Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…


Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...


Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.


Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

O BERÇO ESQUECIDO DE UMA MULHER SOLDADO

"... Assevera o monsenhor Renato de Andrade Galvão (1982, p. 25), em seu artigo – Os povoadores da Região de Feira de Santana – que o sesmeiro João Peixoto Viegas, do reino restaurado de Portugal, recebera uma concessão de sesmaria cuja regulamentação só ocorreu em 1655, mas que ele já ocupava a área de São José das Itapororócas desde 1640, área limite ao tabuleiro, a qual era ambicionada pela riqueza de alagadiços. A partir daí se intensificaram os combates aos Paiaiás, os quais se estenderiam até a década de 1730, já com o neto homônimo à frente, no século XVIII. 

Diante desses fatos que viriam redundar na maior concentração dos Paiaiás no tabuleiro, em fins do século XVII e inícios do XVIII, se formou um embrião da aldeia que anos mais tarde tomou a designação dada pelas autoridades, de Sant’ana da Feira, na freguesia de São José das Itapororócas, termo da Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira. Isto se devia à fundação da mais nova capela cuja padroeira se tratava de Senhora Sant’ana, e às boiadas que já singravam os sertões em direção à Capital se ressentiam de aguadas, fartas nesta área, para o seu suprimento, o que fez crescer o comércio já praticado na feira de ervas e de produtos agrícolas. Concomitantemente, outras populações se juntaram aos Paiaiás, a exemplo de negros fugidos dos engenhos, os quais se incorporavam dentro dos mocambos. Sublinha Juliana Brainer Barroso Neves (2008, p. 77), em sua dissertação de nome Colonização e resistência no Paraguaçu, que muitos mocambos foram localizados dentro do tabuleiro Paiaiá entre o século XVII e XVIII. 

Também do reino vieram os ciganos que, em maior número, no passado, serviram de espias, já que se tratavam de populações nômades que desembarcavam e se deslocavam das capitanias a norte, no sentido de Salvador. O percurso empreendido pelos ciganos forçava necessariamente a travessia de áreas dos domínios Tapuias e, com eles, estabelecerem contato. Após ser determinado o itinerário pelos órgãos competentes do Estado, os ciganos deveriam fornecer informações às autoridades, prática observada até mesmo no século XX. 

Em seu depoimento, Moraes (2011, p. 103-104) diz que, quando menina, os ciganos eram segregados de tal modo a não terem acolhida nas fazendas dos seus parentes – Carneiros que habitavam no atual distrito de Jaguara, antiga povoação do Bom Despacho, hoje um dos distritos do Município de Feira de Santana. Inversamente, seus parentes, pela descendência paterna, alguns deles delegados de polícia, se relacionavam muito bem com os ciganos ao ponto de dar pouso em sua fazenda e entre eles contarem até com afilhados. 

Ainda, essas relações dos nativos não se limitavam apenas aos negros ou aos ciganos, eles também mantinham contato com as forças de opressão das milícias, que defendiam a ordem imposta pelo reino. Apesar da maioria dos milicianos que estabeleceram combates nos tabuleiros se constituírem de paulistas que se aventuraram pelos sertões, também havia outras tropas deslocadas da metrópole para garantir os territórios averbados à colônia. Assim, foram enviadas famílias dos militares de patente, nobres de armas de descendência entre judeus em Portugal, as quais deveriam adquirir dos sesmeiros, via compra, parcelas das sesmarias para produzirem gado nas fazendas e, com isso, facilitar o jugo dessas populações. 

O SÍTIO LICURIZEIRO 

A própria Sra. Antonieta Moraes (2011), que descende dos Carneiros estabelecidos desde os tabuleiros até os sertões de Jacobina, já se faz numa descendente de Cristãos Novos que em inícios do século XVIII adquiriram fazendas nesses territórios. Essas levas de colonos cresceram sensivelmente ao longo do século, de maneira que tanto Quitéria Maria quanto Gonçalo Alves de Almeida, pais de Maria Quitéria – na obra de nome Diário de uma viagem ao Brasil, da inglesa Maria Graham, em sua tradução de 1956 – , já serem descritos como portugueses. Na mesma tradução, em nota de rodapé, se corrige a informação, observando que Gonçalo Alves se declarara brasileiro em seu testamento (Idem, p. 329). Lembrando que esse termo “brasileiro” ainda era recente no vocabulário português, mesmo no Brasil. 

Até então a migração das mulheres portuguesas não era nada comum à colônia, todavia, como já alertado, as famílias judias acompanhavam os militares de patente nas suas novas propriedades, nos sertões adquiridas. A simbiose dessas etnias com a marcante absorção da cultura Tapuia, aqui tem nos indivíduos a designação de tabaréu, tratamento este mais conhecido aos habitantes dos sertões baianos e que herda dos nativos toda uma carga de saberes. Isto não significa uma característica física comum a todos, mas uma prática, um procedimento que tanto é encontrado nos estratos sociais mais pobres como nos mais representativos que incluem os militares de patente. Até porque, mesmo prevalecendo, entre estes militares os casamentos com parentes mais próximos, também havia concubinas de descendência entre os nativos, as quais lhes geraram filhos bastardos em maior número, mas também como fruto de casamentos legalizados. 

Na mesma obra, Graham traz uma descrição física de Maria Quitéria, observada pela autora, que se constitui de grande valia “[...] Sua mãe era também portuguesa; contudo, as feições da jovem, especialmente os olhos e a testa apresentam os mais acentuados traços dos índios” (Idem, ibidem). Como esta autora esteve pessoalmente com a protagonista dos fatos, pode ao leitor parecer não haver sombra de dúvidas na narrativa, mas isso não deve ser entendido num contrassenso da escritora, antes num alerta. 

As informações prestadas por Maria Quitéria precisam ser analisadas com certa cautela, considerando pelo menos dois fatores essenciais no diálogo. Primeiro, sua condição de mulher que já contava trinta anos, ainda por ser alfabetizada, que saíra da sua morada com o objetivo de lutar pela independência e, com isso, se desentendera com o pai a quem amava e buscou meios de se reaproximar, viajando até a Capital do Império com a ideia fixa de se valer do Imperador para moderação dos ânimos exaltados em sua residência. Esse particular encontra paralelo, inclusive, ao caos que se seguiu ao fim do conflito e permaneceu pelas duas décadas seguintes, no território da já Vila de Sant’ana da Feira que abrangia outros territórios de povoações vizinhas e das fazendas de propriedade de Gonçalo Alves. 

O segundo aspecto, agora ligado à autora inglesa, se refere à sua condição de estrangeira que não dominava a Língua portuguesa suficientemente para entender os regionalismos próprios aos nativos do tabuleiro Paiaiá, cuja averbação territorial ainda não completara um século. A língua vernácula dos Paiaiás, durante a catequese dos jesuítas, se modificara em consequência da Língua Tupinambá ser a adotada como Língua Geral do Brasil, assim descrito no artigo de Ana Palmira Bittencourt Santos Cassimiro (2005, p. 182-205), intitulado de Cartilhas e Catecismos usados no Brasil Colonial. Apesar da exigência do idioma Português já ser editada no reinado de D. João V, os religiosos resistiam a cumpri-la, e com a expulsão dos jesuítas, em 1759, o ensino ficou em aberto, privando as populações que habitavam em áreas de recente inclusão à colônia de qualquer ensino, e até de se cumprir a determinação pombalina em ministrar aulas em Língua portuguesa, pela carência de professores, mesmo na Capital baiana. 

Portanto, havia um enorme fosso com relação ao contato que se estabeleceu entre as duas Marias e isso fica mais visível nas descrições geográficas que são feitas da área onde vivia Maria Quitéria. Há vários equívocos na listagem dos rios que atravessam a fazenda, as suas localizações, por exemplo, que têm nomes específicos, de modo a serem confundidos com outras correntes fluviais, que se entende do mesmo modo ter embaralhado a compreensão da autora no que diz respeito à origem dos pais de Maria Quitéria; contudo, na obra de Graham (1956) aparecem ideias mais claras, a partir da descrição da visita dos emissários de Cachoeira. 

Tido pelos críticos como maior biógrafo da belingerante, Pereira Reis Júnior (1953, p. 17), na obra Maria Quitéria, relata que a mãe dela se chamava Quitéria Maria de Jesus, nascida em São José das Itapororócas, mesmo local de natalidade de Gonçalo Alves de Almeida – pai de Maria Quitéria. Mais relevante até do que a naturalidade dos pais, seria dizer que independentemente de serem portugueses ou brasileiros, eles se viram forçados a incorporar os valores que encontraram na cultura local, coisa mais arraigada ainda entre os seus filhos. 

