Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Escritura

 

Mais uma escritura antiga que encontrei nas coisas da minha avó Sineide Ramos…

Documento: Escritura de Compra e Venda

Vendedor: Veridiano Gonçalves da Rocha e sua mulher Maria Senhorinha da Cunha

Comprador: Manoel do Bispo dos Santos

Imóvel: Terras nas terras do Penhasco, deste termo, que pertenceram a Manoel Longuinho de Araújo e sua mulher

Valor: 80 mil réis

Data: 17 de Janeiro de 1929

Local do Cartorio: Conceição do Coité

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sábado, 27 de setembro de 2014

Fotos Antigas Jacobina

 

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Feira Pública – Jacobina - Espetacular ver como o fluxo financeiro do País fluía por Jacobina Bahia principalmente no ciclo aurífero e na foto ver-se a Praça Rio Branco onde se concentrava a feira municipal atividade de compra venda e troca de produtos de subsistência comum.
Fonte da foto: José Macelino Filho

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A Igreja e Convento de Bom Jesus da Glória, foram fundados em 1706, pelos franciscanos, nas terras de propriedade da família Guedes de Brito. Mais tarde, surgiria próxima a esta capela a Vila de Jacobina. Sua planta desenvolve-se simetricamente, segundo o eixo longitudinal, possuindo capela-mor e nave que são envolvidas pela sacristia, consistório, alpendre, capela lateral e copiar. Da varanda lateral, arrodeada de bancos, nasce a escada externa de acesso ao coro e púlpito. Sua fachada é dominada pela presença do copiar e torre sineira de madeira. O interior é sóbrio, só a capela-mor possui forro, que é prismático, em caixotões policromados. O púlpito, conserva na talha símbolos cristãos e indígenas. Dentre a imaginária destacam-se: dois crucifixos, com esplendores de prata, Nossa Senhora da Piedade e São Miguel. Hoje a Igreja está tombada pelo Instituto do Patromônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Endereço da Igreja do Bom Jesus da Glória: Praça das Missões, s/n - Jacobina – Bahia Fonte: iphan.gov.br

A Capela do Bom Jesus da Glória ou Igreja da Missão, como é conhecida pelos moradores de Jacobina, assenta-se sobre um morro, voltando as costas para a cidade e a frente para o vale do Rio Itapicuru‐Mirim. Construída no início do século XVIII pelos fundadores da Casa da Ponte, foi doada no ano de 1706 aos missionários franciscanos, que lhe anexaram um pequeno convento, demolido em 1860 pela Irmandade de Nossa Senhora da Paciência. Em 1972­ foi classificada pelo IPHAN. O partido é em nave única, com sacristia e consistório ladeando a capela‐mor. Dois alpendres laterais complementavam o copiar fronteiro. Tanto os alpendres como o copiar já eram usados pelos franciscanos em Portugal e são comuns nas capelas rurais baianas. No entanto, a combinação dos dois é relativamente rara e, por isso, é lamentável que um dos alpendres tenha sido fechado para a construção de uma capela. A fachada principal é de empena. Vislumbram‐se acima do copiar as janelas do coro e sob ele duas janelas pequenas e baixas, fechadas por grades de madeira, que flanqueiam a portada de verga reta e cercaduras simples. No ângulo esquerdo, levanta‐se o campanário em estrutura de madeira. Os diversos panos de telhados hierarquizam os espaços, criando um belo jogo de volumes. A capela‐mor possui forro em caixotões policromados, e abre para o consistório um vão isolado por grades de madeira. A nave conserva os nichos dos antigos altares que, segundo Azevedo, são herança das capelas laterais das igrejas jesuíticas, e o púlpito em talha com símbolos cristãos e indígenas. Fonte: http://www.hpip.org/

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Ocupações dos escravos


A historiografia brasileira sobre a escravidão aponta a grande importância do trabalhoescravo para a economia da nação brasileira. No que tange ao sertão baiano este trabalho foide vital importância para as atividades desenvolvidas nas áreas agrícolas e de criação deanimais. Assim, o escravo integrava-se à vida rural e ao universo do sertanejo, que avaliemos,não deve ter sido nada fácil, devido as condições de secas prolongadas e até a pouca condiçãofinanceira de seus senhores.

