Dr João passou esses restos de dia o dia todo, a noite toda. No outro dia acabou de dar as injeções, foi embora e deixou a menina salva. Graças a deus. Agora, perguntou assim dr. João, aquele que era um homem honesto, só me cobrou 100 mil réis, foi o dinheiro que ele me cobrou, eu paguei a ele, foi um pai, foi um pai, dr João Campos, médico importante. Depois me apareceu uma tal hepatite, eu tive uma hepatite, quase morro. Com dois ou três dias tava inconsiente, não podia andar, a urina amarela e tal e tal. O povo dizia, ‘ai o que é isso’. Vou a Serrinha, o médico me deu um, só podia ficar levar 10 dias tomando água de laranja e água de cana. Não tinha laranja nessa terra, passei um telegrama para um amigo meu que tinha em Alagoinhas mandou 100 laranjas imediatamente no trem pra Serrinha, meu consignatario Eurico Paes recebeu, mandou, que todo dia tinha carro de boi em Serrinha, indo e voltando levando milho trazendo mercadoria etc, esse movimento, trouxeram as laranjas. O velho Domiciano mandou me levar um feixe de cana meirinho, em vez de passar 10 dias passei 12. Água de Cana e Água de Laranja, guentei 12 dias. Também sarei num instante, agora recuperou a saúde ligeiro, ligeiro, ligeiro. Passei esse tempo, passei esses dias com essa dieta e comendo açucar preto, o povo me ensinou que açucar preto era muito bom eu comia açucar preto. Então foi em 37, foi quando nós resolvemos jácontruir a igreja, construir a igreja, Jonas teve que tirar o campo do meio da rua. Comprou o chão a seu Jove. Esse dinheiro foi arranjado com ele, eu , meu pai, Manezinho do Recanto e Cloves de (...), cinco cumpanheiro, arranjamos o dinheiro pago a seu Jove e passou a escritura. Passamo a escritura ao time do Bota-fogo., e logo imediato o Zoroastro, parente, um primo meu Cedraz, conseguiu dinheiro, comprou os arames, pedindo a um e a outro apostiação e cercou o campo, Zoroastro, cercou o campo. Lá vai a coisa melhorando cada vez mais. Aí Leilão mais leilão pra construir a igreja, foi quando Antonia da tuba, um velho preto que tinha do lado das Flores, não tinha filho, veio oferecer pra passar a escritura do sitio dele para a igreja, aí acertei com seu Ermelino, me deu animal, fui buscar o tabelião no Coité, Maximino Madureira, pra passar a escritura lá na fazenda que é município de Coité. Foi quando Isaque resolveu a comprar, dando 3 contos pelo sítio, e o velho Antonio da Tuba veio oferecer a metade, um conto e quinhentos, quando tava construindo a igreja seu Herminio pegou, um conto e quinheos e ele pegou pra comprar uma casinha pra morar aí dentro da rua, como comprou. E vamo levando assim, construção da Igreja 37, tudo muito bem.

Foi quando eu fiz, agora fui fazer um roçado 20 tarefas que tinha dentro dos meus pastos do Rio das Pedras, umbuzeiro dos cágados, aí derrubei, plantei capim e milho mas veio trovoada, não prestou, o capim veio todo. E meu sogro Nezinho ganha muito dinheiro, soltando boi de sociedade, criava uma boiada, botava outra, um tempo bom que eu peguei naquelas épocas toda. Chegou ao ponto Delfino eu pedi 50 garrotes a ele de sociedade, mandou 70, eu não sei como é que esse gado engordou, uma coisa importante, ele vai vender ai e tal 70 bois. Esse movimento que eu fiz foi um movimento muito bom. Isso passou o ano de 37, quando foi 38 é como eu já contei, foi a democracia provisória, foi eleito o… Sim em 37 morreu, eu já contei isso, o Juiz de paz, eu já contei essa história como foi que ficou. Eu passei pra juiz de paz e Valter Ferreira para Delegado.

Aí em 38, essa democracia provisória, foi quando eu tinha comprado a casinha ao Marcos do Morro Redondo, e depois o veio Domiciano pediu pra eu ceder a ele, pra fazer casa de apoio, como eu fazia pra mim e praele. Eu peguei, fiz a casa e terminado o povo do Calungui tava preparando a casa do Calungui, que o velho quando morreu, antes de morrer disse que a casa era pra eu morar, pra me alugar. Os filhos, pegaram eu fazendo a casa, mudei de lá da casa velha de seu Bié pra cá pra casinha de Domiciano, enquanto preparava a casa do Calumbi, foi quando prepararam e eu mudei pra lá. Isso foi em 28 pra 29.