A inglesa Graham (1956) também dá pistas de onde teria nascido o pai de Maria Quitéria, quando afirma ter a heroína traços físicos que denunciam um parentesco com nativos, seja pelos olhos ou pela parte frontal da testa. Não necessariamente quer isto dizer que para ser um tabaréu se faz necessário trazer traços físicos dos nativos, mas uma absorção cultural de forte penetração nos portugueses ou em outras etnias que migraram para os sertões baianos. 

Se trazia traços dos nativos, alguém da família tinha sangue Tapuia e, nesse caso, parece certo que a família de Gonçalo Alves portasse esse gens proveniente de uma miscigenação anterior, já que aos homens do período era comum ter uma vida aventureira, enquanto que das mulheres portuguesas se exigia uma vida dedicada à polidez e à clausura familiar. Algum dos ancestrais de Gonçalo Alves tinha mãe nativa. Quanto à mãe de Maria Quitéria não se sabe ao certo, diante das confusões anteriores a que se expôs a autora inglesa. Reis Júnior (1953), em suas conclusões, se depara com vasto período que o distancia dos fatos e comprometem informações mais precisas, já que não se apoia em qualquer documento comprobatório. Assim, um novo diálogo com os antigos moradores pode ter maior proveito. 

Descrevendo características de áreas contíguas ao local da sua procriação, é elucidativo o depoimento do Sr. Mário Lima de Cerqueira (2015, p. 1), nascido na fazenda Tapuio em 1944, ao asseverar que seu avô, originário de Santa Bárbara – área do tabuleiro Paiaiá, que se localiza no limite entre os Municípios de Santa Bárbara e Santanópolis – vizinho ao lugar da infância de Maria Quitéria, se dedicava ao mesmo ofício de Gonçalo Alves. Narra ele que a maioria das casas de moradia eram pequenas e construídas de adobes, casas estas caracterizadas por poucas divisões, e que os mais pobres faziam casa de taipa (um legado dos povos Tapuias) como a maioria das populações pobres na época de criança de Maria Quitéria, e estes pobres se valiam da agricultura com poucos recursos na pecuária. 

Ressalte-se que nesse período as escaramuças com os nativos ainda eram comuns, de forma que Maria Quitéria aprendeu a atirar com armas de fogo, não apenas porque caçava, mas como uma prevenção contra um ataque inesperado dos nativos. A vida de tropeiro exercida por seu pai não permitia maior assiduidade na casa; isso exigia alguém que desse maior segurança na sua ausência e até certa medida esta responsabilidade era dada a Maria Quitéria cuja mãe faleceu quando a futura soldado ainda contava com apenas dez anos, assumindo os cuidados com seus outros dois irmãos mais novos até o novo casamento do pai, ocorrido cinco meses depois. Daí crescer o desejo em assegurar a soberania territorial. 

Durante a entrevista concedida a Maria Graham, Maria Quitéria passou alguns detalhes a esse respeito: “[...] As moças aprendem o uso de armas de fogo, tal como seus irmãos, seja para caçar, seja para defenderemse dos índios brabos” (DEPOIMENTO, apud GRAHAM, 1956, p. 330). Até mesmo Gonçalo possuía cinco escravos, quando sua primeira esposa faleceu, de forma a ser possível, nesses momentos de vulnerabilidade, a ocorrência de fugas ou revoltas, ainda que se argumente o escravismo ter um tratamento mais brando comparado ao que ocorria no litoral. Seria pertinente que um parente mais próximo cuidasse dos filhos de Gonçalo Alves, em sua ausência, não só para garantir-lhes a defesa contra os nativos mas também livrá-los do risco dos cativos os fazerem reféns. 

Muito embora no seu depoimento Maria Quitéria não faça referência a outros cultivos além do algodão, no tabuleiro Paiaiá, se faz comum ainda, na atualidade, a lavoura dos cereais, a exemplo do milho e do feijão, e dos tubérculos, mandioca e batata, na qual mais se empregava a mão de obra escrava. O cultivo do amendoim também é realizado, grão de grande aceitação entre o público consumidor, com ambulantes fazendo a distribuição na modalidade cozida ou mesmo torrado e acondicionado em pequenas poções. O amendoim abastece ainda hoje os bares, as mercearias e os supermercados. Normalmente os cativos das fazendas se prestavam a essa tarefa, como ambulante no comércio varejista e/ ou entregando nos postos de revenda. 

Outro dos mais difundidoscultivos praticados, mesmo no início do século XX, se trata do tabaco, um dos mais penosos para o lavrador, porém dos mais valorizados entre os produtos usados para o escambo de pessoas escravizadas, trazidas da África. Os tropeiros faziam o transporte desses variados produtos até o porto de Cachoeira e, via embarcações, eram levados até ao porto de Salvador, na fala de Cerqueira (2015, p. 1). Gonçalo não deveria ignorar a necessidade da prática dessas outras lavouras na sua propriedade, não apenas porque já era uma tradição, mas, sobretudo, em razão desses víveres ajudarem no sustento dos moradores da sua casa, que se estendiam ao efetivo sob jugo, os quais se envolviam nessas atividades. 

A baixa produtividade das áreas de tabuleiro não permitia que rendessem boas safras, exceto se o solo fosse melhor trabalhado com fertilizantes. A tradicional fertilização era muito lenta para enriquecimento do solo, o que fazia míster o consórcio da pecuária com o objetivo de se aproveitar do esterco bovino como adubo, o qual misturado à terra, desde que as precipitações se dessem de forma regular, atendia de bom grado às expectativas. 

Sebastião da Rocha Pita (1880, p. 12), em sua obra de nome História da América Portuguesa, chama a atenção detalhando como os lavradores da mesma área, também tratada por campos da Vila de Cachoeira, desse consorciamento tinham carência. A pecuária foi mais praticada no período colonial em áreas mais distantes da costa, isto para evitar que o gado invadisse áreas ocupadas com a monocultura da cana e provocasse prejuízos aos senhores de engenho, no litoral estabelecidos. 

O algodão, nessa fase, ganhava força com a procura da matéria prima pelos ingleses; certamente isto ajudou na definição de Gonçalo recair nesse cultivo, até porque ele estava bem informado das mercadorias mais valorizadas, e este era um produto que exigia pouco dos animais de carga. A distância de Cachoeira não era das maiores, de modo que o transporte poderia ser feito mais rapidamente de outras áreas do sertão e até de outras capitanias. 

Ao que tudo indica, Cerqueira vivia numa propriedade com o filão de terras mais rico, ainda que pertencente ao tabuleiro, com se verifica nesse trecho: 

Trabalhava de capinar terra, plantar feijão, milho, mandioca. Sempre quando tava novinho, ajudano meu pai. Lá era uma área de caatinga misturada com área de tabuleiro um pouquinho. Era tanto que os pastos era tudo de capinho. A terra preta. E sempre tinha um lugar, a terra areada e tudo, aí a gente prantava mandioca, todo tipo de fruta a gente plantava, mas não dava todas. Dava era goiaba, jabuticaba, é... melancia, abóbra, andu, mangalô, todas essas variedades dava lá. (CERQUEIRA, 2015, p.4). 

Não é esta uma característica extensiva a todo o tabuleiro Paiaiá cujo solo arenoso, sem nutrientes suficientes para o desenvolvimento das plantas, aumentava os custos do investimento em plantio, enquanto ali próximo, ainda no território do atual Município de Feira de Santana, se encontram solos bem mais ricos, de áreas do semiárido. As dificuldades de plantio em solo arenoso certamente foi um dos fatores que determinou Gonçalo a vender a propriedade, naturalmente agravado pela morte de suas duas primeiras esposas, o que ocasionou más recordações aos filhos, na tenra idade vivendo. 

A condição econômica de Gonçalo, no período inicial de casado e da sua idade produtiva, não lhe permitia ficar muito tempo sem fazer novas viagens que lhe rendessem algum lucro para a manutenção da casa, o que seguramente ele fazia acompanhado de alguns dos cativos enquanto outros se dedicavam aos trabalhos da fazenda. Algum adulto da sua confiança se fazia presente nessas ocasiões para não deixar as crianças a descoberto. Tais condições fizeram com que ele contraísse novo matrimônio, pois não se sentia confortável em ocupar terceiros com cuidados que não lhes eram de sua alçada. 