Dos 74 escravos comercializados em Conceição do Coité no final do século XIX, a maioria aparece como do “serviço da lavoura”, num total de 25. Destes, os homens representavam 14 e as mulheres 11. A maioria dos homens estava em idade produtiva entre 14e 34 anos de idade. Foram encontradas também duas crianças, com idades de 05 e 07 anoscompradas para o serviço da lavoura. As mulheres declaradas como “da lavoura” estavamentre a idade de 12 a 41 anos. Contudo, o que se observa na maioria dos casos é que houve apredominância do termo “apto para todo serviço”.

Assim, é perceptível que os cativos desempenhavam diversas funções, principalmenteas mulheres que podiam trabalhar tanto na roça quanto nos serviços domésticos na casa deseus senhores. Este foi o caso da escrava Herculana, cor preta, solteira, natural da própria freguesia e declarada foi por seus senhores que esta era do “trabalho da lavoura” e “outrosserviços domésticos”.

Os escravos que trabalhavam na lavoura desenvolviam funções relacionadas ao plantio de gêneros de subsistência e também no preparo dos pastos para a criação de gado. Nas escrituras aparecem as funções “da lavoura”, do serviço doméstico e também o serviço de vaqueiro. O caso encontrado como serviço doméstico foi da escrava Patrícia, cor fula, com 19 anos de idade. O vaqueiro foi o escravo Torquato, de cor preta, que trabalhava na Fazenda Olho D‟Água pertencente ao Major José Martins d‟Almeida. Ainda sobre Coité, foram encontrados outros ofícios em estudos de inventários, como cozinheira (01), costureira (01) e serviço doméstico (01) (GORDIANO, 2011).

Sobre os ofícios dos escravos na Bahia, tem-se a contribuição de alguns trabalhos para o tema. Walter Fraga Filho também encontrou nos engenhos do Recôncavo uma predominância de escravos trabalhando na lavoura. Seus dados mostram que a lavoura concentrava cerca de 82,3% dos cativos. Geralmente este trabalho era rejeitado por libertos epessoas livres. Ele ainda apontou uma realidade que difere da de Coité, ou seja, a existênciade um número considerável de escravos especializados trabalhando como artesãos,domésticos, carreiros, vaqueiros e trabalhadores do mar (FRAGA FILHO, 2006). Tal constatação evidencia as características próprias de desenvolvimento dos locais pesquisados.

Ana Paula Lacerda encontrou em Serrinha dados semelhantes aos da Freguesia de Coité, mas também descobriu algumas diferenças, 11 escravos especializados, sendo 9 ferreiros, 1 carpinteiro, e 1 doméstico. Assim como em Coité, também em Serrinha havia uma predominância do serviço da lavoura (LACERDA, 2008).

Ainda nestes registros, alguns proprietários declararam que “habitualmente” trabalhavam na lavoura. Este foi o caso do Sr. José Calixto da Cunha, que ao efetivar acompra do pequeno Camilo, escravo com apenas cinco anos de idade, declarou que “fazia habitual profissão” em sua Fazenda Lameiro. A partir da análise deste e de outros casos semelhantes, é provável que escravos e senhores trabalhassem na lavoura lado a lado, o que pode sugerir a existência de uma relação mais estreita entre escravo e seu dono. Sobre este tipo de relação, Mattoso destaca que “as crianças pretas passeiam em total liberdade, participando das brincadeiras das crianças brancas e das carícias de todas as mulheres da casa” (MATTOSO, 2003, p. 128).

Todavia, não se pode tomar esta realidade onde cativo e senhor dividiam o mesmo espaço, como condições igualitárias; o escravo, não importa o quanto próximo do seu dono fosse, estaria sempre colocado numa condição de inferioridade diante do seu senhor. Um exemplo claro desta diferenciação foi apontada por Chalhoub retirado do conto Mariana de Machado de Assis, cuja personagem principal era uma “mulatinha” gentil, nascida e criada dentro da casa de sua dona, recebendo praticamente o mesmo afago e carinho que sua senhora depositava as suas filhas naturais, mas havia um abismo entre as livres e a cativa. Mariana não sentava à mesa nas refeições e nem podia aparecer na sala em ocasião de visitas. Assim, dápara perceber que havia limites entre os livres e os cativos e a própria sociedade escravistafazia questão de impor tais limitações (CHALHOUB, 1989).