Foi quando veio 29, nozinho foi nomeado como intendente em Riachão, pela democracia provisória, e ele veio com Severino pra fazer, que eu já contei essa história, eu construir o mercado.  Aí pra eu construir esse mercado Manoel Grande pegou logo com os meninos levantaram logo as colunas em um instante. Mas eu arranjei um tal de Sebastião, um carpinteiro, esse ficou a vida toda pra poder fazer esse trabalho. E eu comprei as telhas, 8 mil telhas a Domiciano velho. Pra satisfazer ele, as telhas não eram boas não, mas o velho tava com muita coisa comigo, com o Ichú e eu comprei as telhas a ele, 8 mil telhas. Lá que ele cobrisse isso, eu passei a morar lá na casa do Calumbi, faltava alguma coisa, eu completei lá de banheiro, de sanitário, essas coisas. Organizei tudo direitinho lá e passei pra morar lá. Isso em 29 pra, em 39 pra 40. Quando foi em 40 que eu mudei, o Dr Nezinho Barbosa, filho de Domiciano, botou um gabinete dentário e tal e ali ficou. Depois Domiciano pega a casa, o Nezinho foi embora, Domiciano vendeu a casa a Tote da Quixabeira. Estevão Bispo já estava  aí coitado, tinha se quebrado lá no Candel, veio pra ai com um negocio de desnatadeira e coisa e tal, alugou a casa a Tote. Tote comprou por 5 contos a Domiciano. Alugou a casa a Tote, logo aí comprou a casa por 8 contos a Tote pra o sogro Pedro Aposto. Ficou o Estevão  por aí bombando, me tomando cimento na loja pra fazer espeto de porco e essas coisas, todo fora de jeito, esse povo que quer começar de cima pra baixo, não pode tem que ir de baixo pra cima. Então o Estevão, meu compadre, amigo fui aguentando com ele. 

Isso foi em 40, quando foi na média de 41 ele não pode ficar e foi embora e eu comprei a casa por 12 contos. Comprei a casa já futurando porque eu tava com Iaiá e Leni lá em santa Luz, e Leni ia passando melhor e ia trazer ela praí, comprei a casa por 12 contos. Comprada essa casa aí eu já tinha o serviço do barracão, tava bem adiantado, Sebastião tava até minando pra cobrir, etc e tal. 40, 41, no fim de 41 Estevão foi-se embora, foi isso que eu já disse.

Quando foi em 42, Jonas foi pro Valente, eu fiquei. Jonas foi pro Valente, eu fiquei só, mas aí eu comecei a construir minha casa, residência. Era Mané Grande e José Eustáquio, José de Jove. José de Jove me ajudava a vender na loja dia de Domingo, dia de feira e trabalhando na casa mais Mané Grande. Pegaram o serviço, bem certo mesmo e eu ajudando e açoitado, isso foi em 42. Foi, então daí, foi quando Dr João, derrubou João Morales e foi nomeado ele como intendente do Riachão. Eu pedi a ele pra fazer o piso do mercado de cimento, ele disse que não, fazia de pedra. Aí a turma toda ficou triste porque o mercado nós queria fazer um clube, uma espécie de um clube, pra fazer baile de Natal, nós fazia muito baile de São Pedro e de Natal, mandou fazer de pedra. Botei o carro de José Brandão, o pai do Zuzu Galheiro, panhando as lajes lá pro lado da fazenda de Neco dos Cachimbos e forrei de Pedra todo, mas ficou uma coisa ruim, lajes, ajuntada de cimento ‘o senhor só gasta até um conto e quatrocentos’, eu fui gastar um conto e quinhentos ele se aborreceu comigo. Tem nada não doutor, se a prefeitura não pode pagar eu espero. Aí foi, Dr. João, como intendente ali e coisa isso em 40.