Mas a atrocidade do destino não lhe ajudava muito, pois a segunda esposa logo depois veio também a falecer, repetindo as dificuldades: os gastos com o funeral, com as tramitações burocráticas dos inventários e a escassez de tempo para se dedicar ao seu ofício de tropeiro, sem contar com o desajuste psicológico da família, provocado pelas perdas familiares (REIS JUNIOR, 1953, p. 22). Até os doze anos, Maria Quitéria permaneceu no sítio Licurizeiro, quando Gonçalo Alves resolveu migrar do tabuleiro Paiaiá para um território de solo mais rico, localizado nas imediações de Tanquinho, já na área do semiárido. 

OS MILITARES DE PATENTE 

Parece haver certa tendência dos povoadores portugueses evitarem se estabelecer no tabuleiro Paiaiá como pecuaristas, ainda que a Sra. Antonieta Moraes tenha nascido na fazenda Canavieira, hoje averbada ao distrito sede do Município de Feira de Santana com sua atual inclusão nos limites do bairro da Pampalona, como afirma no depoimento: 

Sou descendente da família Carneiro que se radicou em Feira de Santana, nascida no dia 13 de junho de 1919, na fazenda Canavieira, em São José das Itapororócas, cuja família da parte materna já residia na fazenda Roça da Serra desde muito tempo, antes do falecimento do meu pai em 1926, localizada no Distrito de Bom Despacho na face sudoeste da Serra das Sete Cabeças, parte da propriedade posteriormente herdada do meu avô pela minha mãe (MORAIS, 2011, p. 75). 

Observa-se, no relato, a afirmação que os Carneiros estabelecidos no Bom Despacho, atual distrito de Jaguara, já habitavam na região desde muito tempo, o que significa dizer, não apenas décadas, mas, por quase três séculos. Seus ancestrais, como adiante veremos, se fixaram em inícios do século XVIII, pelos sertões. 

Salvo os que migraram para a sede, no século XX, que se localiza na área mais alagada do tabuleiro Paiaiá, raros foram os que adquiriram propriedades nesse espaço. No grande território ocupado pelo semiárido baiano vai se espraiar a maior concentração dos Carneiros no Estado, enquanto que no Município de Feira de Santana, sua difusão se ateve às bordas do tabuleiro, onde se verifica mais escassez de precipitações de chuvas, área que abarca parte das caatingas. 

A mais antiga referência encontrada para a serra das Sete Cabeças data de 1850 com o coronel José Batista Carneiro, adquirindo, via compra, um lote de terras, afirmação que encontra respaldo no Inventário analítico da documentação histórica do monsenhor Renato de Andrade Galvão, obra creditada a Maria de Fátima Hanaque Campos (1998, p. 59). Mas, ainda assim, no século anterior, o mesmo volume traz na página precedente, em data sem precisão, na segunda metade do século XVIII, o registro que o português Custódio Ferreira Passos – casado com a tia do coronel José Batista Carneiro, de nome Rosaura – através de ação requer um traçado dos limites da fazenda Imbuzeiro junto à justiça. Local este situado próximo ao rio de Jacuípe, como também à serra das Sete Cabeças, o que significa dizer que a área passou a ser ocupada naqueles idos. 

Há vários outros documentos que de igual modo são catalogados nesta obra, os quais se referem ao pai do coronel José Batista Carneiro, o capitão João Batista Carneiro, ou ao seu avô Antônio Carneiro da Silva a reclamarem títulos de propriedade, no século XVIII, em territórios vizinhos. Foram esses militares de patente que se estabeleceram com suas fazendas nos sertões, da então Capitania da Bahia.

 Luis Cleber Moraes Freire (2010, p. 191-193), em seu estudo genealógico desta família, Os Carneiros no sertão da Bahia, se reporta ao pai do capitão João Batista. Este teria emigrado de Portugal, se casando em Água Fria em 1730 e tinha por nome Antônio Carneiro da Silva. Se casara com uma das filhas de Bernardo da Silva, sendo ela natural de Serrinha e levava o nome de Ana Maria da Silva, e residiam na fazenda São Bartolomeu, situada em Riachão do Jacuípe. Dali, sua geração de nada menos que doze filhos se ligaria em matrimônios a outras muitas famílias de parentes, ao se fixarem num raio de vizinhanças que abrangiam quilômetros em todas as direções com João Batista Carneiro se estabelecendo na fazenda Santa Rita, em São José das Itapororócas, fruto de compra em mão de Lourenço Justiniano do Valle Sá, um dos descendentes do sesmeiro João Peixoto Viegas. 

O capitão João Batista Carneiro tanto quanto o alferes Custódio Ferreira Passos se estabeleceram como fazendeiros, antes que Gonçalo Alves adquirisse o sítio Licurizeiro, com esposas e seus filhos mais velhos, ainda adolescentes. Eles faziam parte das relações de Gonçalo Alves, após o falecimento da sua primeira esposa, como veremos a seguir. 

Ambos foram requisitados como avaliadores dos bens deixados por D. Quitéria Maria de Jesus e Gonçalo Alves, em janeiro de 1803, quase um ano depois do óbito da mulher (REIS JÚNIOR, 1953, p. 21). Contudo, sete meses antes, Gonçalo Alves já havia contraído núpcias com D. Eugênia Maria dos Santos, na Igreja de São José das Itapororócas. 

Não é uma distância das mais elásticas, para se deslocar montado, a que separa o sítio Licurizeiro da sede da freguesia de São José das Itapororócas. Diria que léguas sem conta eram cobertas pelas cavalgaduras nesta ocasião, a exemplo do gado tangido pelos vaqueiros do Maranhão e Piauí, ou até de Minas Gerais e Goiás, para ser vendido em Salvador, enquanto o trajeto do sítio Licurizeiro até São José das Itapororócas, pela via mais curta, não passava de vinte e cinco quilômetros. Era verdade que os nubentes e os convidados precisavam ter mais conforto no deslocamento, mesmo porque o aparato que envolve a cerimônia requer certos cuidados com a indumentária e ornamentos. Por isso havia a alternativa de as famílias perfazerem o trajeto em carros de boi, pela menor distância. 

O capitão João Batista foi convidado como um dos padrinhos do casal. O ritual de casamento não se revestiu dos mesmos faustos anteriores, em virtude do clima pesado que ainda envolvia a morte de D. Quitéria, mãe das crianças, que ocorrera no início deste mesmo ano, de 1802 (Idem, ibidem). Portanto, se observa que antes de João Batista e Custódio Ferreira se apresentarem como avaliadores, já João Batista tinha sido padrinho do segundo casamento de Gonçalo Alves, o que o credencia como uma das mais influente amizades. 

Para quem habitava já há algum tempo na fazenda Santa Rita e acumulava certo conhecimento com relação à administração das propriedades, em razão de ter nascido no semiárido, nada impedia que o capitão João Batista sugerisse a Gonçalo Alves vender seus bens no sítio Licurizeiro e adquirir outra propriedade em áreas mais produtivas no semiárido, em respeito à sua opinião balizada. Até porque a fazenda Santa Rita era uma possessão das mais invejadas pelo progresso que registrara sob a batuta do capitão João Batista, que certamente se solidarizava com aqueles momentos difíceis do tropeiro. 

Dos vários outros ramos que se ligavam à mesma família, assim distribuídos pelos sertões, apenas alguns descendentes de João Batista Carneiro se fixaram em São José das Itapororócas, mais propriamente herdando parcelas da sua posse, situada no limite com o semiárido, enquanto crescia assustadoramente o número deles pelo território da povoação do Bom Despacho, portanto, fora do perímetro do tabuleiro (FREIRE, 2010, p. 2015-2018). Não foi um acaso esta preferência já que seria um investimento que demandava outras tarefas ligadas à adubação das terras. É fato que Gonçalo Alves vendeu o sítio Licurizeiro, e com os valores resultantes da transação foram criadas as condições de aquisição do imóvel que deu o nome de Serra da Agulha, localizada em Tanquinho. Pelo que dizem os biógrafos de Maria Quitéria, seu pai teve outras propriedades além dessa última, as quais foram adquiridas nos anos posteriores ao falecimento da sua segunda esposa, o que revela ter decidido corretamente quando se desfez do sítio Licurizeiro. São listados pelo menos mais dois sítios, nem sempre situados no semiárido. Mas se delineia que os três primeiros filhos de nome Maria Quitéria, seu irmão Luís e a irmã de nome Josefa, todos nasceram no sítio Licurizeiro. (...)"