Fonte: Vestígios no tempo: escravidão e liberdade em Conceição do Coité-BA (1869-1888) - Edimária Lima Oliveira Souza

sábado, 20 de setembro de 2014

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Negros sambam no Solar do Conde

 

Centro de referência em casarão restaurado é conquista do samba de roda baiano, patrimônio da Humanidade

Lorenzo Aldé 19/9/2007

No casarão do senhor de engenho, agora a festa é dos negros. O samba de roda — que animava terreiros de candomblé e rodas de capoeira onde os escravos reafirmavam suas raízes africanas — tomou posse do Solar que pertenceu ao Conde de Subaé, em Santo Amaro, Bahia. Foi na última sexta-feira, dia 14.

A bela construção do século XIX, que chegou a abrigar d. Pedro II no tempo em que a produção de açúcar dinamizou a economia do Recôncavo, foi inteiramente restaurada. Ficou assim apta a abrigar um patrimônio da Humanidade, título que o samba de roda baiano recebeu da Unesco em 2005.

Merecidamente. A manifestação resistiu ao tempo e ainda se expressa em suas formas tradicionais em toda a Bahia: os participantes dispostos em círculo, a dança no meio, os versadores, as respostas em coro, as palmas. À matriz africana, foram adicionados instrumentos portugueses, como a viola (alguns grupos usam até sanfona). E deu-se novo uso para uma peça de cozinha européia: o prato de ágata. Assim surgiu o prato-e-faca, executado com maestria pelas mulheres, como se fosse um reco-reco.

Fora as peculiaridades musicais, as rodas se associam a outros eventos que não vivem sem elas. Das festas religiosas — católicas, afro-brasileiras e mesmo indígenas — às celebrações cotidianas.

“No Nordeste, toda festa popular é samba”, resume Gilberto Gil. Simbolicamente, o personagem perfeito para a ocasião: é negro, baiano e músico o Ministro de Estado responsável por transformar oficialmente o Solar do Subaé em Casa do Samba de Santo Amaro.

A festa começou com os discursos políticos de praxe e acabou nas mãos e pés de quem de direito — o povo encheu a rua em frente ao Solar para sambar até de madrugada ao som de cerca de 20 grupos de samba de roda, além de alguns “primos” vindos de outros estados, como o jongo (RJ, SP e ES) e o tambor de crioula maranhense.

Esses dois ritmos, por sinal, também já foram registrados como patrimônios imateriais junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E há outros na fila, como o coco, que ocorre em vários formatos e localizações geográficas.


Um seminário realizado no sábado, dia 15, no Teatro Dona Canô, mostrou que ainda há muito o que revelar sobre a diversidade musical popular no país, e muito trabalho a fazer para preservá-la.

Naturalista do samba

O samba de roda por pouco não perdeu um de seus instrumentos originais. O machete é uma espécie de viola, maior que o cavaquinho e menor que o violão. Antes que o samba de roda ganhasse reconhecimento mundial, e com ele a atenção do estado, restavam apenas três exemplares de machete na Bahia. E uma única pessoa capaz de construi-los: seu Zé de Lelinha, em São Francisco do Conde. O projeto de “salvaguarda” do samba de roda, promovido pelo Iphan, instituiu na cidade uma oficina ministrada pelo antigo mestre, para ensinar jovens a fabricar o machete.

O amplo espaço da Casa do Samba de Santo Amaro foi inaugurado com uma exposição de fotos, textos e objetos. Mas o objetivo é torná-la um centro de referência para a pesquisa musical, com acervos sonoros, estudos, partituras e vídeos sobre o samba de roda, disponíveis para consulta.

Incluindo, espera-se, os preciosos registros do americano Ralph Waddey, que entre 1966 e 1985 foi o primeiro a gravar e filmar a diversidade dos sambas de roda baianos. Seu acervo tem cerca de 250 horas de áudio e documenta a arte de muitos antigos instrumentistas e versadores que não estão mais entre nós.