Quando foi em 42, isso, 43, já perto, no fim de 42 eu mandei buscar Iaiá e Leni praí, eles vinheram, ficaram aí, no fim de 42.  Então no fim de 42 foi isso. 43, já pra terminar a casa, faltando pouco, só tava trabalhando ladrilho essas coisa por dentro, um acabamentozinho, foi quando eu levei Idália para ser operada, então botei o Roque Bamba como meu empregado, Roque Bamba entrou, eu não podia ficar, com essa vida lá pra Salvador com Idália sem ter uma pessoa. Botei Roque Bamba e deu no couro mesmo, fez um movimento muito bom em 43, deu bastante lucro a casa 43. Foi quando nós terminamos o serviço da casa que Idália veio, eu comprei um candeladozinho pra fazer uma surpresa a ela mas o candeeiro deu bronca…”


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

História da Minha Vida – Fita 2, Lado B

Meu bisavô Hildebrando Cedraz (Pequeno) gravou diversas fitas, algumas com músicas (ele adorava tocar violão e cantar) e outras contando a história da vida dele. Consegui encontrar algumas dessas fitas e vou postar aqui. Para quem quiser ouvir é só conferir o audio abaixo, mas também coloquei a transcrição (vez ou outra é difícil de entender o que ele fala, então me desculpem se houver algum erro, também não fiz correções, só fui digitando). É importante lembra que ele nasceu em 1901, então a visão que ele tinha de muitos aspectos da vida são diferentes da visão que temos atualmente.

Obs: Uma parte das fitas já está no 4shared caso alguém queira baixar para ouvir:

https://www.4shared.com/file/ZgGKFgekea/Fita_1A.html

https://www.4shared.com/file/Z7ZdU27niq/Fita_1B.html

https://www.4shared.com/file/u_5r7robea/Fita_2A.html

https://www.4shared.com/file/uUS5znO4ea/Fita_2B.html

"Isso foi 1930, mas Idália teve o primeiro filho no dia 29 de janeiro de 1929, Homero, esse meninozinho muito lindo. Eu tinha botado uma venda pro serviço do cercamento da fazenda e tal, como já disse houve a questão do povo do galheiro, e eu matava boi e tal, eu comprava ovo. E com isso fiz um movimento grande lá no Rio das Pedras com esse negócio. Então depois dessa luta, o negocio da questão do galheiro que eu ganhei, fiz cerdado, trabalhando com muitos homens. Eu saia de manhã, voltava de tarde, Idália mandava levar minha comida meio dia lá no mato. Meu pai disse que era pra eu tomar nota que me pagava, não quiz não senhor, quero cercar e lhe entregar a fazenda na chave, não quero nada não senhor. Isso o menino foi pirigando, eu dava duas viagens por semana a Serrinha pra ver se dava jeito, mas não pode porque tinha deslocado um rim, eo rim estava crescendo, crescendo, crescendo, doutor André disse: 'não, esse caso pode operar, mas de mil escapa um, você é quem sabe'. Não não vou operar não, não adianta, vamos maltratar ele mais ainda, deixe pra lá. Ia ruizinho, foi quando Idália teve Mariá, dia 18 de junho 1930. Foi no ano que eu tive esses milhos, fiz muita farinha, eu fiz ...só a mandioca que plantamos de sociedade lá no palperio (pal ferros?) deu 160 sacos, 80 pra cada um. Eu tinha feito um caixão de 100 sacos, mas a mandioca que tinha plantado no fundo ca casa eu não arranquei porque a prensa quebrou a porca e pra vir demorava, já chovendo trovoada, eu não, farinha barata eu vou comprar pra enteirar, ai comprei faria, acabei de encher o caixão, a 