Por Jaime Magalhães Morais

http://www.revistacomciencia.com/arquivos/11.pdf


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

João Batista Carneiro

 

João Batista Batista Carneiro, 1750 - 1828

João Batista Batista Carneiro nasceu em dia mês 1750, em lugar de nascimento, para António Carneiro da Carneiro da Silva e Ana Maria Carneiro da Silva.
António nasceu em 12 de fevereiro de 1697, em Igreja,Sobrosa,Paredes,Porto,Portugal.
Ana nasceu cerca de 1710, em Água Fria, Bahia, Brasil.
João teve 8 irmãos: Antônio da Silva da Silva CarneiroInacia Maria Cardoso da Silva (Petéo do Pedrão) e mais 6 irmãos.
João casou Teodósia Maria do Nascimento.
Teodósia nasceu em 1759.
Eles tiveram 4 filhos: José Batista Carneiro e mais 3 filhos.
João faleceu em dia mês 1828, com 78 anos.
Ele foi enterrado em lugar do enterro.

https://www.myheritage.com.br/names/jo%C3%A3o_carneiro%20da%20silva

Araci 1891

 




Fonte: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=313394&pagfis=46576&url=http://memoria.bn.br/docreader#

domingo, 11 de outubro de 2020

Antonio Tavares de Brito


Antonio Tavares de Brito é um antepassado que não tenho nenhuma informação, mas encontrei os seguintes trechos sobre um dos filhos dele:

"O 1º padre responsável pela Catedral foi, Pe. José Tavares da Silva (paroquiato 1846-1867) Natural de Muritiba, comarca de Maragogipe, filho de Antônio Tavares de Brito e Ana Lobato de Souza. Foi ordenado em Salvador, vindo em seguida para ser vigário colado de São José das Itapororocas em 1821. Foi transferido quando da mudança da freguesia de São José de Itapororocas para Feira. Foi agraciado com um título honorífico, por ocasião da visita do imperador D. Pedro II (1859) a Feira de Santana. Teve o padre Ovídio de São Boaventura como seu coadjutor. Faleceu em 1867, quase centenário."

http://wikimapia.org/5881353/pt/Catedral-Nossa-Senhora-de-Sant-ana

e

"Num dia quente de sábado, como costumam ser os dias de março às portas dos sertões baianos, sobretudo em tempos de seca1 , poucos meses depois da abolição da escravidão nos Estados Unidos ocorria, numa pequena vila do interior da Província, um fato de muita relevância - ao menos para Hilária, seus filhos e seu consorte. Naquele dia, tão quente e modorrento quanto tantos outros sábados na Feira de Santana, rompiam-se, em face do direito, os nós que os amarravam ao cativeiro. 

Naquele sábado, passando pelo movimentado centro da Vila, levando consigo uma folha de papel embaixo do braço, o vigário José Tavares da Silva dirigiu-se à rua Duque de Caxias, onde estava localizado o cartório de Francisco Gonçalves Pedreira França, ou apenas Tabelião França, como era mais conhecido. Ali o Tabelião tomoulhe a carta de alforria que o tal padre havia escrito para Hilária e na sequência fez os procedimentos de praxe – conferir e alterá-la se necessário -, registrando-a por fim em seu livro de notas públicas. A postura do padre conferia ao documento legitimidade jurídica ao torná-la pública e reconhecida por seus pares. Ao registrar a vontade do dito Vigário em conceder a liberdade a sua “mulatinha Hilária”, o Tabelião França registrava e tornava público também que a carta de alforria daquela mulher foi “conferida por seu benfeitor”. Ficava doravante inscrita a ação benevolente do padre senhor de escravos.

Nascido em Muritiba, comarca de Maragogipe, no Recôncavo baiano, filho de Antônio Tavares de Brito e Ana Lobato de Souza, o religioso foi ordenado em Salvador, de onde seguiu, em 1821, para São José das Itapororocas, freguesia de Feira de Santana, para exercer suas funções de pároco. Mas, somente em 1846 tornou-se vigário na Cidade, na capela recém-ampliada. Conforme a Lei Provincial n. 234, de 19 de março daquele ano, encabeçada pela Câmara Municipal, a então Vila de San’Anna dos Olhos D’àgua da Feira tornara-se sede paroquial. Foi a partir de então que a Matriz de Sat’Anna passou a ter sermões e louvores presididos pelo vigário Tavares. Em reconhecimento a seus préstimos àquele rebanho e, decerto, a seu prestígio naquela sociedade, ele foi agraciado com um título honorífico por ocasião da visita do imperador dom Pedro II a Feira de Santana, em 1859. Quase centenário, morreu em 1867, poucos anos depois da decisão de alforriar Hilária e responder aos falatórios que pareciam correr naquela Vila a respeito de sua relação com Hilária. 

O Vigário fez questão de registrar na carta de alforria sua “bondade” com a cativa, concedida a ele pelo padre José Cupertino de Araújo6 , mas também a insatisfação que o levou a passar a dita carta que, até então, lhe parecia desnecessária já que “sempre a criei como livre, tanto que lhe dei, na idade consulente, o estado de casada, em que hoje, vive com Jozé Dionízio da Silva, tendo aí vários filhos” (i.e.). Tomado de cólera indisfarçável, afirmou, em seguida, que já havia passado desde antes do casamento de Hilária uma carta de alforria “e como de presente não seja encontrado o título de sua liberdade, e recriando que não seja bastante estorvo a maldade alheia, o fato de me mesmo a haver casado e consentir no estado de livre em que ela vive a longo tempo”. Infelizmente não podemos saber o que maldavam os alheios a ponto de incomodar o padre. Suponho, no entanto, que se a primeira carta de fato existiu, o vigário poderia tê-la destruído, ou então, ela nunca passou de intenção, jamais levada a cabo, registrada em cartório e, portanto, capaz de produzir efeitos."

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/13684/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o-Flaviane%20Nascimento.pdf

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

História da Minha Vida – Fita 2, Lado B

Meu bisavô Hildebrando Cedraz (Pequeno) gravou diversas fitas, algumas com músicas (ele adorava tocar violão e cantar) e outras contando a história da vida dele. Consegui encontrar algumas dessas fitas e vou postar aqui. Para quem quiser ouvir é só conferir o audio abaixo, mas também coloquei a transcrição (vez ou outra é difícil de entender o que ele fala, então me desculpem se houver algum erro, também não fiz correções, só fui digitando). É importante lembra que ele nasceu em 1901, então a visão que ele tinha de muitos aspectos da vida são diferentes da visão que temos atualmente.

Obs: Uma parte das fitas já está no 4shared caso alguém queira baixar para ouvir:

https://www.4shared.com/file/ZgGKFgekea/Fita_1A.html

https://www.4shared.com/file/Z7ZdU27niq/Fita_1B.html

https://www.4shared.com/file/u_5r7robea/Fita_2A.html

https://www.4shared.com/file/uUS5znO4ea/Fita_2B.html

"Isso foi 1930, mas Idália teve o primeiro filho no dia 29 de janeiro de 1929, Homero, esse meninozinho muito lindo. Eu tinha botado uma venda pro serviço do cercamento da fazenda e tal, como já disse houve a questão do povo do galheiro, e eu matava boi e tal, eu comprava ovo. E com isso fiz um movimento grande lá no Rio das Pedras com esse negócio. Então depois dessa luta, o negocio da questão do galheiro que eu ganhei, fiz cerdado, trabalhando com muitos homens. Eu saia de manhã, voltava de tarde, Idália mandava levar minha comida meio dia lá no mato. Meu pai disse que era pra eu tomar nota que me pagava, não quiz não senhor, quero cercar e lhe entregar a fazenda na chave, não quero nada não senhor. Isso o menino foi pirigando, eu dava duas viagens por semana a Serrinha pra ver se dava jeito, mas não pode porque tinha deslocado um rim, eo rim estava crescendo, crescendo, crescendo, doutor André disse: 'não, esse caso pode operar, mas de mil escapa um, você é quem sabe'. Não não vou operar não, não adianta, vamos maltratar ele mais ainda, deixe pra lá. Ia ruizinho, foi quando Idália teve Mariá, dia 18 de junho 1930. Foi no ano que eu tive esses milhos, fiz muita farinha, eu fiz ...só a mandioca que plantamos de sociedade lá no palperio (pal ferros?) deu 160 sacos, 80 pra cada um. Eu tinha feito um caixão de 100 sacos, mas a mandioca que tinha plantado no fundo ca casa eu não arranquei porque a prensa quebrou a porca e pra vir demorava, já chovendo trovoada, eu não, farinha barata eu vou comprar pra enteirar, ai comprei faria, acabei de encher o caixão, a 5 mil réis o saco, comprei um saco de esteira, enchi um bocado de saco de farinha e tal também, e a mandioca ficou lá. Mas quando foi em 31 eu fiz outro roçado, o ano não deu nada, nada mesmo em 31, então eu perdi a mandioca. A mandioca pocou, eu não pude arrancar em 31 e nisso ficou, eu lutando com as dificuldades, foi quando eu tava com uma porção de gado e eu não tinha os pastos não davam, pra eu ficar criando esse gado todo assim. Eu fui a Impueira tinha gado na Trovoada, fiz uma berdueguinha, e eu banquei bobo em vez de descer meu gado pro lado do Santo Antonio levei meu gado, 64 rezes, pra Impueira. E quem tomava conta era o cabra lá preguiçoso, que era um moreno, deixou meu gado morrer. Deixei o gado lá e não chuvei mais nunca. Nunca, em 1931, 64. Ai eu não esmoreci não, fiquei por cá trabalhando e tal, 31 veio 32, veio 32 eu puxei outro roçado de 25 tarefas lá pra perto do rio Itaí. 32, 25 tarefas. Ficamos no meio, umbuzeiro dos cágados chamado ???? da caatinga, mas cerquei tudo, deixei preso e plantei o roçado de mlho, plantei todo de milho e capim. Nunca choveu, ai o povo começou a se apertar e eu acabei a venda porque não tinha ninguém, já tinha ido embora tudo pro recôncavo, procurando recurso, não tinha mais ninguém Mediocler e seu Maurício. E pronto, 32 ruim, que é que se faz, o povo pra ir embora, ai eu plantei o roçado e meu milho e coisa, ai veio Deodoro e me pediu socorro, seu Maurício. Botei Mauricio pra serrar madeira e Deodoro, veio Vitorino guentei Deodoro, Vitorino e seu Mauricio durante a seca de 32 fazendo portas e janelas, fizemos um caixão, mais um caixão que levava 130 sacos de farinha, mas ai já não botei farinha mais nesse ano, já era 32. Não tinha, a farinha já tinha subido de preço. Ai guentei com esses homens fazendo portas e janelas, fizemos muitas portas e janelas, minhas umburanas acabou, meu pai não queria que eu tirasse muita umburana, eu fui pra queimada nova, Joaquim me deu, foi lá que eu tirei mais um bocado de umburana e seu mauricio serrando e eles fazendo portas e janelas. Quando foi no mês de julho veio uma chuvinha. Deoclecio havia descido, estava em feira de Santana com a família, eu mandei chamar ele, que ele voltasse. Plantei um pouco de feijão, milho não dava mais, mas o capim nasceu todo, o milho já tinha apodrecido o capim nasceu todo. eu plantei um pedaço de feijão, mas foi quando eu tinha um lote de carneiro gordo, vendi a cumpade Camilo pra Serrinha e a (...) desses carneiros tava lá no pasto de Leli mais Iaiá, eu tava cavando cova de feijão mais seu Maurício, fui entregar os carneiros e correu um carneiro eu fui atalhar e seu Onô tinha puxado, desmanchou uma cerca no pasto dele, por dentro do pasto, deixou só um fio de arame, na carreira que eu ia, quando descobri o fio de arame botei a mão assim pra não me desgraçar o rosto, cortou minhas mãos todas, não pude mais pegar na enxada nem nada, me atrapalhou, ai eu voltei, a mão cortada de arame, ô minha nossa senhora que coisa ruim. Fiquei, fiquei disse sabe de uma coisa vou embora pra Ichú, vou procurar um lugar pra eu entrar no comércio, vou entrar em um comércio, não posso ficar assim me acabando não. Me acabando de trabalhar, seca só seca, só seca, não tá dando nada, meu gadinho que levei lá pra cima tá se acabando também. 

Foi quando Homero no mês de junho, no fim de julho, Homero perigou, e dona Olympia tava aí, nós tinha perdido 28 noites, vamos levar esse menino pra Coité que lá tem mais gente pra gente ficar. Aí saimos com o menino, o carro de boi com a bagagem, dona Olympia, Idália, Idália tinha Mariá pequenininha, a criança tava com 28 dias ou 30 dias, e nós fomos, eu com Homero no cabeçote, ficava só olhando ele assim, desfiava o cigarro todo ou um cachinho de jurubeba, quando chegamos na Onça, era meio dia, fomos descansar um pouco, daqui a pouco dá leite ao menino, remédio e tal, saimos, não viajamos duas tarefas o menino estirou, Olympia o menino tá morrendo, Idália correu chegou o menino tava morrendo mesmo, chegou botou lá em cima do carro o menino morto, todo mundo chorando e tal, fomos pra Coité, lá só fomos enterrar a criancinha, morreu ele Homero. Passamos lá umas semanas voltamos de novo eu mais Idália, voltamos com Mariá pequenininha. Dona Olympia batizou logo mais neninho a criancinha pequenininha e nós voltamos pro Rio das Pedras, no mês de julho.

Quando foi em Outrubro, foi outrubro ela teve, Outubro de 32, isso foi 31, quando foi em Outubro de 32 ela teve Francisco, dia 4 de outubro. Nasceu Francisco, eu já tava me arrumando pra ir pra Ichú, então eu pensei em ir pra Ichú. Mota morava em Feira de Santana, disse que se nós arranjasse uma estrada aí por dentro, que logo fez a estrada de Tanquinho pra Candeal, e puxou pra fazenda dele, se pudesse ligar. Eu digo vamos ver que jeito se dá. Eí eu pensei vou fazer o seguinte, pra impressionar o povo do Ichú eu vou pegar esse resto de homens aqui e vou puxar a estrada, a estrada daqui pra Ichú. Peguei uns quatro rapazes e fui levando, entupindo buraco e tal, arrancando pedra, do Rio das Pedras duas léguas. Toquei, quando cheguei na lagoa do boi veio zuca da Aleluia chamado que ele tinha uma fazendinha ali no contador, quando viu meu trabalho disse "vixe nossa seu pequeno', 'eu vou levar pra Ichú'. Ele foi lá, quando voltou eu já vinha na capoeira do rio com o trabalho chegou no Ichú disse Pequeno vem com o trabalho bem feito só nós ajudando ele. Passei a capoeira do rio, a estrada por dentro do rio, uma volta desgraçada no umbuzeiro, outra volta na capoeira do rio pra sair no umbuzeiro, cercado grande, lá pelo banguelo. Ao final que quando cheguei no Umbuzeiro a turma do Ichú veio me encontrar, a turma do Ichú veio me encontrar e aí nós juntamos todos dentro de dois dias chegamos no Ichú. A estrada ia sair lá no Peixe como já disse, no matadouro, onde eu fiz o matadouro, mas seu (joão dão?) não tava ai, cortamos a volta pra sair no cemiterio, saimos ali no cemitério. Eles já tinham arranjado um cemitério no Ichú. Saimos ali a estrada. Quando chegamos lá logo Antonio Pio seu Zé do Umbuzeiro, os dois, 'Pequeno venha pra qui, rapaz, pranha pra qui, eu lhe vendo aqui minha mercadoria, lhe dou a casa você não paga tostão de aluguel. Coisa ruim ele tinha uma venda na Aleluia, na fazenda dele e tinha essa lojazinha na rua. O Ichú já tava maiorzinho, uma porção de casinha de rancho, tudo casa de rancho, tudo casinha de rancho e tinha uma capelinha no meio da rua. Quando eu passei por lá em 27 apenas tinha um sino amarrado no fecha da casa do velho Joaquim. E aí já tinha uma capelinha no meio da rua, capelinha pequena então ' a eu lhe vento e tal' , eu fiz o negóciocom Antonio Pio, eu tava pensando isso mesmo, comprei a mercadoria dele, fiquei na casa, seu Jove veio me vendeu, ai seu Nery disse 'oi pequeno cuidado com seu Hermelino, ele tá devendo', tá bom, seu Hermelino cansou comigo, não seu Hemelino, peraí o senhor tem débito, sua mercadoria tá maltratada, depois posso compra, mas agora não posso não, meu capital é pequeno, já comprei a esses paguei, empatei meu capital, e tal. Fiquei por ali, eu só tinha, eu tinha vendido meus animais a Luis Chiquinho quando tinha que ir pra lá, vendi meus cavalos, três cavalos gordos por 2500 a Luiz Chiquinho, dois contos e quinhentos pra enterar o dinheiro pra ir pra lá. E fiquei nisso ai agora, a influência seu Pequeno, todo mundo era seu Pequeno, o senhor quer ficar aqui, que aqueles freguês dele entrava, liberdade de se despachar dentro da venda, 'não! Aqui dentro só fica eu e o rapaz que vai me ajudar, não tem esse negócio de ficar aqui dentro da venda não'. Aí tirei logo todo mundo, despachava no balcão. Idália ficou no Rio das Pedras, não podia ir que não achou uma casa que servisse pra nóis morar. Consegui uma casa de rancho, que com (...) disse você pode concertar como você quiser, não tem problema não, aí eu meti o páu, fazia cozinha, murar a casinha, fazer cozinha e tudo, uma latrinazinha que não tinha. Aquilo era uma coisa, uma pobreza, em 32. Eles estavam cavando um tanque que coronel João Passos tinha prometido 20 contos, fez que podia cavar o tanque que ele arranjava lá com o governador, mas era Juracy Magalhães, não podia arranjar nada. Ele não podia, quem tinha força era Rufino, mas João Paulo arranjou os 20 contos e eles bateram cavando o tanque lá numa lagoa lá no fundo da rua e tal. Aquilo por besteira cada meta e eu fiquei nun jegue, vinha de manhã, abria a venda, quando eu vendia dez de reis já fazia a feira, fechava a venda e ia embora pro Rio das Pedras. Aí nisso fiquei, trazendo tinha um carro de boi do Rio das Pedras, que eu tinha arranjado um carro de boi, e o carrinho trazendo madeira e tudo, até que preparei a casa. Mas isso foi 32, entrou 33 ruim, lá vai janeiro, fevereiro. A chuva veio chegar em Março, chegou temporal bom. Foi quando eu trouxe Idália praí. Trouxe Idália praí pro Ichú, levei pra lá, nessa casinha, mas já bem arrumadazinha, ficamos lá. 