“Me comparo com os botânicos que no século XIX viajavam o Brasil coletando a registrando plantas e flores. Sou um naturalista do samba”, compara. E é por ter conhecido o samba em “estado natural” que relativiza essa história de existir uma “Casa do Samba”. “O que é uma casa do samba? É qualquer casa de qualquer rua do Recôncavo onde se samba. Quem é o produtor artístico do samba? É a Zelita, a Ana, o João. A Casa do Samba em Santo Amaro é para lembrar a vocês que não esqueçam de sambar em casa, porque na Bahia tudo acaba em samba”, afirmou, no Seminário.

Apesar da ressalva, Ralph doou para a Casa do Samba um primeiro material digitalizado com 9 horas de duração. Mas ainda negocia como será feita a cessão do restante do acervo, que ele faz questão de digitalizar pessoalmente.

A prudência do pesquisador se explica porque ainda não está bem definida a administração da Casa do Samba. A Associação dos Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia, criada em 2005, é candidata natural a gerir o centro. Os recursos devem vir do Ministério da Cultura, com a efetivação, no local, de um “Pontão de Cultura”, referência para os demais “Pontos de Cultura” do Recôncavo.

Quer dizer que a Casa foi inaugurada sem que se saiba como funcionará e se cumprirá sua missão? Sim, é isso mesmo. A restauração do Solar foi inclusive acelerada para que a festa coincidisse com o centenário de Dona Canô, que parou a cidade e atraiu a imprensa. Mas preservar a cultura, ao contrário de erguer ou reformar prédios, é assim mesmo: um esforço necessariamente inacabado.

Melhor notar o que já se ganhou. Associação, oficinas de machete, o Solar do Conde, um dossiê produzido pelo Iphan e um CD com o registro da música de 21 grupos. Para quem resistiu ao preconceito durante longos séculos e manteve-se forte mesmo quando era “invisível”, a roda agora promete.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Casamento de Erene Araújo

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Emygdio Ramos Gordiano, Almira Araújo Ramos, Sinalva Maria Ramos Cunha Souza, Erene Araújos Calixto, Sineide Ramos, Sirleide Ramos Cunha Oliveira e Adevaldo Carvalho Cunha.

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Sirleide e Sinalva

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Escritura Fazenda Casa Nova

 

Mais uma escritura antiga que encontrei nas coisas da minha avó Sineide Ramos…

Documento: Escritura de Compra e Venda

Vendedor: Joaquim de Sousa Filgueiras (morador na fazenda do Anastacio, da Freguezia de Pedrão)

Comprador: Capitão José Joaquim da Silva Carvalho (morador na Vila da Purificação dos Campos)

Imóvel: Fazenda Casa Nova, antigamente conhecida por Sitio do Meio, na freguezia do Coité, do Termo da Feira de Sant’Anna

Valor: Oitocentos e noventa mil réis

Data: 15 de dezembro de 1873

Local do Cartorio: Vila da Purificação dos Campos

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sábado, 30 de agosto de 2014

Aforamento de Terras da Igreja

Contrato de Aforamento* de Terras dos Patrimônios da Igreja Matriz desta Freguesia, Nossa Senhora da Conceição do Coité

* Aforamento é o ato de concessão de privilégios e deveres sobre uma propriedade cedida em arrendamento para exploração ou usufruto ao seu ocupante, pelo proprietário. Os aforamentos podiam ser concedidos por pessoas públicas (por exemplo, mosteiros, Ordens religiosas, etc.) ou privadas, casas senhoriais por exemplo; e geralmente eram feitos especificando um certo número de gerações em que o foro (quantia em dinheiro ou espécies, ou ambas, paga anualmente ao senhorio do foro) estaria válido, antes que o mesmo caducasse juridicamente.