5 mil réis o saco, comprei um saco de esteira, enchi um bocado de saco de farinha e tal também, e a mandioca ficou lá. Mas quando foi em 31 eu fiz outro roçado, o ano não deu nada, nada mesmo em 31, então eu perdi a mandioca. A mandioca pocou, eu não pude arrancar em 31 e nisso ficou, eu lutando com as dificuldades, foi quando eu tava com uma porção de gado e eu não tinha os pastos não davam, pra eu ficar criando esse gado todo assim. Eu fui a Impueira tinha gado na Trovoada, fiz uma berdueguinha, e eu banquei bobo em vez de descer meu gado pro lado do Santo Antonio levei meu gado, 64 rezes, pra Impueira. E quem tomava conta era o cabra lá preguiçoso, que era um moreno, deixou meu gado morrer. Deixei o gado lá e não chuvei mais nunca. Nunca, em 1931, 64. Ai eu não esmoreci não, fiquei por cá trabalhando e tal, 31 veio 32, veio 32 eu puxei outro roçado de 25 tarefas lá pra perto do rio Itaí. 32, 25 tarefas. Ficamos no meio, umbuzeiro dos cágados chamado ???? da caatinga, mas cerquei tudo, deixei preso e plantei o roçado de mlho, plantei todo de milho e capim. Nunca choveu, ai o povo começou a se apertar e eu acabei a venda porque não tinha ninguém, já tinha ido embora tudo pro recôncavo, procurando recurso, não tinha mais ninguém Mediocler e seu Maurício. E pronto, 32 ruim, que é que se faz, o povo pra ir embora, ai eu plantei o roçado e meu milho e coisa, ai veio Deodoro e me pediu socorro, seu Maurício. Botei Mauricio pra serrar madeira e Deodoro, veio Vitorino guentei Deodoro, Vitorino e seu Mauricio durante a seca de 32 fazendo portas e janelas, fizemos um caixão, mais um caixão que levava 130 sacos de farinha, mas ai já não botei farinha mais nesse ano, já era 32. Não tinha, a farinha já tinha subido de preço. Ai guentei com esses homens fazendo portas e janelas, fizemos muitas portas e janelas, minhas umburanas acabou, meu pai não queria que eu tirasse muita umburana, eu fui pra queimada nova, Joaquim me deu, foi lá que eu tirei mais um bocado de umburana e seu mauricio serrando e eles fazendo portas e janelas. Quando foi no mês de julho veio uma chuvinha. Deoclecio havia descido, estava em feira de Santana com a família, eu mandei chamar ele, que ele voltasse. Plantei um pouco de feijão, milho não dava mais, mas o capim nasceu todo, o milho já tinha apodrecido o capim nasceu todo. eu plantei um pedaço de feijão, mas foi quando eu tinha um lote de carneiro gordo, vendi a cumpade Camilo pra Serrinha e a (...) desses carneiros tava lá no pasto de Leli mais Iaiá, eu tava cavando cova de feijão mais seu Maurício, fui entregar os carneiros e correu um carneiro eu fui atalhar e seu Onô tinha puxado, desmanchou uma cerca no pasto dele, por dentro do pasto, deixou só um fio de arame, na carreira que eu ia, quando descobri o fio de arame botei a mão assim pra não me desgraçar o rosto, cortou minhas mãos todas, não pude mais pegar na enxada nem nada, me atrapalhou, ai eu voltei, a mão cortada de arame, ô minha nossa senhora que coisa ruim. Fiquei, fiquei disse sabe de uma coisa vou embora pra Ichú, vou procurar um lugar pra eu entrar no comércio, vou entrar em um comércio, não posso ficar assim me acabando não. Me acabando de trabalhar, seca só seca, só seca, não tá dando nada, meu gadinho que levei lá pra cima tá se acabando também. 

