Fonte: Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial
Esse blog é sobre a história da minha família, o meu objetivo é desvendar as origens dela através de um levantamento sistemático dos meus antepassados, locais onde nasceram e viveram e seus relacionamentos inter-familiares. Até agora sei que pertenço as seguintes famílias (nomes que por vezes são escritos de forma diferente): Ramos, Oliveira, Gordiano, Cedraz, Cunha, Carvalho, Araújo, Nunes, Almeida, Gonçalves, Senna, Sena, Sousa, Pinto, Silva, Carneiro, Ferreira, Santos, Lima, Correia, Mascarenhas, Pereira, Rodrigues, Calixto, Maya, Motta…
Alguns sobrenomes religiosos que foram usados por algumas das mulheres da minha família: Jesus, Espirito-Santo...
Caso alguém tenha alguma informação, fotos, documentos antigos relacionado a família é só entrar em contato comigo.
Além desse blog também montei uma árvore genealógica, mas essa só pode ser vista por pessoas que façam parte dela. Se você faz, e gostaria de ter acesso a ela, entre em contato comigo.
Os versos citados acima contam partes da memória da escrava Martinha, recontada a partir de documentos, como sua escritura de compra e venda; certidão de casamento e ainda relatos de um descendente dela e morador de Conceição do Coité. Segundo Orlando Barreto, Martinha nasceu em 1849 e viveu numa fazenda de Coité próximo a Salgadália, até seus vinte anos de idade. Ainda no cativeiro, sob o domínio de João da Cunha, ela engravidou e teve um menino que recebeu o nome de Saturnino. Mas, com apenas dois meses de vida, seu filho foi arrancado de seus braços e vendido. No que diz respeito aos seus familiares, como seus irmãos, o memorialista afirma que foram separados ainda quando crianças através de negociações entre seu senhor e outros da região de Conceição do Coité (BARRETO, 2004).
Quando ela estava com 20 anos, um fazendeiro, chamado Manoel Sedraes foi até a casa do senhor dela e pediu um copo com água. A escrava foi buscar e, ao voltar, tomou um tombo e quebrou a “caneca” que trazia. Naquele momento, Manoel Sedraes “um rapaz muito educado”, amparou a moça nos braços e percebeu que ela tinha “traços belos” e assim se interessou pela cativa e iniciou uma árdua batalha para comprá-la. Como seu proprietário percebeu o grande interesse de Manoel Sedraes, aumentou opreço de 400$00 mil-réis para 800$00 mil-réis. Mesmo com a alta do preço, Manoel comprou Martinha e foram viver juntos. Em seguida, presenteou a amada com uma fazenda, onde ela trabalhou cultivando cereais; e com o dinheiro proveniente das vendas destes produtos, conseguiu comprar seus irmãos que eram escravos em fazendas da redondeza (BARRETO, 2004).
Orlando conta, que para agradar Martinha, seu companheiro fez uma busca e conseguiu comprar Saturnino, o filho de sua companheira, afastado dela ainda no cativeiro. Esta informação é evidenciada pelas escrituras de compra e venda datada em 1870, a saber, duas escrituras, a dela que só foi registrada tempos depois da compra e a do menino Saturnino. Todavia, a escritura do menino não faz referência ao nome da mãe. Orlando, por sua vez, aponta em seu trabalho a existência de um documento de partilha de bens do ano de 1912 no qual Saturnino aparece como “ Saturnino Cordeiro da Conceição, filho de Martinha Maria de Jesus” (BARRETO, 2004, p.34 ). As escrituras de compra e venda estão presentes no Centro de documentação da UNEB, e foram utilizadas nesta pesquisa.
Segundo Barreto, o casal enfrentou muito preconceito por parte da população de Conceição do Coité. Ele cita essa situação nos versos XLIII, que diz que seus melhores amigos e vizinhos lhe viraram as costas. O pai de Manoel lhe negou a benção, bem como seus irmãos que lhe desprezaram. Mas, mesmo com tantos transtornos, Martinha e Manoel Sedraes oficializaram a união em 23 de fevereiro de 1889, cerca de um ano apósa Lei Áurea, na Igreja Matriz de Conceição do Coité, casando-se, recebendo os sacramentos da Igreja e ainda tiveram cinco filhos.