Data: 10 de setembro de 1963
Vigário da Freguesia: Padre Antonio Taraschi
Aforramento feito a: Almir Ney Araújo para a construção da Casa Wilma onde hoje funciona a Ótica Kairós
Imóvel: Rua João Benevindes n 24

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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Maia - Maya

 

História

Nome de raízes toponímicas, tirado que foi da terra da Maia, o antigo domínio da linhagem desta designação, é possível que os descendentes de alguns dos ramos daquela o tenham vindo a tomar como apelido. Eram os «da Maia» uma linhagem das mais preclaras e remotas origens, ainda altimedievais, tendo vindo a recair a sua primogenitura, bem como os seus principais bens patrimoniais na linhagem dos «de Riba-de-Vizela», pelo casamento do chefe destes com a filha herdeira do daqueles. E como foram os Melos que vieram a representar a primogenitura dos «de Riba-de-Vizela», foram também eles que passaram a representar a linhagem dos «da Maia». Deste modo a chefia de ambas, bem como a dos Melos, caíu na Casa dos Condes desta designação e, hoje, na dos Condes de Mangualde.

Ainda durante a Idade Média, no entanto, a descendência secundogénita dos «da Maia», conservando nalguns casos a categoria nobiliárquica de Ricos-homens e certas parcelas dos antigos bens senhoriais da linhagem, deu origem a família que transformaram a designação daquela em apelido. Assim, no Livro do Armeiro-Mor atribuem-se a uma família (?) da Maia umas armas que deverão provir do «sinal» pré-heráldico da antiga linhagem.

A história da linhagem, segundo Francisco António Dória ("Lendas, Mitos'' em "Convergência: Ensaios em Homenagem a Emmanuel Carneiro Leão no seu 70o. Aniversário", Sette Letras, 1999) começa com com a lenda do Rei Ramiro ou lenda da Miragaia, ou lenda da família da Maia, que conta a história das origens de uma família de infanções cujas terras se situavam nos arredores do Porto. Foram os padroeiros do mosteiro de Santo Tirso de Ribadave, fundado em 978 pelo primeiro antepassado documentado dessa família, um moçárabe (isto é, árabe cristianizado), Abunazar Lovesendes.

Na lenda, o infanção Abunazar torna-se no infante Dom Alboazar Ramires, filho, que não o foi, de Ramiro II, rei de Leão: "O dito D. Ramiro roubou D. Ortiga, irmãa de Alboazar Abuzadão Sr. de Gaya the Santarem, e bisneta de [rei] Aboali a qual pela sua rara formosura obrigou ao do. Rey D. Ramiro a pedilla pa. cazar com ella, q lhe foi negada, dizendo-lhe Alboazar q a ley dos Christaons não premetia ter mais q hua mulher de q resultou o do. roubo, e sentido Alboazar do dito roubo sabendo onde D. Ramiro tinha deixado sua molher em q.to se devertia com D. Ortiga a foi tãobem Roubar, e levou para Gaya, e o q sabendo o Rey D. Ramiro, cobrio as suas fragatas de pano verde, e se veyo meter sem ser percebido em S. João da Foz q entam tinha muytos arvoredos, e pella sua industria se meteo no Palacio [de Alboazar] e fallou com sua mulher pa. ver como a havia de tirar do poder de Alboazar deixando ordem aa sua escolta pa. q ouvindo tocar uma corneta q levou lhe acudissem, e como sua m.er allem de queixosa estava namorada de Alboazar o fichou em Caza pa. o entregar aa morte, de q escapou dizendo [Rei Ramiro] a Alboazar q hia ali pagar seu pecado, e roubo de sua irmãa, mas q o seu comfessor lhe dissera q pa. ser perdoado o do. seu crime havia de morrer afrontozam.te diante do povo a tocar em aquella corneta the arrebentar, no q conveyo Alboazar, para o q lhe mandou fazer hum poste no meyo da Praça alto, e delle se poz a tocar a cujo toque acodindo a sua gente matarão todos os Mouros e trocerão a Raynha, q mandou D. Ramiro atar a hua moo, e lançar no Rio, e dipois recebeu D. Ortuga, de q teve o infante D. Alboazar Ramires.

Outras variantes dizem que D. Ortiga, ou Ortega (isto é, urtiga), se chamava Zara antes do batismo. A lenda é fascinante, porque Ramiro II (c. 900-951) dominou os territórios que constituem hoje Portugal, entre 920 e 930, e foi depois rei de Leão e é personagem documentadíssima. E o rei Aboali é, com certeza, Abdallah, emir de Córdova (844-912) que ascendeu ao emirado em 888. Isso tudo, no prólogo à genealogia dos Coelhos, no autor setecentista Felgueiras Gayo.