Foi quando Homero no mês de junho, no fim de julho, Homero perigou, e dona Olympia tava aí, nós tinha perdido 28 noites, vamos levar esse menino pra Coité que lá tem mais gente pra gente ficar. Aí saimos com o menino, o carro de boi com a bagagem, dona Olympia, Idália, Idália tinha Mariá pequenininha, a criança tava com 28 dias ou 30 dias, e nós fomos, eu com Homero no cabeçote, ficava só olhando ele assim, desfiava o cigarro todo ou um cachinho de jurubeba, quando chegamos na Onça, era meio dia, fomos descansar um pouco, daqui a pouco dá leite ao menino, remédio e tal, saimos, não viajamos duas tarefas o menino estirou, Olympia o menino tá morrendo, Idália correu chegou o menino tava morrendo mesmo, chegou botou lá em cima do carro o menino morto, todo mundo chorando e tal, fomos pra Coité, lá só fomos enterrar a criancinha, morreu ele Homero. Passamos lá umas semanas voltamos de novo eu mais Idália, voltamos com Mariá pequenininha. Dona Olympia batizou logo mais neninho a criancinha pequenininha e nós voltamos pro Rio das Pedras, no mês de julho.

Quando foi em Outrubro, foi outrubro ela teve, Outubro de 32, isso foi 31, quando foi em Outubro de 32 ela teve Francisco, dia 4 de outubro. Nasceu Francisco, eu já tava me arrumando pra ir pra Ichú, então eu pensei em ir pra Ichú. Mota morava em Feira de Santana, disse que se nós arranjasse uma estrada aí por dentro, que logo fez a estrada de Tanquinho pra Candeal, e puxou pra fazenda dele, se pudesse ligar. Eu digo vamos ver que jeito se dá. Eí eu pensei vou fazer o seguinte, pra impressionar o povo do Ichú eu vou pegar esse resto de homens aqui e vou puxar a estrada, a estrada daqui pra Ichú. Peguei uns quatro rapazes e fui levando, entupindo buraco e tal, arrancando pedra, do Rio das Pedras duas léguas. Toquei, quando cheguei na lagoa do boi veio zuca da Aleluia chamado que ele tinha uma fazendinha ali no contador, quando viu meu trabalho disse "vixe nossa seu pequeno', 'eu vou levar pra Ichú'. Ele foi lá, quando voltou eu já vinha na capoeira do rio com o trabalho chegou no Ichú disse Pequeno vem com o trabalho bem feito só nós ajudando ele. Passei a capoeira do rio, a estrada por dentro do rio, uma volta desgraçada no umbuzeiro, outra volta na capoeira do rio pra sair no umbuzeiro, cercado grande, lá pelo banguelo. Ao final que quando cheguei no Umbuzeiro a turma do Ichú veio me encontrar, a turma do Ichú veio me encontrar e aí nós juntamos todos dentro de dois dias chegamos no Ichú. A estrada ia sair lá no Peixe como já disse, no matadouro, onde eu fiz o matadouro, mas seu (joão dão?) não tava ai, cortamos a volta pra sair no cemiterio, saimos ali no cemitério. Eles já tinham arranjado um cemitério no Ichú. Saimos ali a estrada. Quando chegamos lá logo Antonio Pio seu Zé do Umbuzeiro, os dois, 'Pequeno venha pra qui, rapaz, pranha pra qui, eu lhe vendo aqui minha mercadoria, lhe dou a casa você não paga tostão de aluguel. Coisa ruim ele tinha uma venda na Aleluia, na fazenda dele e tinha essa lojazinha na rua. O Ichú já tava maiorzinho, uma porção de casinha de rancho, tudo casa de rancho, tudo casinha de rancho e tinha uma capelinha no meio da rua. Quando eu passei por lá em 27 apenas tinha um sino amarrado no fecha da casa do velho Joaquim. E aí já tinha uma capelinha no meio da rua, capelinha pequena então ' a eu lhe vento e tal' , eu fiz o negóciocom Antonio Pio, eu tava pensando isso mesmo, comprei a mercadoria dele, fiquei na casa, seu Jove veio me vendeu, ai seu Nery disse 'oi pequeno cuidado com seu Hermelino, ele tá devendo', tá bom, seu Hermelino cansou comigo, não seu Hemelino, peraí o senhor tem débito, sua mercadoria tá maltratada, depois posso compra, mas agora não posso não, meu capital é pequeno, já comprei a esses paguei, empatei meu capital, e tal. Fiquei por ali, eu só tinha, eu tinha vendido meus animais a Luis Chiquinho quando tinha que ir pra lá, vendi meus cavalos, três cavalos gordos por 2500 a Luiz Chiquinho, dois contos e quinhentos pra enterar o dinheiro pra ir pra lá. E fiquei nisso ai agora, a influência seu Pequeno, todo mundo era seu Pequeno, o senhor quer ficar aqui, que aqueles freguês dele entrava, liberdade de se despachar dentro da venda, 'não! Aqui dentro só fica eu e o rapaz que vai me ajudar, não tem esse negócio de ficar aqui dentro da venda não'. Aí tirei logo todo mundo, despachava no balcão. Idália ficou no Rio das Pedras, não podia ir que não achou uma casa que servisse pra nóis morar. Consegui uma casa de rancho, que com (...) disse você pode concertar como você quiser, não tem problema não, aí eu meti o páu, fazia cozinha, murar a casinha, fazer cozinha e tudo, uma latrinazinha que não tinha. Aquilo era uma coisa, uma pobreza, em 32. Eles estavam cavando um tanque que coronel João Passos tinha prometido 20 contos, fez que podia cavar o tanque que ele arranjava lá com o governador, mas era Juracy Magalhães, não podia arranjar nada. Ele não podia, quem tinha força era Rufino, mas João Paulo arranjou os 20 contos e eles bateram cavando o tanque lá numa lagoa lá no fundo da rua e tal. Aquilo por besteira cada meta e eu fiquei nun jegue, vinha de manhã, abria a venda, quando eu vendia dez de reis já fazia a feira, fechava a venda e ia embora pro Rio das Pedras. Aí nisso fiquei, trazendo tinha um carro de boi do Rio das Pedras, que eu tinha arranjado um carro de boi, e o carrinho trazendo madeira e tudo, até que preparei a casa. Mas isso foi 32, entrou 33 ruim, lá vai janeiro, fevereiro. A chuva veio chegar em Março, chegou temporal bom. Foi quando eu trouxe Idália praí. Trouxe Idália praí pro Ichú, levei pra lá, nessa casinha, mas já bem arrumadazinha, ficamos lá. 