Ao analisar o discurso de Orlando Barreto presente em seu livro Martinha:escrava, esposa e rainha, algumas questões tão caras à historiografia da escravidão ficam evidenciadas. Ele menciona os negros (escravos) como alguém sem personalidade, perspectiva e sonhos quando afirma que “O negro só balbucia; na terrível, escura e fria, maliciosa senzala”; E também, ao falar de Martinha, “ela, uma negra comum, igual a qualquer escrava, não tinha perspectiva; Sonhar também não ousava [...].” Ele ainda aponta em seus versos de cordel que os acontecimentos que envolveram Martinha foram obra de Deus, uma providência tomada por um ser supremo que, ao ver o sofrimento daquela mulatinha, fez com que um homem branco tivesse tamanho amor por ela (BARRETO, 2004, pg.12, 13).
Barreto também faz menção ao fim da escravidão e as suas “transformações” navida do casal e da sociedade de Conceição do Coité. Ele afirma que “no ano de oitenta e oito, quando a lei foi assinada, no dia treze de maio em Coité não tinha mais nada, que ligasse a escravidão; Todo mundo tinha noção, que ela estava acabada.” Em outrosversos ele fala do alívio que Martinha sentiu com o fim da escravidão, pois mesmo já sendo “senhora”, sentia-se mais livre e seus sonhos em família seriam realizados, ou seja, “todas as coisas haviam mudado” (BARRETO, 2004, p. 28).
É importante levar em consideração que Orlando Barreto é um memorialista e não teve a preocupação de problematizar as informações encontradas em suas fontes; ele apenas relatou a memória e suas conclusões compartilham com a historiografia tradicional que tratava o escravo como passivo, vítima de um sistema opressor e incapaz de tomar os rumos de sua própria vida. Barreto ainda aponta uma ilusão sobre o fim da escravidão que possibilitaria melhores condições de vida para os negros.
Estudos recentes mostram que a abolição da escravidão em 1888 não conseguiu transformações significativas para a vida dos ex-escravos, pelo contrário, foram tempos difíceis em que a sociedade branca fazia questão de demarcar seus espaços privilegiados e afastar os negros, pois tal presença causava vergonha para os antigos senhores, e quando os mantinha por perto era para, no mínimo, receber “gratidão”, obediência e respeito por parte de suas antigas propriedades.
Segundo Nilzete Silva, muito desta história foi recontada por descendentes do casal que moram em Conceição do Coité e até pode ser fruto da imaginação dosparentes do casal e do próprio Orlando (SILVA, 2011). Mas, o que nos interessa neste momento é o fato de que a memória da escrava Martinha mostra a presença da formaçãode famílias a partir de escravos em Conceição do Coité. Também aponta especificidades, como o casamento entre um livre com uma cativa e ainda a luta dela para reunir sua família ao comprar seu filho e seus irmãos.
Fonte: Vestígios no tempo: escravidão e liberdade em Conceição do Coité-BA (1869-1888) - Edimária Lima Oliveira Souza
Vendedor: José Leoncio dos Santos e Ermelinda Maria de Jesus
Comprador: Leopoldino Ramos Gordiano
Data: 27 de fevereiro de 1923
Valor: Um conto e cem mil reis
Em pé da esquerda para direita: Aldo, Carmem, Iolanda e João (Araujo). Sentados da esquerda para direita: Celia, Esmeraldina (Dina), Licia, Luzia e Sineide – 1994
Aldo de Araújo
Da esquerda para direita Elen, Aldo e Celia
Livro de Casamentos 1891-1898
Estou dando uma olhada nos livros de casamentos de Coité para ver quem da familia eu encontro neles, é uma tarefa dificil por causa da caligrafia mas vou tentar… Estou copiando apenas os nomes que reconheço ou pessoas com sobrenomes da minha familia, pois provavelmente tem alguma relação com meus familiares.