Que mais nos diz no começo da história dos da Maia: o Livro de Linhagens do Conde D. Po. [Pedro] principia esta familia em D. Ramiro 2o. de Leãm q roubando hua Moura q poz o nome no batismo Ortiga irmãa de Albuaçar Albocadão Sr. da terra de Gaya a the Santarem, e filha de D. Çadãoçada, e bisneta de ElRey Aboali, com a qual D. Ortiga cazou dipois da morte de sua m.er..."

Em resumo, a lenda conta que Ramiro II trai a mulher, Aldara, com uma moura, Zara ou Ortega, de família nobre (é descendente dos Omíadas de Córdova, parentes do próprio Profeta do Islão. Aldara vinga-se traindo Ramiro com o mouro, e é morta por isso. Ramiro II sai sem punições ou penas, e casa com a moura Ortega, de quem deixa um filho, Dom Alboazar Ramires.

Ramiro II teve por primeira mulher a Ausenda Guterres, filha do conde Guterre Osores, e neta materna de Hermenegildo Guterres, o grande presor de Coimbra. Tiveram quatro filhos: Bermudo, que morre adolescente; Ordonho, depois rei Ordonho III de Leão, e mais dois que desaparecem da história. O casamento dura uns dez anos, pois Ausenda Guterres é repudiada por volta de 930, e naõ mais se sabe dela. Ramiro volta a casar ainda duas vezes, com uma infanta de Navarra e com uma certa Urraca, ou Teresa.

Por que foi repudiada Ausenda Guterres? Não por infertilidade. A lenda do Rei Ramiro sugere que Ausenda Guterres, grande senhora, filha e neta de magnatas, tinha traído o rei.

Se narrativas lendárias são como sonhos, nelas então ocorrem inversões e mecanismos compensatórios. Ramiro II trai Aldara, sua mulher na lenda. Ela dá o troco, e é punida. E se esta sentença refletir, com sinal contrário, o que de facto aconteceu? Ramiro II traído pela mulher, Ausenda?

Na busca pelo que existe de histórico e de fantástico (se é que podemos separar uma coisa da outra) nessa narrativa fascinante encontramos de súbito um tesouro: os arquivos do mosteiro de Lorvão, publicados há século e meio por Alexandre Herculano nos seus "Portugaliae Monumenta Historica, Diplomata et Chartae". As cartas de Lorvão formam a parte mais antiga do acervo. E neles comparecem quase todos os personagens da lenda do Rei Ramiro. Zahadon e sua mulher, Aragunte, junto a Cresconio e a mulher, Smelilo e

ainda Bermudo, herdeiros de um certo Fromarico (decerto pai dos que têm nome visigodo, Aragunte, Cresconio e Bermudo) vendem a Gondemiro (que, aprendemos depois, se chamava Gondemiro iben Dauti) e a sua mulher Susana, partes da Vila de Albalat na região de Coimbra. Testemunhas do acto? Ramiro II; seu filho Bermudo; a condessa Ilduara (lembram-se de "Aldara", a mulher de Ramiro na lenda?), os condes Ximeno Dias e Froila Guterres. Escritura de venda de gente poderosa, com o testemunho das gentes mais poderosas da terra, o rei, o príncipe, e membros da família de Hermenegildo Guterres, senhores da região de Coimbra.

Coincidência? Um documento (DC 47) de 938, trata da doação de um moinho, na vila de Ançã, feita pela condessa Ilduara a Gondemiro iben Dauti e a sua mulher Susana. A relação das testemunhas repete, na mesma ordem, o fragmento da genealogia que nos é trazida na lenda: Alboazar filho de D. Zadão Zada, filho de Zada... [Abd al?] Nazar, test.; Zahadon, test.; Zahad, test. Zahadon aparece como presbiter, mas isso não lhe indica um status de eclesiástico. (Ainda que Zahad signifique "ermitão", e Zahadon, "referente ao ermitão") Presbiter era apenas alguém ligado a uma comunidade monástica, e essa família com certeza tinha padroado sobre Lorvão, pelas doações que faz ao mosteiro (DC 68, de 954).