Então eu fiquei por lá, não tinha animal, eu pra fazer uma viagem a Riachão ou Serrinha era tomando seu Zé do Umbuzeiro um cavalinho a ele ou seu Antonio Pio. Emprestava, eu tinha vendido meus animais todos, só tinha esse jeguinho, que eu ia pro Rio das Pedras e voltava. Quando Idália queria passear no Rio das Pedras ia a pé, cansou de ir a pé coitada, e eu com um menino na garupa no cabeçote, nós tava com três menino, Abelardo, Mariá e Francisco assim pequenininho. Aí nós fomos levando assim, a coisa foi melhorando um pouco, foi indo, lá vai. Foi quando houve uma grande safra, seu Hermelino muito trabalhador, o povo do Ichú é muito trabalhador. Quando, nesse interim, foi quando eu era delegado, sim, eu me esqueci que quando foi 1930, depois daquela revolução de 30, Eustórgio, eu passava me chamou disse 'venha cá' eu esqueci de falar isso 'você venha ver' pegou o diário oficial, para delegado de Coité Eustorgio Pinto Resedá, para primeiro suplente Hildebrando Cedraz da Silva, opa, eu primeiro suplente, veja a confiança que ele tinha em mim. Ele me nomeiou como primeiro suplente, eu já tinha me esquecido de dizer isso, foi em 1930, depois da revolução de 30 que ele fez isso. 

Quando foi em 31 ele me passou o exercício de Delegado. Quando eu vim para o Ichú, Riachão era submisso a Coité, era Durval Pinto o prefeito do Coité, o intendente, tinha um Arnaldo Motta farmacêutico em Riachão que era o vice intendente, o sub intendente e delegado de Riachão. E eu tava de Delegado o tempo que tava com a portaria que Eustorgio me entregou me passando o exercício de delegado, podia dominar tudo com aquele. Tava como delegado de Coité e Riachão esse tempo todo, isso eu tinha me esquecido de declarar, essas coisas são assim mesmo. Então eu fiquei no Ichú, era o delegado daquele termo e tal, então não tinha padre no Riachão nessa época, pra arranjar uma missa, eles arranjaram, conseguiram um padre de vir de Camisão, hoje é Ipirá, rezar uma missa aí. Existia no Ichú uma turma de gaeteiro, os filhos de Hermilino com Luis de Elias e tudo, era uma turma de gaitas que era a música do Ichú. Quando o padre chegou eles vinheram fazer uma recepção, o padre se aborreceu com eles, mas tinha uns barbeiros do Calderão que costumava vir tocar nas festas, festa sempre foi lá iniciada em fevereiro, 5,6 e 7 de fevereiro. Quando o padre soube que vinha os barbeiros disse não ia tocar não, que não era pra tocar não. 'Não é porque padre?' pois será possivel, não é possivel uma coisa dessa. O tempo já tava bom, já foi em 33, tempo bom, me ofereceram uma melancia muito bonita, me disseram ' o padre gosta de melancia rapaz', hospedado na casa de Luiz Conrado, ai eu digo oxe peraí padre tá caçando briga, deixa eu ir lá, mandaram eu levar a melancia a ele. Aí fui com três companheiros lá 'ô seu vigário, como é e tal e tal, o senhor não quer que toque? nãovtenha paciência, isso é tradicional, o senhor marque quando é que só vão tocar na hora que o senhor mandar, garanto ao senhor que ele não faz nada fora'. E já o subdelegado de Candeal chegou 'a porque eu mando tocar', 'não peraí rapaz, alto lá, eu sou o delegado do termo, 'ha´é o senhor?' a é, não é assim não. É um preto que tinha do Candeal, esse povo já sabe como é. Aí o padre concordou, marcou os horários e os barbeiros foram tocar no horario marcado por ele. Daí em diante ele passou uma semana aí. O padre gostando, e obedeceu todo mundo e os barbeiros podia tocar a hora que quizesse, então foi quando houve a festa de fevereiro, coisa muito importante. Depois eu fui a Coité, consegui com Lero, João Garricha, violão, Lero bandolim, Zeca Pedreiro era o cavaquinho, vamos fazer uma orquestra no Ichú. Aí eles eram sapateiros, digo eu  forneço a vocês, eu lhe forneço a mercadoria você faz o seu trabalho vá vendendo e me pagando, aí tá certo. Levei eles pra lá, chegaram lá eu comprava mercadoria, sola, couro,.... Tudo tudo dava aeles, eles tinha máquina, tinha tudo , fabricando  um percata e vendendo, um chinelo e coisa, sapato e me pagando, compra mais e fomos levando assim. Orquestra muito boa. Ja foi no ano de 34, ano bom, tudo correndo bem. Eu peguei Jonas e levei pra lá, Jonas meu cunhado, pra me ajudar na loja, 1934. Lero mais João Garricha, esse povo todo lá no Ichú, tudo meu era no Ichú e lá vai. As coisas melhorando mesmo, 34, e foi indo. Nunca mais eu fiz um roçado nem coisa nenhuma, quando foi, isso foi em 34, 35. Sim 34 nós criamos o distrito de Ichú. Aproveitamos, tinha o administrador de Zé Rufino, era Justiniano Soares Militão, tratava Justo, um preto que se interessava pelo Ichú demais. Em 32 ele havia levado os animais de Zé Rufino pro Santo Amaro pra (recursar?), as éguas com tudo, e botar num pasto dum cidadão lá da fazenda chamado Vanique, aí tomou dinheiro no banco e morreu, deixou o debito, tiveram que vender essa fazenda e Justo pegou essa viúva com as filhas e trouxe pra Ichú. Comprou a fazenda de Zé Martins ali perto da rua, Bom Jardim, e a viúva veio praí.