Então eu fiquei por lá, não tinha animal, eu pra fazer uma viagem a Riachão ou Serrinha era tomando seu Zé do Umbuzeiro um cavalinho a ele ou seu Antonio Pio. Emprestava, eu tinha vendido meus animais todos, só tinha esse jeguinho, que eu ia pro Rio das Pedras e voltava. Quando Idália queria passear no Rio das Pedras ia a pé, cansou de ir a pé coitada, e eu com um menino na garupa no cabeçote, nós tava com três menino, Abelardo, Mariá e Francisco assim pequenininho. Aí nós fomos levando assim, a coisa foi melhorando um pouco, foi indo, lá vai. Foi quando houve uma grande safra, seu Hermelino muito trabalhador, o povo do Ichú é muito trabalhador. Quando, nesse interim, foi quando eu era delegado, sim, eu me esqueci que quando foi 1930, depois daquela revolução de 30, Eustórgio, eu passava me chamou disse 'venha cá' eu esqueci de falar isso 'você venha ver' pegou o diário oficial, para delegado de Coité Eustorgio Pinto Resedá, para primeiro suplente Hildebrando Cedraz da Silva, opa, eu primeiro suplente, veja a confiança que ele tinha em mim. Ele me nomeiou como primeiro suplente, eu já tinha me esquecido de dizer isso, foi em 1930, depois da revolução de 30 que ele fez isso. 

Quando foi em 31 ele me passou o exercício de Delegado. Quando eu vim para o Ichú, Riachão era submisso a Coité, era Durval Pinto o prefeito do Coité, o intendente, tinha um Arnaldo Motta farmacêutico em Riachão que era o vice intendente, o sub intendente e delegado de Riachão. E eu tava de Delegado o tempo que tava com a portaria que Eustorgio me entregou me passando o exercício de delegado, podia dominar tudo com aquele. Tava como delegado de Coité e Riachão esse tempo todo, isso eu tinha me esquecido de declarar, essas coisas são assim mesmo. Então eu fiquei no Ichú, era o delegado daquele termo e tal, então não tinha padre no Riachão nessa época, pra arranjar uma missa, eles arranjaram, conseguiram um padre de vir de Camisão, hoje é Ipirá, rezar uma missa aí. Existia no Ichú uma turma de gaeteiro, os filhos de Hermilino com Luis de Elias e tudo, era uma turma de gaitas que era a música do Ichú. Quando o padre chegou eles vinheram fazer uma recepção, o padre se aborreceu com eles, mas tinha uns barbeiros do Calderão que costumava vir tocar nas festas, festa sempre foi lá iniciada em fevereiro, 5,6 e 7 de fevereiro. Quando o padre soube que vinha os barbeiros disse não ia tocar não, que não era pra tocar não. 'Não é porque padre?' pois será possivel, não é possivel uma coisa dessa. O tempo já tava bom, já foi em 33, tempo bom, me ofereceram uma melancia muito bonita, me disseram ' o padre gosta de melancia rapaz', hospedado na casa de Luiz Conrado, ai eu digo oxe peraí padre tá caçando briga, deixa eu ir lá, mandaram eu levar a melancia a ele. Aí fui com três companheiros lá 'ô seu vigário, como é e tal e tal, o senhor não quer que toque? nãovtenha paciência, isso é tradicional, o senhor marque quando é que só vão tocar na hora que o senhor mandar, garanto ao senhor que ele não faz nada fora'. E já o subdelegado de Candeal chegou 'a porque eu mando tocar', 'não peraí rapaz, alto lá, eu sou o delegado do termo, 'ha´é o senhor?' a é, não é assim não. É um preto que tinha do Candeal, esse povo já sabe como é. Aí o padre concordou, marcou os horários e os barbeiros foram tocar no horario marcado por ele. Daí em diante ele passou uma semana aí. O padre gostando, e obedeceu todo mundo e os barbeiros podia tocar a hora que quizesse, então foi quando houve a festa de fevereiro, coisa muito importante. Depois eu fui a Coité, consegui com Lero, João Garricha, violão, Lero bandolim, Zeca Pedreiro era o cavaquinho, vamos fazer uma orquestra no Ichú. Aí eles eram sapateiros, digo eu  forneço a vocês, eu lhe forneço a mercadoria você faz o seu trabalho vá vendendo e me pagando, aí tá certo. Levei eles pra lá, chegaram lá eu comprava mercadoria, sola, couro,.... Tudo tudo dava aeles, eles tinha máquina, tinha tudo , fabricando  um percata e vendendo, um chinelo e coisa, sapato e me pagando, compra mais e fomos levando assim. Orquestra muito boa. Ja foi no ano de 34, ano bom, tudo correndo bem. Eu peguei Jonas e levei pra lá, Jonas meu cunhado, pra me ajudar na loja, 1934. Lero mais João Garricha, esse povo todo lá no Ichú, tudo meu era no Ichú e lá vai. As coisas melhorando mesmo, 34, e foi indo. Nunca mais eu fiz um roçado nem coisa nenhuma, quando foi, isso foi em 34, 35. Sim 34 nós criamos o distrito de Ichú. Aproveitamos, tinha o administrador de Zé Rufino, era Justiniano Soares Militão, tratava Justo, um preto que se interessava pelo Ichú demais. Em 32 ele havia levado os animais de Zé Rufino pro Santo Amaro pra (recursar?), as éguas com tudo, e botar num pasto dum cidadão lá da fazenda chamado Vanique, aí tomou dinheiro no banco e morreu, deixou o debito, tiveram que vender essa fazenda e Justo pegou essa viúva com as filhas e trouxe pra Ichú. Comprou a fazenda de Zé Martins ali perto da rua, Bom Jardim, e a viúva veio praí.