Rodrigo, também conhecido como Abu al-Mundhir, e sua mulher Coraxia, legam ao mosteiro de Lorvão várias vilas, entre as quais Tentúgal, além de outros bens. E vejam-se os nomes dos confirmantes: Walid, Abdallah (Hadella), Abd al-Malik, Ubayd'Allah (Abobadella), Zahadon... Al-Mundhir é o nome do emir de Córdova que morreu na guerra contra Ibn Hafsun em 888; irmão de Abdallah, este, já dissemos, nascido em 844 e falecido em 912, de quem a a genealogia, muito com certeza verdadeira, que está embutida na lenda, diz, descende essa gente de moçárabes com nome de emires, califas, e mais pessoas da família do Profeta.

Por que verdadeira a genealogia? Porque encontramos nos documentos, nos períodos correctos, consistentemente, os personagens da linhagem de Zara.

Por que não seria verdadeira essa linhagem omíada desta família dos Zahads e Zahadons, família obviamente de alta hierarquia? Mas veja-se ainda o que dizemos em seguida:

A lenda do rei Ramiro procura esclarecer-nos sobre as origens da família da Maia, cujo primeiro antepassado documentado é certo Abunazar Lovesendes, fundador do mosteiro de Santo Tirso de Ribadave em 978. A lenda faz do rei Ramiro II pai deste Abunazar, o que é impossível pela cronologia, já que Ramiro morreu em 951, e pelo patronímico, pois o pai de Abunazar chamava-se Lovesendo, e não Ramiro. Segundo a lenda, a família da Maia descenderia do adultério de Ramiro com uma princesa moura: Abunazar ganha na lenda uma ascendência real, da mais alta nobreza, por seu pai e por sua mãe.

Mas, notemos o seguinte: quando esta lenda se fixa por escrito nos livros de linhagens, o árabe é o inimigo subjugado. A conquista do Algarve fora feita nos fins do século XIII por Afonso III. A lenda conta uma ascendência ilustre dos senhores da Maia na família real do inimigo, inimigo político e religioso. Numa família real que se aparentava ao

próprio fundador da religião adversária.

Ramiro II parece que entra na lenda como um contrapeso ideológico. Mas notemos que há vínculos indirectos, indícios que mostram vínculos, entre a família da Maia, em fins do século X, e a família do conde de Coimbra, Hermenegildo Guterres. Uma das filhas de Abunazar Lovesendes tem o nome Ausenda como a mulher repudiada de Ramiro II. Um dos filhos de Abunazar, de quem aliás descenderá outro personagem lendário português, Egas Moniz o Aio, é Ermígio. Forma rara do nome Hermenegildo (mais comum é o vernáculo Mendo, ou Mem), aliás frequente e só encontrada nessa família dos da Maia.

Há mais evidências: no século XI, Soeiro Mendes da Maia, dito o bom, litiga nos tribunais contra os herdeiros de certo Froila Cresconiz, que, sempre pela raridade do nome, parece ser filho do Cresconio cunhado de Zahadon e irmão de Aragunte, mulher de Zahadon.

O que aconteceu, na história, no concreto, nunca se saberá ao certo. Mas o seguinte cenário (cenário, deixo claro) parece explicar a narrativa lendária. Ausenda, rainha de Leão e mulher de Ramiro II, comete adultério. É, por isso, repudiada. (Não deve ter sido morta; sua família era poderosa demais.) Do filho adulterino, Lovesendo (compare-se a desinência -sind, Ausenda, Lovesendo), que se casa com a filha de Zahadon, nasce Abunazar Lovesendes, primeiro senhor das terras da Maia.

Para que a lenda? Para mascarar as origens adulterinas e heréticas de uma família que será tão poderosa. Cujos descendentes, muitissimamente numerosos hoje em dia, todos compartilham, ainda que muito, muito longe, do sangue dos Omíadas e de seu parentesco ao Profeta do Islão".

Armas

De vermelho, uma águia de negro. Sabe-se, no entanto, que os «da Maia» usavam por armas um enxaquetado de ouro e vermelho.

Casas

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Títulos, Morgados e Senhorios

Fonte: http://www.geneall.net/P/fam_page.php?id=566

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014