Aí criamos o distrito, pra ser nomeado o filho mais velho dela, Umberto como escrivão. E foi criado o distrito e eu fui nomeado como subdelegado, logo aí de novo era o intendente de Coité me tirou, logo já tinha saído de delegado do Coité. Fui nomeado subdelegado de Ichú, Umberto o escrivão, e Leonardo das Balizas o juiz de paz. Ficamos o Ichú, eu no Ichú como subdelegado, Umberto escrivão, mas Umberto desajeitado, tudo pra começar é difícil. Umberto coitado, não fazia nada, um meninozinho pra registrar, uma besteira e não dava pra passar, eles diziam que iam morrer de fome, daí um ano, uma coisa, se não vamos embora pra São Paulo. Resolveram vender a fazendinha e ir embora pra São Paulo. Justo mesmo, mais ajuntaram mais outros lá e compraram a fazendinha e eles foram embora pra São Paulo e Umberto deixou, entregou a Zé Rufino o cartório, pra Zé Rufino resolver. Foi quando Luiz se aproximou pra querer ser candidato do cartório e Zuca Trabuco. Zé Rufino mandou me chamar, 'o que é?', 'É porque tem dois candidatos aqui no cartório e você quem resolve, tem Zuca Trabuco de José Trabuco e tem Luiz de (Anguelino/Armelino?)'. 'Entrega a Luiz!', 'Oie Compadre, esse povo é muito falso'. Mas eles são muito pegado comigo, são muito pegado comigo, deixei ele mesmo. Foi quando Antonio de seu Armelino pagou o débito que tinha a (Frente e Silva?) de Salvador, deu um gado, deu uma mula que ele tinha de arreios, mercadoria eles não queriam, tudo maltratada. Aí pagou um boi que ele tinha comprado por um conto de réis, um boi Gir, tudo isso o povo viajando. Foi quando Antonio Moura carneiro, era credor, veio, ele só tinha junta do boi de carro, seu Hermelino, e tinha deixado umas quatro vacas pra tirar leite. Ai Antonio Moura Carneiro acertou pra dar 'dou 60 dias pra ele pagar ao contrario tem que ferrar os boi de carro', e disse pra eu comprar as mercadorias 'Não a mercadoria deles tão muito maltratada, ai vencido o prazo eu tive pena de seu Hermelino. O carro de boi ele levava mercadoria, milho pra serrinha e trazia e trazia mercadoria da gente a dez o saco, ele tava vivendo disso coitado, muito trabalhador, pedindo. Fui a a Feira 'Seu Antonio, como é? Se eu comprar a mercadoria do seu Hermelino o senhor me guenta pra eu ir lhe pagando', 'Oxe Hildebrando, pode fazer o negócio, eu tô com pena de ferrar os boi de carro dele. Vamos deixar e tal'. Aí ele tinha me entregue o ferro, tá até guardado lá no meu armazem no Ichú até hoje. Eu fiz esse grande favor a seu Hermelino, então comprei a mercadoria, deu pra pagar o debito de Antonio Moura Carneiro e ainda sobrou ainda cento e tantos mil reis, eu entreguei a ele o dinheiro, dei em primeiro lugar logo a seu Hermelino que precisava e fui paguando seu Antonio Moura, pouco tempo eu paguei tudo, graças a deus. Pois o tempo tinha melhorado eu vinha ai Virgilio tinha vendido a loja dele a Estevão Bispo era um empregado dele compro. Apertado, não tinha o dinheiro, Virgilio tomando o dinheirinho que ele apurava todo para pagar trabalhador lá no candeal e o pobre do Estevão apertado, então eu ia comprar mercadoria a Estevão tudo de graça, mercadoria barata, bulgariana de cruzado de quinhentos reis, madastro algodãozinho, tudo, brilho diamantino de dois cruzados, a mesca, tudo baratinho. Eu fui na Caiçara 'Jove você me empresta, tem algum um dinheirinho?' 'Eu só tenho aqui 300 mil reis, até Totonha veio me pedir aqui emprestado um dinheiro pra comprar uma farinha, eu disse a ele que não tinha, mas você cala a boca, fique com esse dinheiro lá, só me dá quando eu procurar, não quero que ninguém saiba'. 300 mil réis, eu fui, oxe, fiz um feirão, sorti minha loja com 300 mil réis e mais um dinheirinho que eu arranjei aí da cera que eu fazia, oxe uma beleza, aí comecei a melhorar, melhorar, melhorar, melhorar e lá vai. Eu no Ichú, muito bem e coisa. 