Aí criamos o distrito, pra ser nomeado o filho mais velho dela, Umberto como escrivão. E foi criado o distrito e eu fui nomeado como subdelegado, logo aí de novo era o intendente de Coité me tirou, logo já tinha saído de delegado do Coité. Fui nomeado subdelegado de Ichú, Umberto o escrivão, e Leonardo das Balizas o juiz de paz. Ficamos o Ichú, eu no Ichú como subdelegado, Umberto escrivão, mas Umberto desajeitado, tudo pra começar é difícil. Umberto coitado, não fazia nada, um meninozinho pra registrar, uma besteira e não dava pra passar, eles diziam que iam morrer de fome, daí um ano, uma coisa, se não vamos embora pra São Paulo. Resolveram vender a fazendinha e ir embora pra São Paulo. Justo mesmo, mais ajuntaram mais outros lá e compraram a fazendinha e eles foram embora pra São Paulo e Umberto deixou, entregou a Zé Rufino o cartório, pra Zé Rufino resolver. Foi quando Luiz se aproximou pra querer ser candidato do cartório e Zuca Trabuco. Zé Rufino mandou me chamar, 'o que é?', 'É porque tem dois candidatos aqui no cartório e você quem resolve, tem Zuca Trabuco de José Trabuco e tem Luiz de (Anguelino/Armelino?)'. 'Entrega a Luiz!', 'Oie Compadre, esse povo é muito falso'. Mas eles são muito pegado comigo, são muito pegado comigo, deixei ele mesmo. Foi quando Antonio de seu Armelino pagou o débito que tinha a (Frente e Silva?) de Salvador, deu um gado, deu uma mula que ele tinha de arreios, mercadoria eles não queriam, tudo maltratada. Aí pagou um boi que ele tinha comprado por um conto de réis, um boi Gir, tudo isso o povo viajando. Foi quando Antonio Moura carneiro, era credor, veio, ele só tinha junta do boi de carro, seu Hermelino, e tinha deixado umas quatro vacas pra tirar leite. Ai Antonio Moura Carneiro acertou pra dar 'dou 60 dias pra ele pagar ao contrario tem que ferrar os boi de carro', e disse pra eu comprar as mercadorias 'Não a mercadoria deles tão muito maltratada, ai vencido o prazo eu tive pena de seu Hermelino. O carro de boi ele levava mercadoria, milho pra serrinha e trazia e trazia mercadoria da gente a dez o saco, ele tava vivendo disso coitado, muito trabalhador, pedindo. Fui a a Feira 'Seu Antonio, como é? Se eu comprar a mercadoria do seu Hermelino o senhor me guenta pra eu ir lhe pagando', 'Oxe Hildebrando, pode fazer o negócio, eu tô com pena de ferrar os boi de carro dele. Vamos deixar e tal'. Aí ele tinha me entregue o ferro, tá até guardado lá no meu armazem no Ichú até hoje. Eu fiz esse grande favor a seu Hermelino, então comprei a mercadoria, deu pra pagar o debito de Antonio Moura Carneiro e ainda sobrou ainda cento e tantos mil reis, eu entreguei a ele o dinheiro, dei em primeiro lugar logo a seu Hermelino que precisava e fui paguando seu Antonio Moura, pouco tempo eu paguei tudo, graças a deus. Pois o tempo tinha melhorado eu vinha ai Virgilio tinha vendido a loja dele a Estevão Bispo era um empregado dele compro. Apertado, não tinha o dinheiro, Virgilio tomando o dinheirinho que ele apurava todo para pagar trabalhador lá no candeal e o pobre do Estevão apertado, então eu ia comprar mercadoria a Estevão tudo de graça, mercadoria barata, bulgariana de cruzado de quinhentos reis, madastro algodãozinho, tudo, brilho diamantino de dois cruzados, a mesca, tudo baratinho. Eu fui na Caiçara 'Jove você me empresta, tem algum um dinheirinho?' 'Eu só tenho aqui 300 mil reis, até Totonha veio me pedir aqui emprestado um dinheiro pra comprar uma farinha, eu disse a ele que não tinha, mas você cala a boca, fique com esse dinheiro lá, só me dá quando eu procurar, não quero que ninguém saiba'. 300 mil réis, eu fui, oxe, fiz um feirão, sorti minha loja com 300 mil réis e mais um dinheirinho que eu arranjei aí da cera que eu fazia, oxe uma beleza, aí comecei a melhorar, melhorar, melhorar, melhorar e lá vai. Eu no Ichú, muito bem e coisa. 

Foi quando daí em 35, já era juiz de paz, foi quando morreu o juiz de paz Eulálio das Balizas, foi quando então Maninho Ferreira tinha vindo praí botou uma bodega, tinha Apolonio, Satinho essa gente tinha umas bodega, e eu então, Manu Ferreira botou uma bodega, eu digo, Maninho eu vou lhe nomear como subdelegado daqui, 'pequeno não' vou botar porque eu vou passar pra juiz de paz, Eulálio morreu, e você fica como subdelegado. Ai nomeei Maninho, Maninho 'Pequeno eu vou renunciar', 'Porque?', ' Não tem quartel, Seu Hermelino vendeu o quartel daí a Zé Damião do Riacho da Areia, e Zé Damião comprou o Quartel. Seu Hermelino disse que a prefeitura não tava pagando nada, que ele vendeu a Zé damião por um conto de réis o quartel. 'Não peraí que eu vou ver Zé Damião'. Zé Damião você me vendeu, dou lucro, ai comprei de novo o quartel, 'Tome Maninho a chave, você fica como delegado, seu quartel'. Ficou lá, Maninho como subdelegado e eu como Juiz de Paz, ficamos esse tempo todo, lá vai a gente.

Quando foi em 38, apareceu aí uma coisa, parece que acabou, porque era ditadura, naquele tempo de Getúlio Vargas, coisa aí. Mas teve uma passagem aí, teve em 38 uma democracia, ligeiro, provisória, que fizeram uma eleição bico de pena Pedro Mascarenhas o prefeito, e me nomearam, me elegeram também como Vereador.Tmabém foi poucos dias acabou isso. Acaboi isso Pedro Mascarenhas deu pra beber cachaça, ficando bebado, estragando a família e tal, bestando. E eu piquei de novo, passei para Juiz de Paz, de novo, foi levando, isso em 38, 39. Tudo ditadura, ditadura e eu sempre com prestigio ali.Fui levando, 39, 40. Sim, em 35 o Antonio Pio exigiu a casa e eu tive que construir uma loja em 35. Construi aquela casa da loja, fui na Queimadinha tirei um pedaço de casa velha lá e (minha dedela?) me deu, panhei, construi a loja. Entreguei a chave a Antonio Pio lá da loja do Povo chamada, chamada loja do Povo e essa daí eu botei Avantajosa. Jonas tava comigo. 36, quando foi 36 se não me engano João Morais veio, Seu Hermelino pediu, João Morais era intendente lá do Riachão, veio pra levantar o mercado, que aí tinha um barracão feito por seu Hermelino mas caiu, aqui chuveu e caiu o barracão, quebrou tudo, não prestava. De junto da loja, onde eu construi a loja. Aí João Morais veio, 'como é seu Pequeno? Você vai tomar conta disso aqui, pra levantar aqui esse mercado. Eu só faço aqui no lugar onde está' 'Você é quem sabe, faça aí mesmo'.



terça-feira, 6 de outubro de 2020

São José das Itapororocas

 

São José das Itapororocas (Maria Quitéria): passado e presente

POR MATHEUS RIOS

 

Os mitos fundacionais de uma cidade/civilização são sempre cercados de

muitos personagens, estórias, acontecimentos, perseguições, guerras e

muitas reviravoltas.


No caso dos mitos fundacionais das cidades brasileiras quase todos

são contados levando como ponto de partida a chegada do colonizador,

a expulsão dos povos indígenas nativos e a construção de igrejas, estradas, fortes e pequenas povoações.


O mito fundacional comumente conhecido da cidade de Feira de Santana

é aquele ligado à história da doação das terras para a construção da capela em devoção à Sant’Ana no Alto da Boa Vista, por Domingos Barbosa de Araújo e sua esposa Ana Brandão, em meados do século XVIII.


Se mantermos a coerência dos fundamentos de criação dos mitos de

fundação, os primórdios da Princesa do Sertão podem estar ligados a outra localidade, outros personagens históricos que começaram o povoamento deste território um século antes, em 1609. Dessa forma, vamos analisar alguns acontecimentos, estórias e causos das vidas dos primeiros colonizadores da localidade conhecida atualmente como o Distrito de Maria Quitéria, ou, como muitos ainda preferem chamar: São José dos Campos de Itapororocas.