Data: 19 de Janeiro de 1893
Noivo: Elias Manoel da Cunha, filho de Vicente Manoel da Cunha e Anna Maria de Jesus
Noiva: Maria Romana de Jesus, filha de Manoel Joaquim de Araújo e Maria das Mercês de Jesus
Data: 14 de Fevereiro de 1893
Noivo: Pedro Manoel de Araújo, filho de Manoel Francisco de Araújo e (Felismina?) Maria de Jesus
Noiva: Joanna Porcina da Cunha, filha de José Carlos de Araújo e Porcina Maria da Cunha
Data: 09 de Março de 1893
Noivo: Saturnino da Cunha Araújo, viúvo
Noiva: Maria Alexandrina de Jesus, viúva
Data: 15 de Abril de 1893
Noivo: Antonio Francisco de Araújo. filho de José Francisco de Araújo e Maria Bernardina de Jesus
Noiva: Alexandrina Lopes de Lima, filha de Ludyero Pereira Lima e Anna Lopes de Jesus
Data: 24 de Abril de 1893
Noivo: José Carlos da Cunha, viúvo de Alvina Maria de Jesus
Noiva: Maria Francisca de Jesus, filha de Antonio Manoel de Araújo e Maria Francisca de Jesus
Data: 24 de Abril de 1893
Noivo: Elias Cyrillo de Araújo, filho de Manoel Longuinho de Araújo e Joana Cyrillo de Jesus
Noiva: Francelina Sabina de Jesus, filha de Tibúrcio Ferreira Lima
Data: 31 de Maio de 1893
Noivo: Henrique Manoel de Araújo, filho de Francisco Manoel de Araújo e Felismina Maria de Jesus
Noiva: Vitolina Lopes de Jesus, filha de Joaquim da Cunha Araújo e Thereza Lopes de Jesus, falecida
Data: 31 de Maio de 1893
Noivo: Antonio Luiz de Araújo, filho de Luis Antonio de Araújo e Marcelina Lopes de Jesus
Noiva: Pastora Lopes de Jesus, filha de Joaquim da Cunha Araújo e Thereza Lopes de Jesus, falecida
Data: 10 de Junho de 1893
Noivo: Benedicto Pereira da Cunha, filho de Margarida Maria de Jesus
Noiva: Joanna Bertholina de Jesus, filha de Francisco Xavier de Araújo e Anna Maria de Jesus
Data: 01 de Julho de 1893
Noivo: Martinho Avelino Ramos, filho de José Ferreira Ramos e Maria Saturrnina de Jesus
Noiva: Maria Francisca Donata, filha de José Firmino Donata e Maria Florencia de Jesus, falecida
Data: 22 de Julho de 1893
Noivo: Richardo José de S.Anna, filho de José Antonios dos Santos Cunha e Maria Francisca de Jesus, falecida
Noiva: Candida Maria de Jesus, filha de José Amancio de Araújo e Maria Bernardina de Jesus
Data: 25 de Julho de 1893
Noivo: Benedicto Ferreira de Araújo, filho de Francisco Xavier de Araújo e Anna Maria de Jesus
Noiva: Antonia Maria de Almeida, filha de Joaquim Francisco de Almeida e (Chryapiana?) Maria de Jesus
Data: 05 de Agosto de 1893
Noivo: Severiano de Araújo e Souza, filho de Joanna Maria de Jesus
Noiva: Anna Luiza de Jesus, filha de Paulino Gomes da Silva e Maria Joanna de Jesus
Data: 22 de Novembro de 1893
Noivo: Antonio Felix de Araújo, viúvo de Maria Bernardina do Espirito Santo
Noiva: Ana das Virgens Cunha, filha de José Calixto da Cunha e Ana Carolina de Jesus
Data: 25 de Novembro de 1893
Noivo: João Francisco Sampaio, filho de Benvenuto das Virgens Sampaio e Francisca Maria de Jesus
Noiva: Cesaria de Sousa Pinto, filha de Manoel Gregório de Sousa Pinto e Joanna Maria Pinto
Data: 30 de Novembro de 1893
Noivo: Joaquim Nunes Gordiano, filho de Manoel Gonçalves Gordiano e Maria Francisca de Jesus, falecida
Noiva: Victorina Maria de Jesus, filha de Francisco Gonçalves de Oliveira e Antonia Maria de Jesus
Testemunha: Antonio Nunes Gordiano e João Amancio de Araújo
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Fonte: Annaes da Assembléa Legislativa Provincial, 1878