Foi quando daí em 35, já era juiz de paz, foi quando morreu o juiz de paz Eulálio das Balizas, foi quando então Maninho Ferreira tinha vindo praí botou uma bodega, tinha Apolonio, Satinho essa gente tinha umas bodega, e eu então, Manu Ferreira botou uma bodega, eu digo, Maninho eu vou lhe nomear como subdelegado daqui, 'pequeno não' vou botar porque eu vou passar pra juiz de paz, Eulálio morreu, e você fica como subdelegado. Ai nomeei Maninho, Maninho 'Pequeno eu vou renunciar', 'Porque?', ' Não tem quartel, Seu Hermelino vendeu o quartel daí a Zé Damião do Riacho da Areia, e Zé Damião comprou o Quartel. Seu Hermelino disse que a prefeitura não tava pagando nada, que ele vendeu a Zé damião por um conto de réis o quartel. 'Não peraí que eu vou ver Zé Damião'. Zé Damião você me vendeu, dou lucro, ai comprei de novo o quartel, 'Tome Maninho a chave, você fica como delegado, seu quartel'. Ficou lá, Maninho como subdelegado e eu como Juiz de Paz, ficamos esse tempo todo, lá vai a gente.

Quando foi em 38, apareceu aí uma coisa, parece que acabou, porque era ditadura, naquele tempo de Getúlio Vargas, coisa aí. Mas teve uma passagem aí, teve em 38 uma democracia, ligeiro, provisória, que fizeram uma eleição bico de pena Pedro Mascarenhas o prefeito, e me nomearam, me elegeram também como Vereador.Tmabém foi poucos dias acabou isso. Acaboi isso Pedro Mascarenhas deu pra beber cachaça, ficando bebado, estragando a família e tal, bestando. E eu piquei de novo, passei para Juiz de Paz, de novo, foi levando, isso em 38, 39. Tudo ditadura, ditadura e eu sempre com prestigio ali.Fui levando, 39, 40. Sim, em 35 o Antonio Pio exigiu a casa e eu tive que construir uma loja em 35. Construi aquela casa da loja, fui na Queimadinha tirei um pedaço de casa velha lá e (minha dedela?) me deu, panhei, construi a loja. Entreguei a chave a Antonio Pio lá da loja do Povo chamada, chamada loja do Povo e essa daí eu botei Avantajosa. Jonas tava comigo. 36, quando foi 36 se não me engano João Morais veio, Seu Hermelino pediu, João Morais era intendente lá do Riachão, veio pra levantar o mercado, que aí tinha um barracão feito por seu Hermelino mas caiu, aqui chuveu e caiu o barracão, quebrou tudo, não prestava. De junto da loja, onde eu construi a loja. Aí João Morais veio, 'como é seu Pequeno? Você vai tomar conta disso aqui, pra levantar aqui esse mercado. Eu só faço aqui no lugar onde está' 'Você é quem sabe, faça aí mesmo'.