OS HABITANTES NATIVOS E OS PRIMEIROS

PROPRIETÁRIOS DAS TERRAS DE ITAPOROROCA

Antes da chegada dos colonizadores, os povos nativos que habitavam as terras onde hoje se localiza o distrito de São José das Itapororocas pertenciam à etnia dos Payayá. Segundo Carlos Ott, os Payayá poderiam ser compreendidos como caçadores-coletores, agricultores, fabricantes de ferramentas de pedra e cerâmica. Seriam também conhecedores da arte da construção usando ossos, madeiras, palhas trançadas de licuri e folhas de palma. A eles, devemos a origem do termo “Itapororoca” que significa “pedra que faz um grande barulho, pedra que ronca” (palavra originária do tronco linguístico tupi:  Ita: pedra – pororoca: forte barulho da natureza).


De acordo com Elias de Moraes, em 1558, o primeiro governador da Bahia, Tomé de Souza, trouxe junto à sua comitiva uma grande quantidade de gado bovino para ser criado no litoral do estado. No entanto, os bovinos não se adaptaram ao clima do litoral e passaram a ser enviados para o interior do estado. Assim, a construção de fazendas e currais era uma das condições para a concessão de terras no recôncavo baiano.


“Em 1653, essas terras foram vendidas a João Peixoto Viegas, uma das figuras mais marcantes quando estamos falando da colonização das terras dos Campos de Itapororoca.”


Ao que consta, o primeiro proprietário das terras desta região foi Antônio Guedes de Brito, que passou a ser proprietário da sesmaria de Tocós, em 1609. No entanto, o primeiro registro oficial de concessão de terras foi dada através de uma carta em favor de Miguel Ferreira Feio em 1615. Essas terras compreendiam um território conhecido como Sertão de Tocós, que abrangia as regiões de Itapororoca, Jacuípe e Água Fria. Em 1653, essas terras foram vendidas a João Peixoto Viegas, uma das figuras mais marcantes quando estamos falando da colonização das terras dos Campos de Itapororoca. Antes de entrarmos especificamente nas histórias e causos da vida desse sertanista, recorremos à ilustração do mapa adaptado por Luiz Cleber Moraes Freire para darmos uma noção melhor sobre a configuração territorial da Bahia “daquela época”:

OS PEIXOTO VIEGAS, A CONSTRUÇÃO DA

CAPELA DE SÃO JOSÉ E AS PRIMEIRAS PROPRIEDADES

Conforme nos conta Elias Enock de Moraes, pesquisador e morador do distrito de São José, João Peixoto Viegas veio de Portugal, em 1640, como sertanista, ou seja, com o objetivo de desbravar os sertões da Bahia à procura de ouro, diamantes e demais riquezas minerais. No entanto, suas atividades se voltaram para a criação e comercialização de gado. De fato, povoar a terra com gado, moradores e escravos era uma das condições para a obtenção de direito de posse das terras, como mostra a professora Nacelice Barbosa Freitas ao apresentar um trecho da Carta de Doação de sesmaria a João Peixoto Viegas:


“A terra é concedida ao sesmeiro, que passa a ter direitos plenos sobre ‘os sobejos, voltas, enceadas, agoas, salinas e os mattos que ao redor das ditas terras estivessem por dar, visto ser em utilidade da fazenda e rendas de Sua Magestade’. Exige o direito de posse porque tomou por tarefa povoar de ‘gado e escravo, e moradores’, o espaço que inexplicavelmente confirma como desabitado.”


Foi justamente com o intuito de povoar as terras que João Peixoto Viegas atende ao pedido de sua esposa, Joana de Sá Peixoto, para construir uma capela em devoção a São José. Pelos estudos de Monsenhor Renato Galvão, em 1653 a capela já havia sido construída. Além da capela, o sertanista construiu currais de madeira para negociar animais, além de alugar os pastos para animais que transitavam pela Estrada Real do Gado que tangenciava suas terras e era um importante elo para o gado que vinha da “comarca de Jacobina” e iria embarcar no porto de Cachoeira. Nesse sentido, em matéria de povoamento de moradores e criação de gado, podemos afirmar João Peixoto Viegas foi bem sucedido. De fato, no final do século XVII, foram contabilizadas 317 fazendas de gado ao longo do Rio Paraguaçu.


Foto histórica da capela de São José

Por conta desse vertiginoso crescimento, a povoação de São José das Itapororocas foi elevada à condição de freguesia (menor divisão administrativa em Portugal e no antigo Império Português, semelhante à paróquia civil) em 1696, por ordem de Dom João Franco de Oliveira, Arcebispo de Salvador. Assim, a paróquia passou a ser denominada São José dos Campos de Itapororoca. Nos primeiros anos do século XVIII, João Peixoto Viegas fragmentou suas terras para vendê-las. Uma dessas fazendas foi comprada justamente pelo Tenente Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão, e ganhou o nome de Fazenda dos Olhos d’Água. A partir de então, com a feira que se estabeleceu em torno da capela de Sant’Ana e por conta do crescimento econômico fascinante da localidade, Feira de Santana é elevada à categoria de Vila em 1833. Assim,


“Com a criação da Vila Feira de Santana e a instalação da sede municipal em 1833, promoveu-se a transferência da sede paroquial, o que ocorreu pela Lei Provincial nº 234, de 19 de março de 1846, sendo suprimida a paróquia de São José que seria restabelecida pela Lei Provincial de 23 de abril de 1864, no governo de Arcebispo D. Manoel Joaquim da Silveira, da Arquidiocese do São Salvador da Bahia.”


Em 1857, foi criado o distrito de São José e anexado ao município de Feira de Santana pela resolução provincial 657. Pelo decreto estadual nº 11.089/1938, o município de Feira voltou a denominar-se Feira de Santana e o distrito de São José de Itapororoca passou a denominar-se Maria Quitéria.


Fonte: https://feirenses.com/sao-jose-das-itapororocas/

sábado, 3 de outubro de 2020

Inicio da Família de Oliveira Maia?

 A familia Cedraz de Oliveira teve como sobrenome original "de Oliveira Maya", vindo de Portugal com Fructuoso de Oliveira Maya. Porém encontrei um registro mais antigo em que os filhos de Domingos Gonçalves Patto tinham o sobrenome de Oliveira Maya, será mais um dos casos de troca de sobrenome frequentes que vemos? Talvez por morarem na região de Maia e Santa Maria Oliveira?

O pai de Fructuoso se chamava Manoel e nasceu por volta de 1690. Domingos Gonçalves Patto tinha um filho chamado Manuel de Oliveira Maya nascido em 1692, no entanto até onde sei a mãe de Fructuoso se chamava Isabel Francisca de Oliveira, enquanto o filho de Domingos era casado com Mariana Domingues. Então fica a dúvida...

Com certeza tem similaridades..

Domingos Gonçalves Patto
* Porto, Trofa, Alvarelhos
Pais
Casamentos
Porto, Trofa, São João de Guidões 21.09.1683
Filhos
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Mariana de Oliveira Maia
* Porto, Trofa, Alvarelhos 03.04.1685 + Porto, Trofa, Alvarelhos
Pais
Casamentos
Porto, Trofa, Alvarelhos 02.1710
João Moreira da Costa * 01.03.1676
Filhos
Notas Biográficas
  • Teve como irmãos, Manuel de Oliveira Maia avô do Fidalgo da Casa Real, António de Oliveira Maya, Feliciana e António.
  • Aquando dos longos dias de reforma, o seu pai Domingos ficou domiciliado na casa da primogénita Mariana.
  • Prima direita do Capitão Manuel Gonçalves Patto da Maia, dos principais da Freguesia.
Notas
  • Ilustre Proprietária de Alvarelhos.

Manuel de Oliveira Maia
* Porto, Trofa, Guidões 27.05.1692
Pais
Casamentos
Porto, Trofa, Alvarelhos 28.05.1713
Mariana Domingues * b. 27.08.1684
Filhos
http://pagfam.geneall.net/52/pessoas.php?id=1106520

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Casamento Possidonio e Maria Sophia


Casamento de Possidônio Ramos de Oliveira e Maria Sophia da Cunha
24 de outubro de 1883

Possidônio era filho legítimo de José Maria de Oliveira e Anna Maria de Jesus

Maria Sophia, filha legítima de José Calixto da Cunha e Anna Carolina de Jesus

 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Possidônio Ramos de Oliveira

 Estou tentando conseguir uma foto melhor do quadro de Possidônio, mas enquanto não consigo aqui está a imágem que tenho: